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UMAS E OUTRAS DO HELIO FERNANDES - 17-5-2013


Dias e dias discutindo uma MP que é imprescindível, mas rigorosamente inconstitucional. A diferença entre Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros. O “condestável” do Estado Novo foi o marechal Dutra e não Goes Monteiro.

Helio Fernandes
É inquestionável, irretocável e irrefutável: toda a infraestrutura do Brasil está com 100 anos de atraso. Tenho tratado disso que insistência, não acontece nada, e quando acontece é dessa forma a que estamos assistindo. O necessário e indispensável se transformou em calamitoso, vergonhoso e até perigoso para o interesse nacional.
Deixemos de lado todas as ultrapassadas formas de infraestrutura, tratemos apenas dos portos, é o que está na pauta. Colocaram em debate, perdão, discussão, às vezes pior do que briga de rua, o transtorno passa a ser constrangimento, vergonha, quase tragédia.
E rigorosa incompetência na formulação, redação e apresentação da MP 595. Tratam dos portos só dentro do mar ou saindo do mar, esquecem inteiramente do congestionamento nas ruas. A televisão tem mostrado engarrafamentos de 25 ou 39 quilômetros, de caminhões que não conseguem chegar ao Porto de Santos.
Pois o governo se desgasta, hostiliza os próprios correligionários da chamada “base”, para favorecer o mafioso Daniel Dantas, que controla o Porto de Santos. Esse senhor, que já deveria estar condenado e preso pelo Supremo, vai ganhando cada vez mais poderes. E esses poderes que a MP 595 acrescenta, servirão para que o mafioso avance sobre os portos estatais do Brasil inteiro, fique com um MONOPÓLIO doado pelo governo, usando e utilizando o Congresso.
A SALVAÇÃO: INCONSTITUCIONALIDADES
QUE VÃO ANULAR TUDO

Nunca vi nada igual. Na Câmara e no Senado, ninguém foi mais citado (e não negativamente) do que o ex-governador Garotinho. Qual a razão? É que rotulou a MP dos Portos como MP dos “Porcos”, com a concordância geral. Mas ele mesmo votou a favor. Rasgaram uma emenda “aglutinativa”, fizeram outra igualzinha, os que estavam contra votaram a favor. Emendas chamavam para o artigo 5º, só haviam 4, e ninguém podia corrigir.
Foi assim dia após dia, perdão, na Câmara, noite após noite. Na terça-feira, depois da meia-noite (na verdade, meia-noite e um minuto), escrevi aqui: “A Medida 595 caducou”, tudo o que discutirem a partir de agora é inútil e não vale nada. Ficaram até as 5 da manhã já da quarta-feira, às 11 dessa mesma quarta passaram outra vez da meia-noite.
PS – O deputado Ronaldo Caiado, em determinado momento e no auge da sinceridade, exclamou da tribuna: “Tudo é muito simples, nós da oposição queremos passar da meia-noite, a situação quer acabar antes”. Todos riram, menos o cidadão-contribuinte-eleitor, que estava em casa.
PS2 – Todos sabiam que não valia mais nada. Mesmo assim a MP foi para o Senado. Poderiam ter exigido o cumprimento das disposições regimentais e constitucionais: Medida Provisória só pode chegar ao Senado 48 horas depois de votada na Câmara. Chegou no mesmo dia, ontem, quinta-feira.
PS3 – Os senadores desperdiçaram todo o dia de ontem, debatendo a MP “caduca”, ou seria “maluca”?
PS4 – Não acabou nada, apenas com a chegada do fim de semana haverá espaço para bom senso, análise e sinceridade. Compreenderão que o desgaste foi muito grande para acumular privilégios para privilegiados ou mafiosos como Daniel Dantas?
PS5 – Mas não podem esquecer os acumpliciados da Libra, da múltipla e eclética Odebrecht e do arruinado e falido Eike Batista.
PS6 – Critiquei duramente Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves, quando foram eleitos presidentes do Senado e da Câmara. Não escondi nada, contei tudo o que sabia sobre os dois. Mas agora reconheço: Henrique Eduardo Alves atravessou madrugadas presidindo o impossível, foi espantoso. Acompanho o Congresso desde a Constituinte de 46 (há 67 anos), nunca vi um presidente tão satisfeito e tão satisfatório, aceitando o imponderável, sem um aceno de cansaço ou irritação. Renan foi ao contrário, pressionou muito a oposição, não deu chance a ninguém.
PS7 – Enquanto tudo isso acontecia, no Master Mil de Roma, Nadal tinha mais problemas do que Dona Dilma. Precisou de 2 horas e 37 minutos para vencer e passar às quartas de finais.
PS8 – Só que, em vez dos ambientes fechados de Brasília, Nadal ganhava no belo Foro Italico, cheio de estátuas das grandes figuras da Roma antiga. Muitas deles, que brilharam no Senado romano.
O CONDESTÁVEL
DO ESTADO NOVO

Foi publicado ontem que o general Goes Monteiro foi o “condestável” do Estado Novo. Não foi. Tantas vezes citado e recitado, foi o general Dutra, 8 anos ministro da Guerra de Vargas. Por causa disso, derrubada a ditadura, Dutra foi feito sucessor.
Goes Monteiro foi importante e atuante, só queria ser presidente, não foi. Chegou a ser senador (junto com seus irmãos também generais, Ismar e Silvestre Péricles, a primeira vez na História que três irmãos foram senadores ao mesmo tempo.
Minha primeira entrevista importante na revista O Cruzeiro (eu ia completar 20 anos) foi precisamente com ele. Inteligente, como quase todos os generais, empolgado com Napoleão, que citava a todo momento (essa admiração é virtude e não defeito), falava muito sobre a Presidência. Dele. Serviu à ditadura, mas o “condestável” foi Dutra.

Da Tribuna da Imprensa de 17-5-2013.

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