DICIONÁRIO AULETE

iDcionário Aulete

sábado, 22 de abril de 2017

PRIMEIRA EDIÇÃO DE 22-4-2017 DO 'DA MÍDIA SEM MORDAÇA'

NA COLUNA DO CLÁUDIO HUMBERTO
SÁBADO, 22 DE ABRIL DE 2017
Lula tem dito que “quem pediu dinheiro em meu nome deveria ser preso”, mas a Lava Jato suspeita que ele pode ter combinado até com sua mulher pedidos em seu nome. Emílio Odebrecht contou à Lava Jato que, por solicitação de Marisa, pagou a reforma de R$ 700 mil do sítio em Atibaia (SP), mas ela pediu “segredo”, porque seria “surpresa” para Lula. Mas Emílio deixaria escapar o “segredo”, em conversa com o ex-presidente, e não houve surpresa. Porque Lula já sabia de tudo.
A força-tarefa considera provado que se Lula não pediu propina, como afirma, tinha quem a solicitasse em seu nome, inclusive Marisa.
Lula jura que jamais pediu “nem dez reais”. Merreca, pode ser. Mas Marcelo Odebrecht citou seu pedido de US$ 40 milhões.
Nas delações, ficou claro que outras pessoas muito ligadas a Lula pediam dinheiro à Odebrecht, como Antonio Palocci e Guido Mantega.
O articulador da Odebrecht no governo Lula era Emílio, pai de Marcelo Odebrecht que assumiu a chefia, em 2008. Marisa tratava com Emílio.
Esta coluna bem que avisou, em julho de 2010, sobre um contrato de R$1 bilhão, sem licitação, da Odebrecht na Petrobras, que acabaria em escândalo. Em vez de licitação, a Diretoria Internacional da estatal, chefiada por Paulo Roberto Costa, preferiu “convite”. Sabe-se agora que só essa maracutaia no governo Lula rendeu US$ 80 milhões em propinas, segundo delação do ex-executivo, Márcio Farias à Lava Jato.
Paulo Roberto Costa era “o cara” no governo Lula. Foi inclusive um dos poucos convidados ao casamento da filha de Dilma, em 2008.
Em vez de licitação, Paulo Roberto convidou 7 empresas a apresentar propostas. Mas a Odebrecht já estava escolhida.
Quase quatro anos depois, em março de 2014, a brava turma de Curitiba deflagrava a Operação Lava Jato, que deu no que deu.
Marcelo Odebrecht revelou em sua delação que “quando FHC saiu [da presidência], as empresas tinham doado para o Instituto FHC. Todas as empresas acho que foi algo em torno de R$ 40 milhões”.
Marcelo Odebrecht só lembrou de 17 apelidos dos políticos corruptos. Ele se afastou da rotina do propinoduto para priorizar o relacionamento com os poderosos chefões Lula, Dilma, Palocci e Mantega.
O PT, mais uma vez, tenta comover os incautos. Batizou seu próximo congresso da falecida ex-primeira dama, que segundo a fantasia de ladrões da legenda, teria sido “vítima das investigações da Lava Jato”.
O Itamaraty não acredita em recuo da semiditadura venezuelana. “Eles se acham em plena ‘revolução’, a tendência é que ignorem pressões”, diz o atual chanceler Aloysio Nunes, que estava entre os parlamentares hostilizados pelas milícias de Nicolas Maduro em Caracas, em 2016.
Sérgio Moro, juiz responsável da Lava Jato, foi agraciado com a Ordem do Mérito Militar. É a única medalha que mensaleiros condenados, como José Dirceu e Roberto Jefferson, ainda possuem.
Do advogado carioca, Nicola Manna Piraino, sobre a hipocrisia nacional: “O empresariado sempre mamou nas tetas do Estado. Aliás, quase todos jogam pedras, com os seus telhados de vidro quebrados, mas amam negociar com entes públicos, ou ter um cargo, para se encostar.
A dublagem do desenho “Patrulha Canina”, exibido na NET, troca sempre os gêneros dos cães, ora exibidos com voz feminina, ora com voz masculina, confundindo crianças de 4 a 6 anos. Não se trata de propaganda sutil de transexualismo. É desleixo e desrespeito mesmo.
Questionado sobre a adoração a Lula e o maior esquema de corrupção do planeta, Chico Buarque sempre respondia “e o PSDB?”, acreditando em outra mentira, a de que a Lava Jato era “contra o PT”, seu partido. Ele deve estar com a cara no chão: a Lava Jato chegou ao PSDB.
O depoimento de Aldemário “Léo” Pinheiro, ex-chefe da OAS, era o que faltava para prender Lula?

NO DIÁRIO DO PODER
GUARUJÁ
LULA E MARISA QUERIAM PASSAR FESTAS DE FIM DE ANO DE 2014 NO TRIPLEX
MARISA PEDIU PRESSA NA REFORMA PARA RÉVEILLON DA FAMÍLIA LULA
Publicado: sexta-feira, 21 de abril de 2017 às 15:34 - Atualizado às 16:47
O casal Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia (que morreu em fevereiro deste ano) planejava passar as festas de fim de ano de 2014 no triplex 164-A do Edifício Solaris, que o empreiteiro José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, diz ter sido comprado e reformado pela OAS, como vantagens indevidas concedidas ao petista.
Léo narra que depois da primeira visita com Lula, foi feita uma segunda visita. Dessa vez Lula não foi, havia preocupação porque era ano de eleição. Léo foi com dona Marisa, ocasião em que ouviu um pedido.
"Então dona Marisa fez um pedido: 'Nós gostaríamos de passar as festas de fim de ano aqui no apartamento. Teria condições de estar pronta?'", relatou Léo Pinheiro ao juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Operação Lava Jato em audiência na quinta-feira, 21.
Moro perguntou depois se deu tempo de terminar a obra e o empreiteiro disse que sim.
"Pode ficar certo que antes disso...", disse Léo Pinheiro, o empreiteiro do cartel, que fatiava obras na Petrobras pagando propinas a políticos e agentes públicos, mais próximo do ex-presidente.
A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio - de um valor de R$ 87 milhões de corrupção - da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio do tríplex no Guarujá, no Solaris, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016.
O Edifício Solaris era da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), a cooperativa fundada nos anos 1990 por um núcleo do PT. Em dificuldade financeira, a Bancoop repassou para a OAS empreendimentos inacabados, o que provocou a revolta de milhares de cooperados - eles protestam na Justiça que a empreiteira cobrou valores muito acima do previsto contratualmente. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi presidente da Bancoop.
Defesa de Lula
"Léo Pinheiro, no lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado tríplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel".
"A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo - não presenciado por ninguém - no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-Presidente. É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula que, a despeito de ter sido apresentada ao Juízo, não mereceu nenhuma providência".
"A afirmação de que o tríplex do Guarujá pertenceria a Lula é também incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro. Em 3/11/2009, houve emissão de debêntures pela OAS, dando em garantia o empreendimento Solaris, incluindo a fração ideal da unidade 164A. Outras operações financeiras foram realizadas dando em garantia essa mesma unidade. Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o apartamento como ativo da empresa".
"Léo Pinheiro negou ter entregue as chaves do apartamento a Lula ou aos seus familiares. Também reconheceu que o imóvel jamais foi usado pelo ex-Presidente".
"Perguntado sobre diversos aspectos dos 3 contratos que foram firmados entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a verdade dos fatos". (AE)

NA COLUNA DO AUGUSTO NUNES
Editorial do Estadão: Os efeitos da demagogia
Governos do PT entenderam que justiça social é ato de vontade. O resultado da insanidade está aí
Por Augusto Nunes
Sábado, 22 abr 2017, 07h58
Dos perversos efeitos da irresponsabilidade fiscal dos governos lulopetistas, os mais significativos foram a reversão da queda da desigualdade e a estagnação do desenvolvimento humano, constatadas por estudos recém-publicados. Tal cenário indica o grau de deterioração do bem-estar da atual geração de brasileiros e, especialmente, as perspectivas sombrias para as próximas, algo que não pode ser modificado por medidas triviais. Se era preciso alguma prova de que a promessa demagógica de felicidade instantânea e sem sacrifícios pereniza a mediocridade e compromete o futuro do País, a prova aí está.
O mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostrou que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, com dados de 2015, ficou estagnado pela primeira vez desde 2004. Isso significa que as políticas de Lula da Silva e, principalmente, de Dilma Rousseff, a título de fazer “justiça social” e “incluir o pobre no Orçamento”, como gostam de alardear os ex-presidentes petistas, na verdade tiveram o efeito exatamente oposto ao pretendido – isto é, em vez de ajudar os mais pobres, interromperam o processo de melhoria da qualidade de vida do conjunto da sociedade.
O IDH leva em conta renda, educação e saúde. Vai de 0 a 1 – quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento. Em 2015, o Brasil obteve IDH de 0,754, o mesmo de 2014. Entre 188 países, o Brasil ficou estacionado em 79.º lugar, ao lado de Granada. Continua entre os países considerados de “alto desenvolvimento humano”, mas encontra-se abaixo de Cuba (68.º) e Venezuela (71.º).
Quando o índice é ajustado se levando em conta a desigualdade – de renda, de saúde e de educação –, o Brasil cai 19 posições. Pelo Coeficiente de Gini, que mede especificamente a desigualdade de renda, o Brasil aparece como o 10.º mais desigual entre 143 países. Esse aspecto aparece em outro estudo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), segundo o qual em 2016 houve o primeiro aumento da disparidade de renda domiciliar per capita em 22 anos. Isso significa que o ganho proporcionado pela estabilização da economia com o Plano Real, implementado há 23 anos, foi comprometido pelos governos de Lula e Dilma.
A façanha da dupla é espantosa. A partir de meados dos anos 1990 o Brasil começou a caminhar para reduzir a afrontosa desigualdade de renda que marca sua sociedade desde sempre. O controle da inflação deu o primeiro impulso para isso, pois permitiu que os mais pobres parassem de pagar, na forma do chamado “imposto inflacionário”, o custo do endividamento inconsequente do governo.
Foi necessário ainda um grande esforço para levar escolaridade às classes mais baixas, aumentando suas possibilidades no mercado de trabalho. Além disso, os programas de transferência condicionada de renda foram importantes para ajudar a mitigar a miséria. Tudo somado, esperava-se que, no ritmo verificado a partir do início dos anos 2000, o Brasil já tivesse erradicado a pobreza extrema por volta de 2016. Mas isso não ocorreu. Ao contrário, em 2015 voltou a crescer o número de famílias com rendimento per capita inferior a 25% do salário mínimo, chegando a 9,2% da população, contra 8% em 2014, de acordo com dados do IBGE. Um ano depois, em 2016, a desigualdade cresceu 1,6% em relação a 2015, conforme o estudo da FGV, anulando os ganhos dos anos anteriores.
Os indicadores de desigualdade são especialmente significativos porque refletem os efeitos de longo prazo das políticas econômicas. A redução da renda dos mais pobres e o consequente aumento do abismo destes em relação aos mais ricos, depois de um período em que essa diferença parecia fadada a diminuir em razão da maturidade econômica e institucional do País, não resultam de erros pontuais, mas sim de decisões que respeitaram uma visão totalmente equivocada do papel do Estado no desenvolvimento. Mas os governos petistas entenderam que justiça social não é o resultado de um processo econômico de longo prazo, e sim um ato de vontade. O resultado dessa insanidade está aí.

NO BLOG DO JOSIAS
Corrupção ronda a Odebrecht desde a ditadura
Josias de Souza
Sábado, 22/04/2017 05:42
Em depoimento à força-tarefa da Lava Jato, Emílio Odebrecht deu a entender que o convívio de sua empresa com a corrupção começou há 30 anos, quando o Brasil já havia se redemocratizado. Documento disponível nos arquivos do Senado demonstra que não é bem assim. A suspeição já rondava o Grupo Odebrecht durante a ditadura militar. Em 17 de abril de 1979, Norberto Odebrecht, pai de Emílio, sentou-se num banco de CPI, no Senado, para se defender de denúncias de desvio de verbas, superfaturamento e favorecimento nas obras do complexo nuclear de Angra — um negócio iniciado há 45 anos, em 1972, sob o governo do general Emílio Médici.
As informações que você lerá abaixo foram extraídas do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito criada no Senado para investigar o Acordo Nuclear Brasil —Alemanha. A CPI começou a funcionar em outubro 1978, no governo do general Ernesto Geisel. O documento que registra o resultado do trabalho, disponível aqui, só foi publicado no Diário do Congresso em agosto de 1982, quase quatro anos depois, já durante o mandato do general João Figueiredo, último presidente do ciclo militar. As denúncias contra a Odebrecht eram apenas parte da matéria-prima da CPI, que nasceu de uma reação dos senadores a uma notícia publicada pela revista alemã Der Spiegel.

O ânimo da maioria dos senadores não era o de investigar, mas o de demonstrar que a revista ofendera o Brasil injustamente. A CPI teve dois relatores. O primeiro deles, senador Jarbas Passarinho, anotou no seu relatório final coisas assim: “Em setembro de 1978, a revista alemã ‘Der Spiegel’ publicou extensa reportagem sobre o Programa Nuclear Brasileiro. Da sua leitura, nota-se o caráter sensacionalista da matéria e a clara insinuação de que o brasileiro é irresponsável e incompetente na condução de realizações complexas…”. Era nítido o desejo de desqualificar a notícia. Mas o relatório da CPI deixava antever que já vigorava na época a ''normalidade'' de que falou Emílio Odebrecht aos procuradores da Lava Jato (...)
O relator toureou as denúncias da revista o quanto pôde. Deu crédito irrestrito a versões oficiais, recolhidas em depoimentos de autoridades. Entretanto, a despeito de toda a má vontade com o teor da reportagem da Der Spiegel, ecoada por jornais brasileiros, Jarbas Passarinho teve dificuldades para isentar a Odebrecht. Anotou a certa altura: “De tudo o que a revista alemã deu a público, só essa denúncia de que a Construtora Norberto Odebrecht recebeu a adjudicação das obras civis de Angra II e Angra III sem concorrência é o que se provou verdadeira. A publicação insinua, porém, que por trás do suposto favorecimento estaria o ministro [Ângelo] Calmon de Sá, do Comércio e Indústria.” (Veja esse trecho do documento abaixo).
Por concorrência, a Odebrecht havia sido contratada em 1972 para construir a usina nuclear de Angra I. Quatro anos depois, em 1976, o governo contratou a mesma Odebrecht para erguer as usinas de Angra II e Angra III, dessa vez sem o inconveniente da licitação. Por trás do favorecimento, acusou a revista alemã, estavam as digitais do então ministro Calmon de Sá (Comércio e Indústria), um ex-diretor da empreiteira. A CPI apressou-se em isentar o ministro. Alegou-se que ele deixara os quadros da Odebrecht havia mais de dez anos.
Sustentou-se, de resto, que Calmon de Sá ainda não integrava o governo quando a construtora venceu a concorrência de Angra I. E estava na presidência do Banco do Brasil, não na Esplanada dos Ministérios, quando a empresa beliscou sem licitação os contratos de Angra II e III. Quanto ao favorecimento à empreiteira, a CPI fez ginástica para concluir que havia na legislação da época brechas que autorizavam o drible à concorrência. Curiosamente, o relatório de Jarbas Passarinho, aprovado pela maioria da CPI, reconhece que a Odebrecht foi premiada depois de exibir um desempenho precário no canteiro de obras de Angra I.
“De 1972 a 1974, a Construtora Norberto Odebrecht não se desincumbia satisfatoriamente de sua tarefa”, anota o relatório final. Documentos oficiais atestavam “incapacidade técnica” e “dificuldades financeiras” da empreiteira. O problema financeiro foi resolvido com a antecipação de pagamentos à construtora. A debilidade técnica foi contornada com a troca do comando da equipe. A operação resultou em atrasos no cronograma da obra. Que não impediram o governo de prover à Odebrecht dinheiro extra e antecipado.
Ao resumir o inusitado da situação, o relatório da CPI tornou-se surreal. Revela maior preocupação em livrar a cara do ministro do governo militar do que em esquadrinhar as culpas da Odebrecht. Diz o texto a certa altura: “Claro está que fora autorizada uma concessão generosa, não prevista no contrato: o adiantamento de recursos, uma espécie de fundo rotativo, de sorte a eliminar as dificuldades financeiras da construtora. Se tal procedimento configurou ou não descabida generosidade, nada certamente pode ser imputado ao doutor Calmon de Sá, à sua possível ‘influência’ como ministro de Estado, que não era”. (vai abaixo esse trecho do relatório).
Concluiu-se também que a estatal Furnas praticamente fez uma “intervenção branca” no canteiro da obra ao impor a troca de equipe. Mas fez tudo parecer um prêmio, já que alterou o contrato para poder antecipar pagamentos à construtora. Para a CPI, “a decisão provou ser boa”, apesar dos “seus aspectos estranhos.” As críticas à Odebrecht converteram-se em elogios. Que desaguaram na dispensa de licitação.
Em sua fase final, a CPI trocou de relator. Jarbas Passarinho foi substituído pelo então senador Milton Cabral, que incorporou integralmente o trabalho do antecessor no seu relatório. A exemplo de Passarinho, Cabral também teve dificuldades para esconder o que estava na cara. Os contratos assinados entre a estatal Furnas, a multinacional Westinhouse (fornecedora do reator da usina nuclear), e a Odebrecht, teve de reconhecer o senador, “exibiram evidentes fragilidades em vários dos seus dispositivos (prazos, conceitos e fórmulas de remuneração, transferência de responsabilidade, etc.), tanto que numerosos aditamentos mudaram profundamente a regra do jogo, como estabelecida inicialmente para efeito de seleção de concorrentes.”
O relator prosseguiu: “É claro que tais alterações forçariam substanciais aumentos dos custos, e não fizeram antecipar, nem mesmo cumprir, qualquer prazo, inclusive os renovados.” Quer dizer: o Estado pagou mais do que estava previsto no contrato. Amargou atrasos. Foi obrigado a prorrogar os prazos. Que foram novamente descumpridos. E a CPI cuidou de desqualificar apenas a reportagem que deu origem à pseudo-investigação parlamentar.
“Curiosamente, e felizmente, as falhas apontadas pela reportagem da revista Der Spiegel nas obras de Angra I não foram confirmadas”, registra o relatório final. “Como elas atingiam a qualidade técnica dos trabalhos, foi para nós um alívio constatarmos que não existiu nenhum edifício afundando como um saca-rolhas, não ficou o turbo-gerador fora de alinhamento… Comprovadamente, a Der Spiegel deixou-se levar, no caso, por falsas informações. As falhas observadas na execução de Angra I, de natureza diversa das apontadas pela revista alemã, foram puramente administrativas, que afetaram prazos e custos.” (Veja abaixo o trecho do relatório da CPI que desqualifica a revista).
Lendo-se o documento da CPI, percebe-se que a Odebrecht da era militar talvez não fosse mais honesta do que a construtora pilhada na Lava Jato. Era apenas uma empresa mal investigada. No perído em que o governo brasileiro vestia fardas, não havia Ministério Público independente nem Polícia Federal autônoma. Norberto Odebrecht, o fundador do grupo, morreu aos 93 anos, de infarto. Feneceu em julho 2014, apenas quatro meses depois da deflagração da operação que prendeu o neto Marcelo Odebrecht e virou a empresa do avesso.
O destino privou o fundador Norberto de assistir à conversão do filho Emílio e do neto Marcelo em delatores. Vivo, estaria se perguntando se o negócio da família sobreviverá às palavras de Emílio: ''O que nós temos no Brasil, não é um negócio de cinco anos, dez anos atrás. Nós estamos falando dee 30 anos atrás. […] Então, tudo que está acontecendo era um negócio institucionalizado. Era uma coisa normal. Em função de todos esses números de partidos, onde o que eles brigavam, era por quê? Era por cargos? Não. Todo mundo sabia que não era. Era por orçamentos gordos. Eles queriam orçamento. Ali os partidos colocavam seus mandatários com finalidade de arrecadar recursos para o partido, para os políticos. E isso é há 30 anos que se faz isso.''

NO O ANTAGONISTA
Apenas os fanáticos estão com Lula
Brasil  Sábado, 22.04.17 09:08

Em editorial, O Globo definiu quem ainda está com Lula: os fanáticos. Leia:
“O efeito da videoteca das delações da Odebrecht e da decisão de Léo Pinheiro, da OAS, construtora do prédio do tríplex, de fazer delação premiada na Lava-Jato, foi desmontar o jogo de espelhos que Lula, advogados e militância manipulada ainda tentam jogar, e continuarão insistindo. Só fé de religioso sectário para continuar a acreditar. Virou, há tempos, questão de dogma.”
PT jogou a toalha quanto a Lula
Brasil 22.04.17 08:48
Os petistas admitem que Léo Pinheiro abriu a porta da cela para Lula, mas afirmam que o comandante máximo não será preso “neste momento”.
É o que diz a Folha.
Extratos da Odebrecht ligam Temer a US$ 40 milhões
Brasil 22.04.17 08:21
A Odebrecht apresentou à Lava Jato extratos que comprovariam pagamentos de US$ 40 milhões ao PMDB e que complicam a situação de Temer.
Segundo os delatores da empreiteira, a propina refere-se a um contrato internacional da Petrobras de US$ 825 milhões.
O pagamento foi acertado em reunião no escritório político de Temer em São Paulo.
As informações são da Folha.
PT não tem tantos índios, negros e mulheres
Brasil 22.04.17 08:03
Uma das desculpas do PT para a falta de gente disposta a assumir seus diretórios municipais é a dificuldade em compor as chapas. Há cotas obrigatórias para mulheres, negros, índios e jovens, segundo o Estadão.
O PT está se desmanchando
Brasil 22.04.17 07:53
As eleições internas do PT, no início do mês, escancararam o desmanche do partido.
Em 1.120 diretórios municipais, não houve sequer 20 gatos pingados para montar uma chapa.
Isso representa 27% das 4.100 cidades em que os petistas mantêm representações, segundo o Estadão.
O pedágio lulista
Brasil 22.04.17 06:52
O Globo informa que "um relatório do MPF identificou que dois carros registrados em nome do Instituto Lula fizeram pelo menos seis viagens, entre 2012 e 2014, de São Bernardo do Campo ao Guarujá, onde fica o Edifício Solaris.
Procuradores obtiveram informações do sistema automático de pagamento de pedágio em rodovias (BR-050 e BR-101 e Rodovia dos Imigrantes).
Alô, Brahma
Brasil 22.04.17 06:46
Entre os documentos entregues por Léo Pinheiro à Lava Jato, há uma lista de seus telefonemas.
De acordo com O Globo, entre agosto de 2013 e meados de 2014 ele conversou 163 vezes com Paulo Okamotto, o homem mais próximo de Lula.
Quase uma vez a cada dois dias.
E mais: há 31 telefonemas para Clara Ant, assessora de Lula, e outros 24 telefonemas a José de Filippi, tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2010.
Os documentos de Léo Pinheiro
Brasil 22.04.17 06:44
Léo Pinheiro já apresentou uma série de documentos à Lava Jato.
Os documentos comprovam aquilo que ele disse em seu depoimento: a cobertura no Guarujá era de Lula e seu valor foi abatido da propina destinada pela OAS ao PT.
Segundo O Globo, “parte dos novos documentos foi anexada à ação relacionada ao tríplex dez dias atrás. Inicialmente, o foco de Léo Pinheiro será no detalhamento das agendas, encaminhadas por e-mail, onde são registrados encontros pessoais com o ex-presidente Lula durante o primeiro ano da operação, deflagrada em março de 2014. Entre junho e novembro daquele ano, o empresário esteve cinco vezes em encontros com Lula até ser preso pela Polícia Federal. A última reunião entre os dois ocorreu em 10 de novembro de 2014, quatro dias antes de ser desencadeada a 7ª fase da Lava-Jato — a primeira grande ofensiva contra as empreiteiras acusadas de participar do cartel da Petrobras”.
A ORCRIM se esfacela
Brasil 22.04.17 06:05
José Roberto Batochio representava Lula, Antonio Palocci e Guido Mantega.
O plano de nomear o mesmo advogado para Amigo, Italiano e Pós-Itália era claro: combinar suas defesas na Lava Jato.
A partir do momento em que Antonio Palocci decidiu delatar Lula, porém, a estratégia ruiu.
Agora teremos um contra o outro.
Antonio Palocci vai dizer que cumpriu ordens de Lula. E Lula vai rebater dizendo que Antonio Palocci usou seu nome para roubar.
Advogado abandona Lula, Palocci e Mantega
Brasil 22.04.17 06:04
José Roberto Batochio, além de abandonar a defesa de Lula, vai abandonar também a defesa de Antonio Palocci e de Guido Mantega.
Diz a Folha de S. Paulo:
“De acordo com pessoas do círculo íntimo de Batochio, ele enfrenta um dilema ético diante da conduta adotada em décadas de advocacia: por um lado, sempre disse execrar o instituto da delação premiada. Como Palocci já negocia a colaboração com o Ministério Público Federal, ele não teria como permanecer no caso.
Permanecer na defesa de Lula traria um outro problema. Como é provável que Palocci, para efetivar a delação, mire seu canhão no peito do ex-presidente, Batochio seria obrigado a confrontá-lo, classificando todas as eventuais declarações do ex-ministro como mentirosas”.
Lula perde seu advogado
Brasil 22.04.17 06:02
A estratégia de Lula desmoronou.
A Folha de S. Paulo informa que o advogado José Roberto Batochio vai deixar sua defesa.
Caiado denunciou
Brasil Sexta-feira, 21.04.17 21:04
No dia 23 de março do ano passado, Ronaldo Caiado denunciou que o governodo PT cogitava decretar "estado de defesa", a fim de segurar o impeachment de Dilma Rousseff. O general Villas Bôas abordou o assunto em entrevista à Veja.
Releia o que noticiamos há mais de um ano:

É GOLPE... DE DILMA

Brasil  18:22
Ronaldo Caiado denunciou em seu twitter que Dilma Rousseff planeja decretar "Estado de Defesa".
Trata-se de medida excepcional que restringe os direitos de reunião, sigilo de correspondência, de comunicações telegráficas e telefônicas.
É golpe!
"Eu deito na minha cama e durmo. Ele tá lá..."
Brasil 21.04.17 18:03
Francenildo Costa, o ex-caseiro que teve o sigilo bancário violado pela turma de Antonio Palocci disse à BandNews não se surpreender com a atual situação de seu ex-patrão, preso pela Lava Jato.
"Eu tinha a intuição de que isso aí já se esperava. Quem anda errado... Um dia sempre descobrem. Eu estava falando a verdade."
Em outro momento da entrevista, Francenildo comentou:
"Eu deito na minha cama e durmo. Consigo levar minha vida tranquilamente. Ele (Palocci) tá lá, só Deus sabe como ele tá."

REFLEXÃO ESPÍRITA

-Indagação oportuna-
"Disse-lhes: - Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes?"(ATOS, 19:2.)

A pergunta apostólica vibra ainda em todas as direções, com a maior oportunidade, nos círculos do Cristianismo.
Em toda parte, há pessoas que começam a crer que já crêem, nas mais variadas situações.
Aqui, alguém aceita aparentemente o Evangelho para ser agradável às relações sociais.
Ali, um indagador procura o campo da fé, tentando acertar problemas intelectuais que considera importantes.
Além, um enfermo recebe o socorro da caridade e se declara seguidor da Boa Nova, guiando-se pelas impressões de alívio físico.
Amanhã, todavia, ressurgem tão insatisfeitos e tão desesperados quanto antes.
Nos arraiais do Espiritismo, tais fenômenos são freqüentes.
Encontramos grande número de companheiros que se afirmam pessoas de fé, por haverem identificado a sobrevivência de algum parente desencarnado, porque se livraram de alguma dor de cabeça ou porque obtiveram solução para certos problemas da luta material; contudo, amanhã prosseguem duvidando de amigos espirituais e de médiuns respeitáveis, acolhem novas enfermidades ou se perdem através de novos labirintos do aprendizado humano.
A interrogação de Paulo continua cheia de atualidade.
Que espécie de espírito recebemos no ato de crer na orientação de Jesus? o da fascinação? o da indolência? o da pesquisa inútil? o da reprovação sistemática às experiências dos outros?
Se não abrigamos o espírito de santificação que nos melhore e nos renove para o Cristo, a nossa fé representa frágil candeia suscetível de apagar-se ao primeiro golpe de vento. 
(Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, constante do livro “Fonte Viva”,  de 1956, publicado pela Editora da Federação Espírita Brasileira.)
Da página http://www.oconsolador.com.br de 02-5-2007.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

TERCEIRA EDIÇÃO DE 21-4-2017 DO 'DA MÍDIA SEM MORDAÇA'

NA COLUNA DA ELIANE CANTANHÊDE
Fala, Palocci!
A defesa, o sítio e o triplex de Lula desabam e o foco se desloca para Palocci
Por Eliane Cantanhêde
Estadão - Sexta-feira, 21 Abril 2017 | 05h00
Léo Pinheiro é a pá de cal na defesa do ex-presidente Lula, mas a bola da vez é o seu ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que conseguiu a proeza de despencar não de um, mas de dois governos diferentes, e continuou aprontando das suas com uma desenvoltura tão surpreendente quanto seu inalterável ar de bom moço, até cair nas garras da Lava Jato e ser considerado hoje o futuro delator com potencial mais explosivo.
Em suas delações ao juiz Sérgio Moro e aos procuradores, Marcelo Odebrecht contou que era ele, Palocci, quem administrava a conta “Amigo” na empreiteira, um cheque em branco que abastecia as vontades e luxos da família Lula da Silva. E, no relato dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, os acertos de valores, prazos e formas de pagamento para, primeiro, salvar a imagem do presidente Lula e, depois, os votos do candidato Lula, após o Mensalão, foram feitos diretamente no gabinete da Fazenda.
Palocci, aliás, foi preso em setembro do ano passado sob a suspeita de ter favorecido a Odebrecht numa medida provisória sobre benefícios fiscais, numa licitação da Petrobras para compra de navios-sonda, num financiamento do BNDES para obras da empreiteira em Angola e na doação de um terreno para o Instituto Lula.
Em sendo assim, Palocci tinha múltiplas personalidades: era ministro da Fazenda e ditava a política econômica, mas ao mesmo tempo lobista da Odebrecht, operador financeiro do PT e gerente da conta de Lula naquele banco da empreiteira chamado de Setor de Operações Estruturadas. Era três em um, ou melhor, quatro, cinco ou seis em um.
Palocci começou cedo. Basta olhar para as fotos dele cercado por seus assessores na Prefeitura de Ribeirão Preto para perceber que havia algo errado. Bonachão, com seu ar e seus óculos de aluno estudioso, era cercado por figuras que acabaram encalacradas na Justiça.
Mas Palocci pousou em Brasília com os ventos alvissareiros da primeira eleição de Lula. O médico que assumia a Fazenda. O ex-prefeito com aura de competência. O hábil que driblou vários concorrentes e ficou lado a lado do presidente. O pragmático que jogou no lixo as teses econômicas do PT e virou o queridinho do mercado – e da mídia.
A primeira surpresa de quem não conhecia as histórias de Palocci em Ribeirão foi saber de uma casa alugada no bairro mais nobre de Brasília, onde eram dadas festas de arromba e havia um estranho trânsito de malas de dinheiro. E ele não teve o menor prurido em usar seus poderes para quebrar o sigilo do caseiro que contara detalhes sobre a casa subitamente famosa.
Palocci desabou da Fazenda de Lula, mas ressurgiu igualmente poderoso na campanha de Dilma Rousseff em 2010 e dali para a Casa Civil. E desabou de novo, por não explicar a compra de um apartamento de R$ 7 milhões, que era dele, mas não era dele, cheio de mistérios. Não se sabe se ele aprendeu com Lula, ou se Lula aprendeu com ele...
É assim, com essa trajetória tão atribulada, sua relevância no centro do poder e agora seu desconforto em sete meses de prisão, que Palocci se torna a bola da vez. Ainda há muito o que contar sobre Lula e os governos petistas, mas o grande terreno a ser desbravado não é do lado corrupto, mas do lado corruptor. O que se sabe do sistema financeiro na Lava Jato?
Em seu depoimento desta quinta-feira, 20, a Sérgio Moro, o ex-ministro foi de uma gentileza que raiou a sabujice ao se oferecer como delator: “Se o sr. estiver com a agenda muito ocupada, a pessoa que o sr. determinar, eu imediatamente apresento todos esses fatos, com nomes e endereços, para um ano de trabalho”. Os investigadores esfregam as mãos, os investigados entram em pânico.

NO O GLOBO
'Dona Claudia quase me mata!!!', diz delator da Odebrecht após receber Cunha de madrugada em casa
Encontro aconteceu em 2013 em Brasília, a pedido do ex-presidente da Câmara
POR MIGUEL CABALLERO
Quinta-feira, 20/04/2017 13:51 / atualizado 21/04/2017 7:36
ÚLTIMAS DE BRASIL

RIO - Já era o final da noite de 19 de agosto de 2013, uma segunda-feira, quando o então diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Claudio Melo Filho, recebeu com alguma surpresa uma ligação do então deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo o relato de um dos depoimentos da delação premiada do delator, Cunha queria saber se Melo estava em casa, em Brasília, e se poderia ir até lá, no que foi atendido. O ex-deputado chegou à casa do executivo às 0h45m da madrugada do dia 20, uma terça-feira.
Uma das provas apresentadas por Melo Filho ao MPF para demonstrar o relacionamento com Cunha é justamente um e-mail enviado por ele ao presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, relatando o encontro. Após o relato de outros assuntos de interesses do grupo no Congresso, Melo Filho mostra espanto com a visita que recebera horas antes, na madrugada, e brinca com uma possível desconfiança de sua mulher, Cláudia. A Cláudia citada é a mulher de Claudio Melo Filho, por coincidência xará da mulher de Cunha, a jornalista Cláudia Cruz. Cunha é chamado de "Carang", uma abreviação de seu apelido nas planilhas da Odebrecht (Caranguejo).
Veja o e-mail:
Em e-email a Marcelo Odebrecht e outros executivos da empresa, Claudio Melo Filho relata visita de madrugada de "Carang", apelido de Eduardo Cunha - Reprodução / Reprodução
Melo Filho conta no depoimento que, ao chegar a sua casa, Cunha disse que gostaria de ser apresentado ao presidente da Odebrecht Agroindustrial, que o deputado dizia não saber quem era. Na ocasião, estava sendo discutida na Câmara a Medida Provisória (MP) 613, que afetava o setor de produção de açúcar e álcool, área de atuação da Odebrecht Agroindustrial.
O caso chamou a atenção da procuradora Melina Montoya Flores, que tomava o depoimento de Melo Filho. Ela faz algumas perguntas sobre a reunião, e ressalta o "horário esquisito". O ex-executivo da Odebrecht reafirma que este pedido de aproximação com a Odebrecht Agroindustrial foi o único tema discutido no encontro.
- Foi absolutamente inusual. Até porque ele não tinha relação de proximidade, nem intimidade comigo. Por isso digo no e-mail "pode imaginar" no e-mail no dia seguinte. Sabendo quem ele é, era líder do partido na época, imaginei que alguma coisa grave tinha acontecido, resolvi atendê-lo - diz Melo à procuradora. - Acho que a urgência do encontro era porque a MP seria votada logo, e ele queria uma interlocução com a Agroindustrial.
Este depoimento de Melo Filho faz parte do Inquérito 6807, que investigará repasses da Odebrecht via caixa dois recebidos por Eduardo Cunha nas campanhas eleitorais de 2010 e 2014. Melo Filho apresentou também uma planilha que indica o pagamento de R$ 7 milhões a Cunha entre os meses de julho e outubro de 2010, o período eleitoral.
No mesmo inquérito, o depoimento de outro delator, Fernando Reis, aponta pagamento de R$ 3 milhões a Cunha na campanha eleitoral de 2014.
Procurado, o advogado de Eduardo Cunha, Michel Asseff, afirma que o ex-deputado nega veementemente qualquer crime apontado pelos delatores.

NO O ANTAGONISTA
Liga o Wi-Fi, Adriana
Brasil 21.04.17 11:17
Maria Thereza de Assis Moura, do STJ, negou liminar que pedia a suspensão do processo que envolve Adriana Ancelmo. É a mesma ministra que concedeu à ré o direito à prisão domiciliar.
Adriana, pode ligar o Wi-Fi para ver esta notícia.
Contra o abuso da Mela Jato (2)
Brasil 21.04.17 11:01
A Associação Nacional dos Procuradores da República convoca os brasileiros contra o projeto de abuso de autoridade.

Só o STF salva
Brasil 21.04.17 10:41
Os petistas estão divididos sobre a oferta de Antonio Palocci para colaborar com a Lava Jato.
Alguns dirigentes, segundo o Estadão, “chegaram a usar expressões alarmistas como ‘hecatombe’, ‘bomba H’, ‘fim de tudo, ‘pá de cal’ (…).
Outro grupo interpretou a disposição do ex-ministro como um recado implícito aos setores empresarial e financeiro. Esses petistas acreditam que uma possível delação de Palocci poderia, sim, afetar de maneira negativa o ex-presidente Lula, mas avaliam que, pela forma como o ex-ministro se expressou, o alvo da mensagem não é o PT”.
De acordo com esse grupo, Antonio Palocci quer que os bancos pressionem o STF.
A reportagem diz, de fato, que um dirigente do PT citou “como exemplo para uma possível decisão favorável a Palocci o caso da ex-primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo, que ganhou direito à prisão domiciliar dias após notícias de que delataria membros do Judiciário”.
O partido dos mortos
Brasil 21.04.17 10:21
O PT está tão habituado a roubar eleições, que rouba até as eleições internas do partido.
Segundo a Folha de S. Paulo, há dezenas de denúncias de fraudes na escolha do comando nacional do PT.
Por exemplo:
- Quatro mortos estão na lista dos eleitores do 6º Congresso do PT na cidade de Arandu.
- Há mais quatro mortos em Catanduva.
- “Um vídeo traz o momento em que um representante da corrente Avante – que tem o deputado Arlindo Chinaglia entre seus líderes – é flagrado carregando a urna minutos antes do encerramento da votação. Ele reaparece uma hora depois. Nesse intervalo a relação dos votantes dessa urna subiu de 48 para 248”.
- “No município de Platina, 106,7% dos filiados aptos a votar foram às urnas na eleição petista”.
- “O ex-prefeito de Guarulhos, Elói Pietá apresentou um recurso no qual pede perícia grafotécnica sobre assinaturas atribuídas a 400 participantes da eleição da cidade, devido à semelhança de caligrafia”.
As reuniões no Instituto Lula
Brasil 21.04.17 10:07
Lula e Léo Pinheiro eram companheiros de farra.
O Globo fez um retrato do empreiteiro:
“Filho de um médico dono de farmácia no interior, Léo Pinheiro nunca teve na Bahia o status de Marcelo Odebrecht, que nasceu em berço de ouro e estudou no exterior. Entre os empreiteiros, Pinheiro foi o único a se tornar amigo do ex-presidente Lula, a ponto de frequentar a casa do ex-metalúrgico e servir como ouvido para desabafos.
Depois que Lula deixou a Presidência e sobrou mais tempo, os encontros entre os dois passaram a ser mais frequentes. Não eram raras as reuniões nos fins de expediente no Instituto Lula, regadas a aperitivos”.
Continue assim, Lula
Brasil 21.04.17 10:00
Leia a coluna de Miriam Leitão, em O Globo:
“A estratégia de defesa do ex-presidente Lula foi desmontada. Seus advogados, desde o início, centraram ataques no juiz Sérgio Moro, dizendo que o magistrado o perseguia e cometia abusos. A delação da Odebrecht desmontou a estratégia e ontem a fala de Léo Pinheiro acabou de soterrá-la. O ex-presidente da OAS disse que Lula era dono do apartamento do Guarujá: ‘Usei valores de pagamento de propina’.
A partir de agora, Lula terá que encontrar outros argumentos em vez de ser um perseguido pelo juiz Sérgio Moro e pela imprensa. Seus advogados estavam em explícito confronto com o magistrado, e Lula, em suas declarações, tentava passar a ideia de que estava ansioso para ficar frente a frente com Moro e que o enfrentaria. Desde as delações da Odebrecht, contudo, o assunto foi muito além de Curitiba.
Lula está agora em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), além dos processos a que responde junto à 13ª Vara Federal, em Curitiba (…).
Abril foi devastador para o ex-presidente. Seu nome foi falado explicitamente por vários dos delatores da Odebrecht, principalmente os mais poderosos na empresa, incluindo-se o ex-presidente Marcelo e o patriarca Emílio. O custo do que se pagaria a ele era tão alto, que a empresa usou técnicas das boas práticas contábeis e fez um provisionamento numa conta de R$ 35 milhões apenas para futuras demandas (…).
A fala de Léo Pinheiro exibiu toda a trama por trás do apartamento na Bancoop. No sítio de Atibaia há complicações até para o velho amigo e advogado de Lula, Roberto Teixeira, que teria se reunido com dois funcionários da Odebrecht para forjar um documento sobre o valor e a responsabilidade da reforma no sítio. Como o suposto dono seria Fernando Bittar, foi preciso subfaturar o valor real da obra e declarar menos do que ela realmente custou, segundo contou Emyr Costa, engenheiro da empreiteira.
Há processos, investigações e delações que o cercam de dúvidas e suspeitas. Portanto, se quer mesmo se defender, Lula precisa instruir seus advogados a mudar a estratégia. Há uma coleção de indícios, suspeitas, documentos e declarações contra ela. Ele não é um perseguido. É um réu que tem explicações a dar”.
Por favor, Lula, ignore Miriam Leitão. Sua estratégia é perfeita. Continue assim.

SEGUNDA EDIÇÃO DE 21-4-2017 DO 'DA MÍDIA SEM MORDAÇA'

NO O ANTAGONISTA
Maquiando propinas
Brasil Sexta-feira, 21.04.17 09:03
Merval Pereira, em 3 de junho do ano passado, revelou que até o cabeleireiro de Dilma Rousseff era pago com dinheiro roubado da Petrobras, por meio de João Santana.
Na época, Janete publicou uma nota indignada, que reproduzimos aqui:
A escova da Janete
Brasil 21.04.17 08:52
João Santana pagava o cabeleireiro de Dilma Rousseff, Celso Kamura, com o dinheiro do departamento de propinas da Odebrecht.
Disso já se sabia.
Agora a coluna Radar, da Veja, revelou o valor: 10 mil reais por mês.

Um tucano legítimo
Brasil 21.04.17 08:33
De acordo com a Veja, José Serra, codinome Vizinho, disse Jorge Viana, codinome Menino da Floresta:
“Lula tem de ser candidato em 2018. Tem legitimidade”.
Dá para concordar com um ponto: Lula tem tanta legitimidade quanto José Serra.
Os futuros delatores
Brasil 21.04.17 08:15
Depois de Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro. Depois de Léo Pinheiro, Antonio Palocci. Depois de Antonio Palocci, Branislav Kontic.
Isso só vai parar quando toda a ORCRIM estiver na cadeia.
Leia o comentário de Eliane Cantanhêde, no Estadão:
"Léo Pinheiro é a pá de cal na defesa do ex-presidente Lula, mas a bola da vez é o seu ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que conseguiu a proeza de despencar não de um, mas de dois governos diferentes, e continuou aprontando das suas com uma desenvoltura tão surpreendente quanto seu inalterável ar de bom moço, até cair nas garras da Lava Jato e ser considerado hoje o futuro delator com potencial mais explosivo (…)."
Ainda há muito o que contar sobre Lula e os governos petistas, mas o grande terreno a ser desbravado não é do lado corrupto, mas do lado corruptor. O que se sabe do sistema financeiro na Lava Jato?
Depois de Léo Pinheiro, Antonio Palocci
Brasil 21.04.17 08:05
O petista Carlos Zarattini, codinome Guarulhos, acusado de ter recebido 5 milhões de reais do departamento de propinas da Odebrecht para aprovar as Medidas Provisórias 641, 670, 677 e 688, não está preocupado com o depoimento de Léo Pinheiro.
Ele disse a O Globo:
"Todo delator tem que seduzir o juiz e o Ministério Público, então fala o que querem ouvir. Por isso, ele (Léo Pinheiro) fala em destruir prova porque é crime obstruir a Justiça. Agora, é só a palavra dele".
Carlos Zarattini usa o mesmo argumento para desqualificar Antonio Palocci:
"Ele quer negociar uma delação, então fala aquelas coisas para agradar: o senhor está fazendo um grande trabalho pelo país".
O PT já se prepara para o acordo do Italiano.
A Executiva do PT em Curitiba
Brasil 21.04.17 08:01
O PT “pretende manter a tática do enfrentamento” contra a Lava Jato, segundo O Globo.
A reportagem diz que o partido “chegou até a marcar uma reunião de sua Executiva em Curitiba, no dia 3 de maio, dia do depoimento de Lula ao juiz Sergio Moro no processo sobre o triplex do Guarujá”.
Em defesa do Brahma
Brasil 21.04.17 07:21
O Antagonista está arrecadando fundos para erguer um monumento em homenagem a Cristiano Zanin, o advogado de Lula.
Seu empenho em mandar para a cadeia o comandante máximo da ORCRIM tem de ser reconhecido.
Merval Pereira, muito oportunamente, dedicou-lhe uma coluna em O Globo:
"Lula é o verdadeiro dono do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. E mandou o dirigente da empreiteira OAS, Léo Pinheiro destruir qualquer tipo de documento que evidenciasse o pagamento do tríplex pelo então tesoureiro do PT João Vaccari, que, segundo Pinheiro, foi feito com propina resultante de obras da Petrobras.
O segredo de Polichinelo chegou ao fim com os depoimentos do ex-presidente da empreiteira OAS, Léo Pinheiro e as delações dos executivos da Odebrecht. E Cristiano Zanin, o advogado do ex-presidente, ajudou a esclarecer as coisas com suas perguntas pretensamente ardilosas.
A certa altura, perguntou se Lula havia deixado algum objeto pessoal no tríplex, querendo provocar uma negativa que demonstraria que não seria o dono. Mas no sítio de Atibaia, há objetos pessoais de sobra para provar a propriedade. No Guarujá, não havia nada porque o tríplex estava em obras, esclareceu Léo Pinheiro.
Em outro momento, como o ex-executivo da OAS insistia que Lula era o proprietário do imóvel, o advogado perguntou: - O sr. entende que deu a propriedade do apartamento para o presidente?, indagou Cristiano Zanin. Léo Pinheiro foi enfático: 
- Eu não dei nada. O apartamento era do presidente Lula. Desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop, já foi me dito que era do presidente Lula e sua família, e que eu não comercializasse e tratasse aquilo como propriedade do presidente, afirmou.
Zanin ainda perguntou se Lula havia conversado com ele sobre o pagamento das obras, e Pinheiro foi didático: nunca conversou com Lula sobre o assunto, mas sim com João Vaccari, o tesoureiro do PT. E ele, depois de conversar com Lula, disse que o custo poderia ser descontado da conta do PT: 'Usei valores de pagamento de propinas para poder fazer encontro de contas. Em vez de pagar X, paguei X menos despesas que entraram no encontro de contas. Só isso. Houve apenas o não pagamento do que era devido de propina.'
O advogado de Lula tentou uma última cartada, que acabou comprometendo seu cliente mais ainda. Denunciou ao juiz Sérgio Moro um suposto crime de ação pública cometido pela empreiteira OAS, que relacionou entre seus ativos o tríplex do edifício Solaris. Segundo Zanin, se o apartamento é de Lula, a empreiteira cometeu um crime ao dizer-se dona do apartamento.
O juiz Sérgio Moro retrucou, dizendo que o advogado deveria perguntar a seu cliente (Lula): 'Ele diz que o apartamento não é dele...'."
O site que trabalha no feriado
Brasil 21.04.17 06:55
O Antagonista, em 15 de janeiro de 2016, publicou que a OAS havia comprado com dinheiro vivo as cozinhas de dois imóveis de Lula – a cobertura no Guarujá e o sítio em Atibaia.
As notas fiscais foram emitidas em nome de Fernando Bittar, o laranja que, segundo os delatores da Odebrecht, não tinha renda para pagar as reformas.
A reportagem de Claudio Dantas abriu uma nova frente para a Lava Jato, porque estabeleceu um elo definitivo entre Lula e as duas propriedades. Isso tudo culminou com o depoimento de Léo Pinheiro, ontem à tarde.
Vale a pena lembrar algumas passagens:
A BOLSA TRIPLEX
Brasil Quinta-feira, 20.04.17 19:45
Foram anexados aos autos da ação penal que investiga Lula pelo triplex do Guarujá cópias do projeto de reforma do imóvel, a relação de visitantes do apartamento 164A (desaparecida) e outros documentos, como um caderno com a ilustração "Edifício Bolsa Triplex".
Confira a íntegra dos documentos.

"DEPOIS IRIA SER ENCONTRADA UMA FORMA DE TRANSFERÊNCIA (DO TRIPLEX)"
Brasil 20.04.17 19:43
Léo Pinheiro relatou a Sérgio Moro a sua preocupação em transferir formalmente o triplex para Lula, porque a OAS não poderia ficar com o imóvel no nome da empresa.
No entanto, depois que a notícia sobre o apartamento havia saído no jornal, em 2010 (o furo é do Jornal Nacional), tanto João Vaccari e Paulo Okamotto afirmaram ao ex-presidente da OAS que isso seria resolvido mais tarde.
Diante do impasse, Léo Pinheiro dizia a seus diretores que "Depois iria ser encontrada uma forma de transferência (do triplex) para alguém que o presidente determinasse ou para família dele mesmo".
LÉO PINHEIRO TEM PROVAS
Brasil 20.04.17 19:19
Má notícia para Lula: Léo Pinheiro tem provas de tudo o que relatou a Sérgio Moro.

NO BLOG ALERTA TOTAL
Sexta-feira, 21 de abril de 2017
Palocci, Léo e Abel Zebu decretam: Vade Retro, $talinácio!
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Vale repetir a pergunta feira no artigo de ontem: Delação é traição? Quem não quer saber de fazer e responder a tal pergunta é Antônio Palocci Filho. Preso desde setembro pela Lava Jato, e sem vontade de passar a temporada de frio siberiano nos cárceres da República de Curitiba, o médico que cuidava da saúde de captação financeira do Partido dos Trabalhadores assumiu um compromisso público com o titular da temida 13ª Vara Federal na capital paranaense - onde Luiz Inácio Lula da Silva sentará no próximo dia 3 de maio, com grandes chances de terminar preso de forma provisória, preventiva, ou por desacato ao Judiciário que já ousou obstruir nos fins do desgoverno Dilma.
Palocci cometeu sincericídio: “Fico à sua disposição hoje e em outros momentos, porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição o dia que o Sr. quiser. Se o Sr. estiver com a agenda muito ocupada, a pessoa que o Sr. determinar, eu imediatamente apresento todos esses fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser certamente do interesse da Lava Jato. Acredito que posso dar um caminho, que talvez vá dar um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil.”
Depois desse compromisso público de Palocci ninguém mais duvida que ele fará a “delação das delações”. A promessa de inconfidência de Palocci (o consultor que sabe demais) foi um grande presente ao Brasil que precisa ser passado a limpo quando fazemos mais uma homenagem a Tiradentes. Na História, Palocci ficará conhecido como o “traidor da Petelândia”. Talvez só perca para Judas. Mas vai disputar, pau a pau, como o menos famoso Joaquim Silvério dos Reis – que entregou à Coroa Portuguesa os inconfidentes mineiros.
Palocci também vai disputar o título de super-traidor com Léo Pinheiro, amigão de Lula, que foi presidente da empreiteira baiana OAS (sigla que poderia receber a livre tradução de “Obrigado, Amigo $talinácio”. Pinheiro dedurou a Sérgio Moro que Lula chegou a lhe pedir para destruir provas sobre a real propriedade do famoso triplex do Guarujá. O delator premiado também deixou claro que o apartamento era destinado à Família Lula da Silva. Moro agora quer interrogar Lula para confirmar se será válida uma delação premiada negociada por Léo Pinheiro – que também garante que Lula é o dono real do famoso Sítio de Atibaia.
A temperatura no governo brasileiro vai subir bem acima da verificada no inferno, e não vai ser com a ajuda da Petrobras que subiu o preço dos combustíveis em pleno feriadão. Os deuses do mercado já estão ultra tensos, por Palocci sinalizar que vai dedurar gente poderosa do sistema financeiro. O temor com aumento de instabilidade por influência negativa da politicagem sobre a economia fica ainda mais forte, depois que o ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pediu ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que se manifeste sobre a possibilidade jurídica de apurar crimes supostamente cometidos por Michel Temer.
O STF foi provocado por uma ação (agravo regimental) do PSOL. O partido argumenta que isentar o Presidente da República de investigação “causa gravíssimo prejuízo ao Direito de ver devidamente apurada a existência de infração penal”. O próprio Supremo já reconheceu que, de acordo com a jurisprudência do Tribunal, “não existe qualquer óbice constitucional para que uma investigação seja conduzida em desfavor do chefe do executivo”.
“Lava Jacta est”... Fazendo a tradução Tabajara da famosa frase latina corrompida pelo bom humor: “O azar dos políticos corruptos está lançado”. Também aceita-se outra versão: “A sorte dos corruptos está laçada”. Não há ironia histórica melhor que lembrar que hoje é dia de celebrar Tiradentes – aquele que, por quase nada, sem ser corrupto, foi parar na forca, sendo depois esquartejado para exibição pública...
Delação é danação... Abel Zebu, demônio caricato e corrupto que a Rede Globo escalou para encenar a super-série “Vade Retro”, vai morrer de tanto rir, depois de comer um churrasquinho envenenado com carne de gato falsificada, de alguma marca sem nome. Uma coisa é certa: se depender do diabo, o Capimunismo tupiniquim está com os dias contados...
Afinal, o cramulhão não admite concorrência desleal dos corruptos políticos, empresários e malfeitores públicos de Bruzundanga...
(...)

PRIMEIRA EDIÇÃO DE 21-4-2017 DO 'DA MÍDIA SEM MORDAÇA'

NA COLUNA DO CLÁUDIO HUMBERTO
SEXTA-FEIRA, 21 DE ABRIL DE 2017
Marcelo Odebrecht confirmou em delação que o PT pediu à empreiteira doações às campanhas eleitorais de candidatos “de esquerda” em países latino-americanos, alinhados com Lula e Dilma sob o ponto de vista ideológico. Pagamentos de mais de R$ 5 milhões foram feitos à campanha de Maurício Funes, em El Salvador, em 2008. A Odebrecht também bancou a campanha do peruano Ollanta Humala, em 2010.
No 2º Termo de Compromisso de delação, Marcelo diz que os pedidos de ajuda a Mauricio Funes e Ollanta Humala foram avalizados por Lula.
A mulher de Maurício Funes era Vanda Pignato, brasileira e petista desde os anos 1980. Ele acabaria alvo de denúncias em El Salvador.
Tanto o Peru quanto El Salvador embargaram obras da Odebrecht nos países e agora investigam corrupção da empreiteira em seus governos.
Marcelo Odebrecht descreveu como “Conta Corrente” na empreiteira a relação financeira entre o PT e a Odebrecht desde 2008.
O enfraquecido ministro Osmar Serraglio (Justiça) cedeu ao PMDB e nomeou o ex-deputado Edinho Bez secretário de Assuntos Legislativos do ministério, rebaixando o antigo titular, Marcelo Varela, a “assessor especial”. Foi a vez da pressão do PSDB, que fez Serraglio assinar portaria dando a Varela mais poder que Bez, na área legislativa. Varela e o secretário-executivo do ministério, José Levi do Amaral, são da turma de tucanos ligados ao ex-ministro Alexandre de Moraes.
Com a manobra da portaria nº 307/17, o PMDB perdeu mais uma para o PSDB, na queda de braço pelo poder no Ministério da Justiça (MJ).
Assessor mandar mais que secretário é inédito na história do MJ. Assim como secretário-executivo mandar mais que o atual ministro.
Servidor experiente ironiza o papel do ministro da Justiça: “Serraglio está na suíte presidencial, mas o dono do hotel é José Levi do Amaral”.
O oferecimento de delação de Antônio Palocci gerou pânico no lulismo. Afinal, como coordenador (na captação de dinheiro) da primeira campanha presidencial, e no governo, como ministro da Fazenda, ele é fiel depositário dos segredos mais chocantes da ascensão de Lula.
Preso há sete meses, o ex-ministro Antonio Palocci demonstrou que está mesmo cansado. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro foi claro: as provas da delação estão à disposição “o dia que o senhor quiser”.
O ex-governador do DF Agnelo Queiroz (PT) planeja disputar mandato de deputado federal, em 2018. Como o caso somente será julgado em cinco anos, nessa ocasião ele quer ter prerrogativas de deputado.
Só para secretárias de seus diretores e presidente, a Ancine destina 91 vagas terceirizadas e há ainda 18 motoristas. O número é superior às destinadas aos profissionais de tecnologia da informação da agência.
Após a relevante decisão sobre o título de campeão brasileiro de 1987, logo o Supremo Tribunal Federal estará julgando recursos de escolas de samba derrotadas no desfile de Carnaval da Marquês de Sapucaí.
Ao desembarcarem em Maceió, ontem, o senador Renan Calheiros e o ministro Maurício Quintella (Transportes) escapuliram por uma escada lateral do finger (ponte de embarque), para aguardar na pista carros que os livrassem de protesto que os aguardava no desembarque.
A imprensa brasileira parou ontem para noticiar o atentado que tirou a vida de um policial francês, em Paris. No Brasil, apenas no DF, desde janeiro de 2016 foram mortos 14 policiais militares; um morto em 2017. No Rio morreram 52 PMs e em São Paulo morreram 94, só este ano.
O senador Helio José (PMDB-DF) não parece muito preocupado com o flagrante da TV Senado de sua prótese escapulindo entre os lábios, enquanto discursava. “Foi recorde de exposição nas redes sociais...”
... as coisas melhoraram. Na época de Tiradentes a oposição recebia tratamento bem diferente.

NO DIÁRIO DO PODER
CORRUPÇÃO
EX-PRESIDENTE DA OAS AFIRMA QUE 'BRAHMA ' É O CODINOME DE LULA
EMPREITEIRO DA OAS NÃO DEIXA DÚVIDAS: TRÍPLEX É MESMO DE LULA
Publicado: quinta-feira, 20 de abril de 2017 às 22:11
Redação
Léo Pinheiro também confirmou que o apartamento tríplex na praia do Guarujá, em São Paulo, pertence mesmo ao ex-presidente, relatando inclusive que acompanhou visitas ao imóvel, de Lula e de sua mulher, acompanhada por um dos filhos, até para inspecionar a reforma que eles haviam encomendado. O ex-presidente da OAS disse haver tratado com Lula sobre a reforma.
Durante o interrogatório a que foi submetido nesta quinta-feira, 20, o empreiteiro foi questionado por Moro sobre uma mensagem que apontava a expressão "Brahma". "Essa expressão se referia ao ex-presidente Lula, por causa de uma propaganda que existia que a Brahma é a número 1", afirmou.
A investigação da Lava Jato interceptou mensagens trocadas pelo executivo da OAS. Numa das conversas entre Léo Pinheiro e um executivo da empreiteira eles dizem que "Brahma poderia fazer uma palestra no dia 26/11" sobre o tema Brasil/Chile. Na mesma data, a agenda de Lula marcava um evento em Santiago, no Chile.
Léo Pinheiro foi interrogado em ação penal sobre supostas propinas a Lula. A denúncia do Ministério Público Federal, no Paraná, sustenta que o petista recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio - de um valor de R$ 87 milhões de corrupção - da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012.
As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio de um triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, de 2011 a 2016.

O PAÍS PASSADO A LIMPO?
Por Carlos Chagas
Sexta-feira, 21-4-2017
A ebulição permanente das delações dos funcionários da Odebrecht vem ofuscando a decisão a ser adotada pelo Tribunal Superior Eleitoral diante da possibilidade de cassação da chapa Dilma-Temer, em 2014. Porque está de pé a hipótese da cassação dos vitoriosos daquele ano nas eleições presidenciais. Seria uma desarrumação completa do cenário político nacional. Dilma Rousseff já foi alvejada com o impeachment, mas Michel Temer ocupa a presidência da República. Se vier a ser cassado, não terá outra alternativa senão deixar o palácio do Planalto, ainda que possa recorrer da sentença ao Supremo Tribunal Federal. Discute-se se esse recurso terá ou não efeito suspensivo, quer dizer, o atual presidente recorrerá no exercício de suas prerrogativas ou manterá o cargo até a decisão da mais alta corte nacional de justiça. De qualquer forma, seu equilíbrio ficará instável.
No atual período de crise política, será péssimo para as instituições já combalidas.
Diante de sua cassação, Michel Temer já declarou que disposições de Judiciário não se discutem. Cumprem-se. Nesse caso, quem ocuparia seu lugar, na ausência de um vice-presidente?
Assumiria o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Até quando? Pela lógica, até que o Congresso elegesse um sucessor para terminar o atual mandato, até 31 de dezembro de 2018. Seria o quarto personagem a ocupar a chefia do governo, imaginando-se vantagem para Rodrigo Maia, mas certeza, ninguém tem. Deputados e senadores disporiam da prerrogativa de indicar quem quisessem.
Por tudo isso, admite-se que o bom senso venha a prevalecer, ou seja, que o Tribunal Superior Eleitoral não sacrifique uma chapa já desgastada, preservando Michel Temer. Só que garantir, ninguém pode.
Registra-se uma outra opção: que diante do sacrifício de Temer, o Congresso aprove emenda constitucional estabelecendo eleições gerais no país, logo depois da cassação da dupla Dilma-Temer. Até mesmo com mandatos de quatro ou cinco anos para o novo presidente, deputados, senadores e, de tabela, porque não governadores e parlamentares estaduais. Uma limpeza geral, forma de o país as instituições serem passados a limpo. A rodada encontra-se em aberto. Quem quiser que arrisque um palpite.

NA VEJA.COM
Tríplex, destruição de provas e propina: o que disse Léo Pinheiro
Saiba o que de mais importante o empreiteiro Léo Pinheiro contou ao juiz Sergio Moro ao ser interrogado na tarde desta quinta-feira
Por Da Redação
Quinta-feira, 20 abr 2017, 21h21 - Atualizado em 20 abr 2017, 22h11
O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, condenado pelo juiz Sergio Moro na Operação Lava-Jato, escancarou pela primeira vez a troca de favores, o pagamento de benesses e os detalhes da conta clandestina que abastecia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O depoimento desta quinta-feira complica ainda mais a vida do petista e faz crescer as apostas sobre a possibilidade de prisão de Lula, atualmente réu em cinco processos da Operação Lava-Jato.
Confira abaixo os principais pontos do interrogatório do empreiteiro, conduzido pelo juiz Sergio Moro:
“O apartamento era do Lula”
Léo Pinheiro confirmou aquilo que o ex-presidente sempre tentou negar: o petista é, sim, dono do tríplex no Guarujá (SP). “O apartamento era do presidente Lula desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop [cooperativa habitacional dos bancários]. Já foi me dito que era do presidente Lula e de sua família. Que eu não comercializasse”
Reforma do tríplex foi abatida de conta da propina do PT
O executivo revelou a existência de uma conta mantida entre o partido e a empreiteira: “O Vaccari me retornou, dizendo que estava tudo ok, que poderíamos adotar o sistema de encontro de contas entre créditos e débitos que nós tínhamos com ele (…) no tríplex, no sítio e nos outros empreendimentos. A soma total disso me parece que era em torno de 15 milhões de reais”, disse Léo Pinheiro.
Dinheiro saiu de desvios na Petrobras
Léo Pinheiro afirmou que os gastos da OAS com o tríplex do Guarujá saíram de uma “contabilidade informal” da empreiteira – e que as despesas eram abatidas dos saldos de propina da Petrobras que o PT mantinha junto à OAS. “(Havia) uma contabilidade informal no que diz respeito a despesas efetuadas no tríplex que eram lançadas no empreendimento Solaris (o condomínio onde está o apartamento reservado para Lula) e, na verdade, essas despesas eram parte do encontro de contas de pagamento de propina na Petrobras”, disse Pinheiro.
Lula pediu para destruir provas que pudessem incriminá-lo
Ao juiz Sergio Moro, o empreiteiro relatou um diálogo que manteve com o ex-presidente Lula já no curso das investigações da Lava-Jato. Preocupado, o petista quis saber se havia registros de algum “encontro de contas” entre ele e João Vaccari, ex-tesoureiro do PT. E foi enfático: “ Se tiver, destrua”.
DOIS ANOS – VEJA revelou em abril de 2015 os favores de Léo Pinheiro para Lula no Sítio de Atibaia (VEJA/VEJA)
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Lula e Dona Marisa comandaram reforma do tríplex
Segundo o empreiteiro, mudanças no projeto original do tríplex foram feitas por ordem do ex-presidente Lula e da ex-primeira-dama Marisa Letícia. Léo Pinheiro descreveu encontros com o casal – o último foi no apartamento de Lula, no ABC Paulista. “O presidente e a dona Marisa estiveram no tríplex em fevereiro de 2014, pouco tempo depois eu fui ao sítio [de Atibaia, também alvo da Lava-Jato por ter sido reformado pelas empreiteiras]. Me encontrei com ele e ele já estava no sítio. A aprovação [do projeto] foi posterior. Eu me encontrei com ele e me parece que foi no apartamento do presidente em São Bernardo do Campo”, disse Léo Pinheiro. “Todas as modificações ocorreram. A solicitação (se deu) no dia que eu fui com o presidente e a ex-primeira-dama no tríplex. Isso foi fruto da nossa visita.” Ele conta que, feitas as alterações no projeto, dona Marisa ainda pediu uma outra modificação: que a sauna fosse convertida em um depósito.
O “Brahma”
“A explicação que me foi dada na época é que já estava acordado entre o João Vaccari e o presidente que ele (Lula) ficaria com o tríplex’, disse Léo Pinheiro. Ele disse mais: “A orientação que foi dada nesse caso do tríplex, as despesas eram lançadas no empreendimento Solaris. Mas tinha que ter um centro de custo, por isso o nome Zeca Pagodinho, que se refere ao apelido que se tinha do presidente que a gente tem nas mensagens, de Brahma. Então, o Zeca Pagodinho fazia a propaganda da Brahma. Sítio é o sítio de Atibaia. Praia é o apartamento do Guarujá”.
OAS foi instada a assumir obras de prédio no Guarujá
“Quando ele [João Vaccari] me mostrou os dois prédios do Guarujá, eu fiz uma ressalva a ele que a empresa só atuaria em grandes capitais. Os nossos alvos eram Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Porto Alegre. Falei que não tinha interesse. Ele me disse: ‘Aqui temos uma coisa diferente. Existe um empreendimento que pertence à família do presidente Lula. Diante do seu relacionamento com o presidente, o relacionamento da empresa, nós estamos lhe convidando para participar disso e por causa do grau de confiança que nós depositamos na sua empresa e na sua pessoa.”
Braço-direito de Lula pediu favor milionário
Foi Paulo Okamotto, segundo Léo Pinheiro, quem pediu que fosse contratada a empresa Granero para guardar o acervo presidencial que Lula levou de Brasília para São Paulo quando deixou o Palácio do Planalto. Okamotto, braço-direito de Lula há décadas, é hoje o presidente do instituto mantido pelo ex-presidente. Só com esse favor a Lula, Léo Pinheiro gastou 1,2 milhão de reais – valor que o empreiteiro disse ter tirado do próprio bolso.
A tentativa da defesa de Lula de desqualificar o ex-amigo empreiteiro
Se até pouco tempo Lula e Pinheiro eram diletos amigos, agora a relação azedou de vez. No interrogatório do empreiteiro, os advogados do ex-presidente partiram para o ataque contra o ex-amigo do petista. Um dos defensores de Lula, Cristiano Zanin Martins quis saber de Pinheiro por que ele está contando só agora o que nunca falou em outros depoimentos prestados à Lava-Jato. A estratégia era clara: insinuar que o empreiteiro só resolveu acusar Lula agora porque recebeu a promessa do Ministério Público de ter a pena reduzida – Pinheiro admitiu que está negociando um acordo de delação premiada com os investigadores. O ex-presidente da OAS reagiu: disse que não está mudando versão e que, nos depoimentos anteriores, apenas optou por ficar em silêncio. “Eu não respondi, eu fiquei em silêncio.”
Mais um embate com Moro
Ante a insistência dos advogados de Lula para que Léo Pinheiro admitisse que resolveu falar em troca da redução de pena, Moro interferiu. Disse que, em um interrogatório anterior, Léo Pinheiro foi indagado sobre outros temas – e que nunca havia sido perguntado sobre o tríplex. “Ele está fazendo agora uma afirmação que não fez (antes)”, queixou-se Cristiano Zanin. “Acho que o senhor não leu então o interrogatório (anterior) dele”, rebateu o juiz. Cristiano Zanin reagiu: “A afirmação de vossa excelência não me parece compatível com a educação que deve zelar, ou que deve ser mantida, entre aqueles que estão participando de uma audiência”. Qual é a contradição desse depoimento (anterior) com o que ele está prestando agora?”, insistiu o magistrado. O advogado, mais uma vez, estrilou. “O senhor vai me interrogar agora?”, perguntou. “Acho que o doutor está equivocado”, afirmou Moro, encerrando o embate.

‘Eu me prontifico a falar sobre tudo’, diz Palocci a Moro
Ex-ministro dos governos Lula e Dilma prestou depoimento de cerca de duas horas ao juiz Sergio Moro
Por Eduardo Gonçalves
Quinta-feira, 20 abr 2017, 16h17 - Atualizado em 20 abr 2017, 18h25
Ao encerrar o seu depoimento, de cerca de duas horas, perante o juiz Sergio Moro, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma Antonio Palocci “pediu licença” para dizer que está à disposição da Justiça para “falar sobre tudo”. Mais especificamente, afirmou que pode entregar fatos, “com nomes, endereços e operações de interesse da Lava Jato”.
“Fico à sua disposição. Todos os nomes que optei por não falar aqui por sensibilidade da informação estão à sua disposição para o dia que o senhor quiser. E se o senhor estiver com agenda muito ocupada e determinar uma pessoa, eu imediatamente apresento todos esses fatos, com nome, endereço, operações realizadas e coisas que certamente vão ser do interesse da Lava Jato, que realiza uma investigação de importância”, afirmou o petista, acrescentando que as informações podem abrir um “caminho” que pode render mais um ano de trabalho a Moro. “Mas um trabalho que faz bem ao Brasil”, completou.
A declaração do homem forte dos governos petistas acontece num momento em que crescem os rumores de que ele esteja negociando um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Durante o interrogatório, ele deu sinais do que pretende contar aos investigadores. Citou, por exemplo, uma “grande personalidade do meio financeiro” que lhe procurou para falar sobre recursos de campanha em nome de “uma autoridade do primeiro escalão do governo”. Ele ressalvou, no entanto, que não poderia revelar os nomes por estar em uma audiência pública. “Mas, em sigilo, eu lhe falo a hora que o senhor quiser”, disse a Moro.
Também deu a entender que tem conhecimento de irregularidades praticadas em outros setores da economia que não o petroquímico, como o de comunicação, frigoríficos e da construção civil. Ele ainda ironizou a percepção geral de que “todos os governos, [inclusive o do qual ele integrou], trabalharam só em função da Odebrecht”.
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Palocci está preso em Curitiba desde setembro de 2016, quando foi alvo da 35ª fase da Lava Jato, a Omertà. Ele é acusado formalmente de corrupção e lavagem de dinheiro por ter, segundo a procuradoria, atuado em favor da Odebrecht nas tratativas da Medida Provisoria 460, na operação de navios-sondas da Petrobras e na liberação de financiamento do BNDES em obras em Angola em troca de propinas pagas ao PT.
Apesar de se mostrar disposto a revelar novos casos, Palocci foi enfático em negar todos os atos ilícitos pelos quais é acusado. Explicou que era comum os empresários o procurarem para fazer doações ao partido, mas que os orientava a entrar em contato com os tesoureiros. Ele apenas “reforçava” alguns pedidos junto ao empresariado se houvesse emergência de pagamentos, conforme o depoimento. “Nunca pedi recursos para empresas enquanto ministro. Nunca pedi recursos para sondas. Nunca pedi recursos fora do Brasil. E nunca pedi ou operei caixa dois”, afirmou.
Palocci enfatizou a Moro que não seria hipócrita de dizer que não houve pagamento de caixa dois nas campanhas petistas, mesmo que as contas tivessem sido aprovadas pelos tribunais eleitorais — justificativa dada pela maioria dos políticos suspeitos do delito. “É preciso dizer a verdade. O senhor sabe que nas campanhas do Brasil existia o pagamento não contabilizado de forma generalizada. Não vou ser hipócrita de dizer que nunca vi, que não sabia”, disse. Moro, então, lhe perguntou se isso incluía o PT. “Eu digo de todos o partidos. Essa é uma situação mais do que óbvia e conhecida por todos”, respondeu ele.
No depoimento, o ex-ministro também tentou convencer o juiz de que não é o “Italiano” nem o “Itália”, codinomes que aparecem nas planilhas de contabilidade da Odebrecht associados a valores. “Ninguém me chamava assim. Italiano pode ser eu como 40 milhões de brasileiros”, ironizou.
Sobre o seu relacionamento com a Odebrecht, ele confirmou que manteve contato estreito com a empreiteira desde o fim da década de 90, quando foi prefeito de Ribeirão Preto. “Eles tinham muito interesse em conhecer o PT”, disse. Segundo ele, os seus principais interlocutores na empresa eram Emílio e Marcelo Odebrecht (pai e filho), pontuando o estilo diferente de cada um no comando da holding. “Enquanto, com Emílio, tínhamos uma empresa que discutia cenários amplos, de Brasil e mundo a longo prazo, o Marcelo era um guerrilheiro das causas da empresa, olhava projeto por projeto. Se em três reuniões com o seu Emílio, não se tratava de um assunto sequer da empresa; com o Marcelo, em dez minutos se tratava de cinco ou seis temas de interesse da companhia”, relatou.
Palocci foi ministro-chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff (2011), ministro da Fazenda da gestão Lula (2003 a 2006), e deputado federal por dois mandatos.

NO BLOG DO JOSIAS
Destruir provas dá cadeia. Moro prenderá Lula?
Josias de Souza
Sexta-feira, 21/04/2017 04:44
Em depoimento devastador, Léo Pinheiro confirmou velhas suspeitas e atravessou no caminho de Lula uma acusação nova. O ex-presidente da OAS disse a Sergio Moro que Lula lhe pediu para destruir provas das propinas que pagou ao PT por intermédio do então tesoureiro João Vaccari. Pela lei, isso dá cadeia. Que o diga Marcelo Odebrecht. A pergunta do momento é: o juiz da Lava Jato terá disposição para colocar Lula preventivamente atrás das grades antes de uma condenação confirmada na segunda instância do Judiciário?
De toda a turma do canteiro de obras, lugar de movimentos pesados e muita lama, Léo Pinheiro era o que tinha mais intimidade com Lula. Gostavam de jogar conversa fora juntos. Num dos encontros, contou o empreiteiro a Moro, Lula “textualmente me fez a seguinte pergunta: 'Léo, o senhor fez algum pagamento a João Vaccari no exterior?'. Eu disse: ‘Não, presidente, nunca fiz pagamento a essas contas que nós temos com Vaccari no exterior’.”
Segundo Léo, Lula engatou outra pergunta: “Como você está procedendo os pagamentos para o PT?”. E ele: “Através do João Vaccari. Estou fazendo os pagamentos através de orientações do Vaccari, de caixa dois, de doações diversas que nós fizemos a diretórios e tal.” Sobreveio, então, a ordem do morubixaba do PT: “Você tem algum registro de algum encontro de contas feitas com João Vaccari…? Se tiver, destrua”.
Prevista no terceiro capítulo do Código de Processo Penal, a prisão preventiva pode ser decretada em qualquer fase do processo — durante o inquérito policial ou no curso da ação penal. Diz o artigo 312: “A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.”
No caso específico, a prisão de Lula se justificaria, em tese, “por conveniência da instrução criminal” e “para assegurar a aplicação da lei”. Um réu que encomenda a destruição de provas não está senão criando obstáculos para impedir que a lei se cumpra. Se quisesse, Moro poderia invocar o artigo 312 do Código de Processo Penal contra Lula, aprisionando-o por tempo indeterminado.
Entretanto, se estiver com os miolos no lugar, Moro perceberá que há um limite depois do qual o rigor deixa de ser uma virtude na rotina de um magistrado. No momento, é desnecessária e arriscada a detenção de Lula. É desnecessária porque, se há um esforço para atrapalhar a produção de provas, não está funcionando. É arriscada porque a ordem pode ser revogada por um tribunal superior mediante recurso. Melhor reunir as evidências e produzir uma sentença sólida.

Com Lula à beira do abismo, Palocci se apresenta para o papel de sabonete
Josias de Souza
Quinta-feira, 20/04/2017 21:02
Lula, Dilma e o PT afirmam que não praticaram nenhum crime. O que há é um complô de investigadores mal intencionados, mancomunados com juízes parciais, uma imprensa golpista e quase oito dezenas de delatores vagabundos que não hesitam em inventar mentiras. Pois bem. Surgiu uma novidade nesse enredo: Antonio Palocci, petista de quatro costados, sinalizou a Sergio Moro o desejo de delatar.
Até aqui, o petismo só foi delatado por terceiros. Enquanto Lula e Dilma fazem barulho em liberdade, petistas como José Dirceu e João Vaccari guardam obsequioso silêncio atrás das grades. Preso e cercado pelos investigadores, Palocci parece não dispor da mesma capacidade de resistência. Ofereceu a Sérgio Moro “nomes, endereços e operações”. Coisa suficiente para ocupar a Lava Jato por mais um ano. Se forem incluídos no lance os empresários que o adularam e o poder petista nos últimos 13 anos, vai faltar mão-de-obra à investigação.
A situação é mais ou menos a seguinte: Lula, Dilma e o PT estão na beira do abismo. E Palocci se oferece à Lava Jato para fazer o papel de sabonete. Se contar tudo o que sabe, ficará difícil para os companheiros equilibrar-se na borda do precipício sem escorregar nas revelações de Palocci, ex-ministro de Lula e Dilma. Para essa dupla, desqualificar o neo-delator seria como cuspir no reflexo do espelho.