APUROS DE UM MORTO
Quando Apolinário Rezende acordou, além da morte, viu-se terrivelmente sacudido por estranha emoção. Ouvia a esposa, Dona Francina, a chamá-lo em gritos estertorosos. E qual se fosse transportado a casa por guindaste magnético, reconheceu-se, de chofre, diante dela, que se descabelava chorosa. - “Ingrato! Ingrato!” – era o que a viúva dizia em pensamento, embora apenas tartamudeasse interjeições lamentosas com a boca. Julgando no corpo de carne, Rezende, em vão, se fazia sentir. Gritava pela companheira. Pedia explicações. Esmurrava a mesa em que a senhora apoiava os cotovelos. Dona Francina, entretanto, procedia como quem lhe ignorava a presença. O infeliz, no primeiro instante, julgou-se dementado. Acreditava em pesadelo e queria retornar à vida comum, despertar... Beliscava-se inutilmente. Nisso, escutou o próprio nome no andar térreo. Despencou-se e encontrou Maria Iza, a copeira que se habitu...