A HORA DE CADA UM
O homem e sua hora Et in saecula saeculorum : mas Que século, este século – que ano Mais-que-bissexto, este – Ai, estações – Esta estação não é das chuvas, quando Os frutos se preparam, nem das secas, Quando os pomos preclaros se oferecem. (Nem podemos chamá-la primavera. Verão, outono, inverno, coisas que Profundamente, Herói, desconhecemos…) Esta é outra estação, quando um mês tomba, O décimo-terceiro, o Mais-que-Agosto, Como este dia é mais que sexta-feira E a Hora mais que sexta e roxa. Quando fui tirado da cama pela morte de Eduardo Campos, que tinha 49 anos, me vieram à mente estes versos do poeta Mário Faustino, o maior do século passado a juízo deste escriba, morto ele também num acidente aéreo, em Lima, aos 32 anos apenas. De Faustino, poder-se-ia dizer uma máxima sintetizada por outro poeta, Fernando Pessoa, herança da cultura grega: “Morre cedo o que os deuses amam”. Não sei se os deuses amavam Eduardo Campos, mas o fato é que teve uma tr...