A FRAUDE DO CRUZEIRO DO SUL
Da Home Brasil 247
Contabilidade criativa' do Cruzeiro do Sul é fraude
Intervenção do BC em banco de Índio da Costa detecta milhares de operações internas irregulares, com base em empréstimos consignados; fundos de R$ 4,2 bilhões devem ser liquidados; esquema lembra fraudes do Panamericano, de Silvio Santos; bancos pequenos e médios suspendem negócios com CDBs: dinheiro, para eles, está bem mais caro
247 – O que o mercado vinha chamando jocosamente de
'contabilidade criativa' agora já vai sendo nominado com uma palavra
mais precisa: fraude.
E o que a princípio se avaliou, entre as autoridades, como um fato
isolado, se mostra agora o foco inicial de um vírus que já contamina,
sem exceção, todos bancos pequenos e médios.
Patrocinada pela atuação irresponsável do 'bom vivant' Luiz Octavio
Índio da Costa, a quebra do Cruzeiro do Sul já se mostra um escândalo
financeiro de proporções bilionárias, executado à sombra de um sistema
que se orgulha de suas regras de segurança. Elas, entretanto, a exemplo
da recente quebra, igualmente por fraudes, do Banco Panamericano, se
mostraram frágeis e insuficientes para barrar manobras grosseiras
francamente ilegais.
Além de ter vendido, num movimento absolutamente suspeito, R$ 115
milhões de ações preferenciais do Cruzeiro do Sul às vésperas da
intervenção do BC (leia aqui),
o comando do banco vinha realizando milhares de pequenas operações que
já vão sendo entendidas pelos técnicos como fraude contábil. Elas
ocorriam na forma de empréstimos lastreados em créditos consignados
sobre os pagamentos de servidores públicos e aposentados do INSS. Sempre
abaixo de R$ 5 mil cada um, de forma a não serem detectados pelos
radares do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM),
esses empréstimos eram repassados a fundos administrados pelo próprio
Cruzeiro do Sul, que assim ficavam inflados. O modo de ação foi um tanto
diferente do ocorrido no Banco Panamericano, que pertencia ao
empresário Silvio Santos. Naquele caso, os créditos eram repassados a
outros bancos. A coincidência é o uso dos empréstimos consignados como
base para as manobras mirabolantes. Agora, os 'micos' circulavam
internamente à instituição, que os tornava rentáveis na base de golpes
de caneta em seus balanços. Uma consequência direta da descoberta,
agora, após a intervenção, dessas operações, é a iminente liquidação de
dois fundos de investimentos administrados pelo Cruzeiro do Sul: o BCSul
Verax Multicred Financeiro e o BCSul Verax Crédito Consignado II, com
carteiras estimadas, no total, em nada menos que R$ 4,223 bilhões.
O certo é que as descobertas do rombo gigantesco, inicialmente
estimado em R$ 1,3 bilhão, assustaram os investidores em CDBs de bancos
pequenos e médios. Os próprios bancos não estão oferecendo esses papéis,
que são remunerados de acordo com o custo de captação do dinheiro que
os próprios bancos tomam no mercado. A paralisação completa da compra e
venda de CDBs entre instituições pequenas e média, como informa
reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira 6, indica que
eles não estão conseguindo captar dinheiro no mercado a custo
competitivo para tornar a ser emprestado. Em outras palavras, iniciou-se
um processo de asfixia que pode levar mais instituições a terem
problemas de fluxo de caixa.
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