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MEDO E INDIGNAÇÃO EM CARACAS

Indignação e medo nas ruas de Caracas
Estações de metrô próximas ao protesto são fechadas
POR ELIANAH JORGE/ESPECIAL PARA O GLOBO
21/02/2015 7:00
CARACAS — Mitzy de Ledezma, esposa do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, inflamou-se ao falar da prisão do marido, opositor do governo venezuelano, na noite de quinta-feira (19):
— Se ontem havia gente na oposição, hoje há muito mais.
Foi através da rede obrigatória de rádio e TV feita pelo presidente Nicolás Maduro e pelas redes sociais que o país soube o que estava acontecendo.
— Maduro acha que prendendo opositores a situação vai melhorar. Toda vez que o governo está numa situação delicada, prende um opositor, como se isso fosse dar jeito no país — afirmou o segurança Carlos Henriques Alvis, que trabalha perto do local onde centenas de manifestantes se reuniram para pedir a liberdade de Ledezma, nas proximidades da Praza Brion, em Chacaíto, região leste de Caracas.
Integrantes da Guarda Nacional e da Polícia Nacional Bolivariana observavam de perto o protesto. As três estações do metrô nas proximidades da manifestação foram fechadas, sem que a empresa de transporte público informasse o motivo. O clima de intimidação cria medo na população.
No fim de janeiro, o governo aprovou uma resolução que autoriza militares a usarem armas de fogo na contenção de protestos. Muitas pessoas ficam preocupadas em ser detidas, e têm medo até de dar entrevistas.
— Todos estamos à mercê de sermos presos aqui, enquanto criminosos de verdade circulam tranquilamente por aí — criticou a estudante Rosalía García.
Além de Ledezma, estão presos no Helicoide cerca de seis estudantes e alguns tuiteiros que fizeram críticas ao governo.
— Cheguei atrasada no trabalho. E em Petare (a maior favela da América do Sul), onde moro, houve panelaço depois de noticiada a prisão de Ledezma. O que podemos esperar? — indaga a faxineira Claudia Graces.
Política de intimidação
De acordo com especialistas, as prisões são uma forma de o governo tentar ganhar votos para a eleição que se aproxima.
— Não é correto. Não entendo como estamos passando por esta situação de quase fome e o governo prefere prender opositores sem ter provas — indignou-se Kleini Restrepo, próxima à manifestação.
O clima é de preocupação tanto pela escassez, quanto pelo aumento da repressão. Quem votava em Hugo Chávez diverge da medida tomada por Maduro, como o mototaxista Jesús Masco:
— Com tudo isso que vem acontecendo, eu devo ir votar, embora não tenha costume. No ponto onde trabalho, meus colegas estão favoráveis à oposição.

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