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O PODER PÚBLICO HÁ MUITO TEMPO PERDEU A MORAL

Por Carlos Chagas
A quem prejudica mais essa baderna continuada atingindo em especial Rio e São Paulo, mas deixando o país inteiro intranquilo e indignado?
Os manifestantes “pacíficos” já preencheram sua quota junto à paciência nacional. Porque mesmo exercendo o direito constitucional do protesto, não dá para aceitar que um dia sim, outro também, ocupem a avenida Rio Branco ou a avenida Paulista, perturbando a vida de milhares de pessoas cujo objetivo maior é ir de casa para o trabalho e voltar sem perturbações. É total o grau de responsabilidade desses manifestantes que promovem a desordem sem apelar para a violência, quando se nota que nada fazem para impedir a infiltração dos vândalos mascarados e vestidos de preto. O máximo que fazem é sumir, depois que as depredações começam. Mas valem-se delas para demonstrar o empenho em continuar protestando. Tiram proveito. Assim, também são responsáveis os professores em greve, os amigos dos professores, os sem-teto, os que não receberam o auxílio-moradia, os que protestam contra o mau estado dos transportes coletivos e quantos mais?
O maior prejudicado, porém, é o cidadão comum, aquele que pode até solidarizar-se com os protestos, mas, quando se vê impedido em sua prerrogativa de ir e vir, passa a pensar duas vezes se não existiriam outros métodos de manifestação. Em especial quando assiste bandidos saqueando patrimônio público e privado, queimando ônibus e viaturas variadas e despertando a ação muitas vezes exagerada da polícia. Afinal, é ele quem aspira nuvens de gás lacrimogêneo, recebe pimenta no nariz, pedras e demais petardos quando procura refugiar-se.
A autoridade pública, em todos os níveis, sofre desgaste quase igual por carregar sua parcela de culpa. Afinal, garantir a ordem é tão importante quanto assegurar a liberdade de manifestação. Não basta conformar-se com o envio da polícia para conter os excessos e exageros depois deles iniciados. Seria necessário que prefeitos, governadores e presidente da República tomassem providências preventivas, de inteligência, além, é claro, de negociar com grevistas na maior parte das vezes carregados de razão. E bater firme nos bandidos. 
Manter a paz pública é dever das autoridades. Assim como aplicar rigidamente a lei. Não é possível assistir esse monte de animais depredando, assaltando, roubando e escarnecendo das instituições e verificar, logo depois, que ninguém foi preso e processado, mesmo muitos flagrados em plena violência. Fica pior quando se sabe que os poucos conduzidos às delegacias são logo em seguida liberados. Não há processos criminais contra eles, muito menos confinamento. Ficam livres para no dia seguinte repetirem a mesma barbárie.
Em suma, responsáveis há, pelo que vem se repetindo. Adianta pouco ou nada Dilma Rousseff continuar repetindo que democracia é assim mesmo, porque não é. Há limite para a omissão do poder público federal, como espaços mais estreitos ainda para os prefeitos Eduardo Paz e Fernando Haddad, ou para os governadores Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral. O jogo de empurra é praticado por todos. Deixar as coisas como estão assemelha-se a reconhecer a própria impotência.
A consequência é de que a população chegou ao limite. Dificilmente irá explodir e copiar a ação dos insatisfeitos, muito menos dos vândalos. Esses fenômenos, felizmente, só acontecem de forma bissexta. Existem outras formas de reação. Se tivermos sorte, por ocasião das eleições. Alguém já reparou no silêncio dos candidatos e pré-candidatos a outubro de 2014? 
O que imaginam fazer para restabelecer a ordem, por exemplo, Eduardo Campos e Marina Silva? E Aécio Neves, para não falar de Dilma e do Lula? Quanto aos pretendentes aos governos estaduais, pior ainda. Será que o voto dos descontentes de todos os matizes superam o voto de quem vive na insegurança? 

Da Tribuna da Imprensa de 10-10-2013.

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