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O GOVERNADOR AÉREO E O O SEU CÓDIGO DE ÉTICA

O governador aéreo encomendou um código de ética só para deixar claro que não respeita sequer as leis que inventa

“Quero assumir o compromisso de rever minha conduta”, prometeu renegerar-se o governador Sérgio Cabral ao emergir do silêncio de sete dias imposto pelo acidente que escancarou as relações mais que perigosas mantidas com empresários que prosperam no Rio de Janeiro. Além de sete mortes, a queda do helicóptero no sul da Bahia provocou escoriações generalizadas na imagem do governador que voa em jatos da frota de Eike Batista e festeja em resorts de cinema o aniversário do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, que administra 99 em cada 100 canteiros de obras públicas plantados no Rio.
O parágrafo acima abriu o post agora republicado na seção Vale Reprise (que precedeu a divulgação das farras parisienses da Turma do Guardanapo).  A releitura do texto grita que Cabral é irrecuperável. “Vamos construir um código juntos, vamos estabelecer os limites”, fez de conta há dois anos. “Tem um código nacional, se não me engano, feito no fim do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. E deve haver estados em que há. Adoro Direito comparado. Vamos ver o que há em outros lugares do Brasil e no mundo”.
A edição ampliada do Código de Conduta e Ética ocupou um bom espaço da edição de 14 de maio de 2012 do Diário Oficial do Estado. Segundo o artigo 17, “o agente público não poderá valer-se do cargo ou da função para auferir benefícios ou tratamento diferenciado, para si ou para outrem, em repartição pública ou entidade particular, nem utilizar em proveito próprio ou de terceiros os meios técnicos e recursos financeiros que lhe tenham sido postos à disposição em razão do cargo”.
Há dias, VEJA revelou ao Brasil que o mais caro helicóptero da frota a serviço do governo fluminense é o brinquedo preferido de Cabral, da primeira-dama Adriana, dos dois filhos e do cachorro Juquinha, que dispõem de duas babás em tempo integral. “Já aconteceu de tudo nessas aeronaves”, contou a VEJA um funcionário da administração estadual. “Uma vez, a babá veio de Mangaratiba para pegar uma roupa que dona Adriana tinha esquecido. Na outra, uma empregada veio fazer compras no mercado”.
A revelação de tais caprichos magoou o viajante incontrolável, que se considera “perseguido”. Quem o persegue é o código de ética que encomendou, conferiu, rubricou e assinou. Cariocas inconformados com o show de cinismo têm um motivo a mais para acampar diante do apartamento no Leblon: agora se sabe que Sérgio Cabral fez questão de baixar normas novas só para deixar claro que não respeita sequer as proibições que inventa.
Não há salvação para esse tipo fora-da-lei.

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