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UMAS E OUTRAS DO HELIO FERNANDES


O ex-presidente Lula, inesperadamente “iluminado”, deu entrevista e bradou: ‘A reforma partidária é indispensável, vou tentar fazê-la até pela Constituinte”.

Helio Fernandes
Escrevo há tanto tempo sobre um dos grandes problemas do Brasil, que é o excesso de partidos e a falta de representatividade. Se tivesse acesso ao prédio da Tribuna e ao seu notável arquivo, bastaria atualizar alguns dados. Já o ex-presidente poderia dizer exatamente o contrário.
Nunca se preocupou com o assunto, esteve 8 anos no Planalto com todos os Poderes e não fez coisa alguma. Jamais tratou dessa importantíssima providência de transformar um sistema negativo em positivo. Agora usa a palavra certa, INDISPENSÁVEL, num tempo completamente errado e até ultrapassado.
Luiz Inácio Lula da Silva, na entrevista, foi taxativo, autoritário, veemente. Só que esqueceu de qualquer explicação. Por que perdeu 8 anos, tratou de tanta coisa inútil e não deu um passo no caminho da solução ou da reforma partidária?
Por que o ex-presidente descobriu ou redescobriu a reforma partidária, logo quando só se fala em eleição? Estão todos em campanha, para 2014 ou 2018, presidencial ou estadual. Lula estará politicamente insatisfeito com o processo eleitoral, ou será o inverso, o atual processo eleitoral não serve aos seus objetivos políticos?
COMO AGIRÁ?
E A CONSTITUINTE?
Por que Lula não dá ordens ao seu partido, para que apoie imediatamente a Comissão Partidária que trata do assunto? Essa Comissão é presidida por Henrique Fontana, do próprio PT e das melhores figuras. E a base, por que não movimenta essa enorme coalizão de partidos, que apoiam o governo de Dona Dilma como apoiaram o seu?
Lógico, Lula sabe de “ciência certa” que ninguém quer mudar nada, nem mesmo o seu PT, que cumpre tudo o que ele manda, seja o que for.
Espertíssimo, Lula deixou claro: “Faremos a reforma partidária, até convocando uma Constituinte”. Não existe a menor dúvida sobre a impossibilidade de convocar e colocar em ação o que ele chamou de “Constituinte exclusiva”.
O Brasil já teve cinco Constituintes (1890, 1926, 1934, 1946, 1988), 36 anos de ditadura, dezenas e dezenas de atos institucionais, e jamais examinaram a questão da reforma partidária. Começamos com a exclusividade (o Partido Republicano, único de 1889 a 1930) até hoje, com 29 partidos. Tão inexpressivos e sem representatividade, apesar de preencherem (preencherem?) 39 ministérios. Quem quer mudar esse regime?
A CONSTITUINTE
DE 1926
Deputados e senadores, eleitos em 1922, fizeram a convocação. Podem dizer, “foi para 4 anos depois, como saberiam que seriam beneficiados?”. A média de reeleição na época era de 70%. O que aconteceu: legislaram em causa própria. Só que, se a prepotência fosse repetida agora, para valer em 2014, não teria mais o menor interesse para o ex-presidente.
GEORGE BUSH E GEORGE W. BUSH,
NADA A VER, A NAO SER A
MEDIOCRIDADE E O PARENTESCO
Citei apenas o pai, George Bush, presidente dos Estados Unidos por 4 anos, de 1996 a 2000, quando foi derrotado por Bill Clinton, que ficou os 8 anos permitidos pela Emenda 24, de 1952.
O primeiro a ser atingido por essa emenda foi o general Eisenhower. Eleito em 1952, ficou até 1960, quando esperava passar o cargo ao vice e amigo, Richard Nixo. Este foi derrotado, seria eleito em 1968, teve que renunciar em 1974 (Mas isso já é outra história).
Eleito em 1996, o pai teve carreira politicamente mais movimentada do que o filho. Assim que tomou posse, sua primeira atuação: mobilizou o Exército, invadiu o Panamá, prendeu seu presidente, levando para os EUA e condenado a 40 anos de prisão.
Motivo: Bush pai foi diretor-geral da CIA, e seu “braço direito” (vá lá) era o depois presidente da Panamá, que sabia muito, não podia ficar em liberdade.
Bush pai foi vice de Reagan. Quando sofreu atentado, muito mais grave do que divulgaram, tinha que se submeter a cirurgia importante.
Reagan e Bush conversavam com os médicos, chegou o Procurador-Geral da República, comunicou: “Presidente, o senhor tem que passar o cargo ao
Vice, por causa dos documentos secretos”. Pergunta de Bush aos médicos: “Posso operar com anestesia local?”. Pediram meia hora, voltaram, responderam: “Pode”. Ninguém confiava em Bush, pai ou filho.

Da Tribuna da Imprensa de 03-4-2013

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