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Não foram ateus os homens que fundaram as universidades, guardaram o conhecimento do mundo antigo, patrocinaram as artes, a música, a ciência e criaram as instituições da Europa.

É muito comum escutar, na voz de alguns militantes liberais e socialistas, o argumento de que o aborto seria legítimo porque foi legalizado nos países desenvolvidos ou “civilizados”. Na ótica destes grupos, os chamados “países subdesenvolvidos”, influenciados por uma moralidade religiosa cristã, proíbem o aborto por guardar uma espécie de atraso civilizacional. Não precisa ser um gênio para perceber o sofisma grotesco desse raciocínio: a legitimidade de uma ação não está na riqueza e na prosperidade de um país, mas tão somente no que ela implica moralmente e no que ela transgride. O fato de alguns países democráticos aprovarem o aborto não é sinal de civilidade. É evidência fatal de que a democracia pode se adaptar perfeitamente à barbárie moral.
Esse argumento ainda tem uma estranha curiosidade: ele parte dos sentimentos de inferioridade de quem o defende. A lógica é turva: o mero fato de um país ser rico, já legitima todas as suas ações. Não importa que tais práticas sejam abomináveis do ponto de vista ético e moral. Na cabeça do militante “progressista”, tudo que os países ricos fazem de ruim é um imperativo categórico, acima de qualquer princípio moral.  
A eugenia também foi moda em países democráticos e civilizados. Ou melhor, continua sendo. Eliminar os fracos, os “inferiores”, os que não representam a perfeição do “homem novo” idealizada pelos lunáticos de plantão, foi política oficial dos EUA e de alguns países da Europa, no começo do século XX. Até no Brasil a mania chegou, ainda que de forma amenizada. E o que dizer então da Alemanha? País dos filósofos, dos grandes gênios da música, dos grandes literatos e artistas. E, no entanto, esse mesmo país considerado civilizado foi o berço de um movimento político e de ideologia bizarra e monstruosa, que arruinou toda a Europa. Acaso seria chique ser nazista nos anos 30, quando os alemães demonstravam a terrível eficiência de seu regime totalitário? A resposta é sim. Eu não duvido que o programa de eugenia adotado pelo Partido Nazista em 1939 seria perfeitamente defensável por muitos de nossos liberais e socialistas. Não era, afinal, um país “civilizado”?
Mas os argumentos não terminam por aí. Para atacar a religião e as tradições cristãs do povo, os ateus e materialistas apelam ao fato de que os países mais ricos são também os que possuem a maior porcentagem de ateus. E com base nisso, induzem a uma falsa analogia entre riqueza e secularismo. Mas nenhum ateu criou essa cultura e essa civilização. Os portugueses que singraram os mares com suas naus no século XV e criaram um sistema comercial em escala mundial, eram ateus? Os banqueiros italianos de Florença e demais cidades italianas, que financiaram os empreendimentos marítimos, eram ateus? Os burgueses da Holanda do século XVII, que investiram em associações comerciais, eram ateus? Os industriais ingleses do século XVIII, que financiaram a revolução industrial, eram ateus? A resposta é não. Como não foram ateus os homens que fundaram as universidades, guardaram o conhecimento do mundo antigo, patrocinaram as artes, a música, a ciência e criaram as instituições da Europa. Se a ideologia atéia propôs, algum dia, uma civilização, o máximo que se pode recordar é da União Soviética e demais países socialistas, onde o ateísmo era oficial, junto com a onipotência do Estado. Sem Deus, tudo é permitido.
Então por que seguir os modelos dos países ditos desenvolvidos ou “civilizados”, se estes representam a decadência e a destruição da própria civilização? Alguém por acaso vai apoiar a pedofilia e o homicídio, porque a Holanda aceitou a legalização de um partido pedófilo e permite que médicos matem aleatoriamente velhinhos? Alguém aceitará a prisão de quem dá palmada nos filhos, porque na Suécia, o Estado já criminaliza os pais severos? Alguém aceitará a agenda homossexual, porque em alguns estados norte-americanos, a ideologia gay já é usada para doutrinar crianças? Ou será que iremos abandonar a nossa identidade pacífica de nação mestiça para adotar as políticas nazifascistas e segregacionistas do movimento negro, imitando os cânones do “separados, mas iguais” da sociedade norte-americana? Ou então viver no patrulhamento politicamente correto e neurótico, que fiscaliza palavras, idéias e pensamentos considerados transgressores? Os países desenvolvidos, atualmente, são basicamente anti-civilizacionais. Tudo que os liberais e socialistas pregam a respeito de mudanças comportamentais em nosso país simplesmente não presta. É um profundo lixo moral.
Ser cristão, nesse estado de coisas, é manter a coerência existencial, dentro das loucuras da modernidade. E ser católico é manter-se firme às origens da civilização e do ser humano. O Brasil pode se orgulhar de ser economicamente atrasado e guardar valores cristãos. Ainda não matamos pessoas enfermas, não degradamos a família, não policiamos comportamentos alheios, não discriminamos racialmente o nosso próximo. Ainda. Pois no que depender dos poderes da política, da intelligentsia, do judiciário, da mídia, dos formadores de opinião e das ONG’s, sairemos da civilidade cristianizadora que liberta, para a barbárie secularista que escraviza. Seremos, em suma, um dos povos mais infames da terra, indignos dos céus e do próprio chão.

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