quinta-feira, 29 de março de 2018

PRIMEIRA EDIÇÃO DE 29-3-2018 DO 'DA MÍDIA SEM MORDAÇA'

NA COLUNA DO CLÁUDIO HUMBERTO
QUINTA-FEIRA, 29 DE MARÇO DE 2018
Como há precedentes para todas as formas de absurdo no Brasil, até nas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Lula ganhou confiança após ganhar, na quinta-feira (22), a “pizza provisória” até o dia 4. Uma das opções de Lula é disputar a eleição mesmo preso, sob os auspícios do STF, fazendo o Brasil correr o risco de ser o primeiro país a eleger presidente um corrupto condenado na Justiça. Empossado, o petista seria solto e todos seus processos, suspensos.

Acatado o Recurso Especial ao Superior Tribunal de Justiça, Lula teria “efeito suspensivo” da pena. O STF pode seguir esse mau caminho.

Com pena suspensa no STF, Lula pode fazer registro da candidatura, e a Justiça Eleitoral, em tese, também poderia fechar os olhos.

Lula é ficha suja, mas sonha com uma solução que não apenas o livre da cadeia, como também garanta sua candidatura presidencial.

Se o STF fizer tudo o que o ex-presidente deseja, o Brasil pode eleger e empossar o primeiro presidente oficialmente corrupto.

Em Alagoas para representar Michel Temer na inauguração de uma obra federal (trecho da duplicação da BR 101), terça (27), o ministro Moreira Franco aproveitou para fazer política. Mas exagerou na dose, derramando-se em elogios a Renan Calheiros, que insultou seu chefe de “presidente ilegítimo”, “líder de facção”, “covarde” e ainda acusou o governo de incompetente, comparando-o à “seleção de Dunga”.

Esteve “naquele momento lindo” outro ministro, que trocou cargos no governo local por apoio a Calheiros: Maurício Quintella (Transportes).

Além de elogiar o senador que xinga Temer e apoia Lula, Moreira Franco o parabenizou por Renan Filho, o governador de Alagoas.

Simpaticão, Moreira ainda ofereceu aos alagoanos carona no jatinho da FAB para Brasília. Quem estava a bordo é um segredo de Polichinelo.

Ao menos 37 deputados devem trocar de partido na janela de infidelidade partidária deste ano. Outros oito deputados ainda articulam a mudança: infiéis representarão quase 9% da Câmara dos Deputados.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, concedia entrevista ao “Bastidores do Poder”, da rádio Bandeirantes, quando foi interrompido pela notícia da prisão domiciliar de Maluf. Ele embargou a voz, emocionado. “Sou advogado das antigas”, murmurou encabulado.

Mal lançou a candidatura a presidente pelo PRB, o ex-deputado Flávio Rocha já é criticado por aparecer com ex-ministro do Desenvolvimento Industrial, Marcos Pereira, político denunciado no escândalo da JBS.

Mesmo preso na Lava Jato, Orlando Diniz continua influente no setor que liderava. À exceção dele próprio, que saiu da disputa, foi mantida toda sua chapa na eleição da Fecomércio-Rio.

O governo do Peru concedeu agrément e Rodrigo Baena Soares será embaixador em Lima. Filho do saudoso Baena Soares, ex-secretário-geral da OEA, ele é um dos diplomatas brasileiros mais admirados.

O DEM é caso raro na Câmara: nenhum dos deputados federais deixou o partido na janela de infidelidade partidária. E ainda vai ganhar ao menos cinco parlamentares. Arthur Maia (PPS-BA) pode ser o sexto.

Vice de Eduardo Cunha (MDB) quando era presidente da Câmara, Waldir Maranhão (MA) deixou o PP pelo PT de Lula e Dilma, assim como Celso Pansera, que abandonou Cunha para se filiar ao PT.

Repercutiu em Maricá (RJ) o vídeo que mostra o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (MDB) sendo xingado ao sair do hotel Vitória, em Campinas. Um jornal do município tripudiou: “Maricá, eu tô ferrado lá”.

...o “atentado” à comitiva de Lula parece ter tanta credibilidade quanto promessa de político em campanha eleitoral.

NO DIÁRIO DO PODER
PRESO POR LAVAGEM
MINISTRO DIAS TOFFOLI CONCEDE PRISÃO DOMICILIAR A PAULO MALUF
DEPUTADO CUMPRE PENA DE MAIS DE 7 ANOS POR LAVAGEM DE DINHEIRO
Publicado quarta-feira, 28 de março de 2018 às 17:55 - Atualizado às 18:52
Da Redação
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, concedeu nesta quarta-feira, 28, prisão domiciliar de caráter humanitário ao deputado Paulo Maluf (PP-SP), preso desde o dia 20 de dezembro na ala de idosos do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Nesta madrugada, Maluf, de 86 anos, passou mal e foi levado a um hospital particular em Brasília. A defesa do parlamentar alega saúde frágil e apresentou um pedido de liberdade ou prisão domiciliar ao STF.
Pessoas ligadas à família comentaram que Maluf teve uma “crise pânico”, após receber a notícia de que um novo pedido de habeas corpus não seria analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) antes da Páscoa.
O deputado federal foi condenado a 7 anos, 9 meses e 10 dias por lavagem de dinheiro quando era prefeito de São Paulo (1993-1996). No dia 19 de dezembro do ano passado, o ministro Edson Fachin ordenou a execução da pena em regime fechado.
No despacho, o ministro Dias Toffoli destacou que documentos apresentados pela defesa de Maluf demonstram que o deputado, que hoje tem 86 anos, "passa por graves problemas relacionados à sua saúde no cárcere, em face de inúmeras e graves patologias que o afligem".
"Aliás, a notícia divulgada na manhã desta quarta-feira, em respeitados veículos de comunicação da imprensa brasileira, de que ele foi internado as pressas em hospital no fim da noite passada, por complicações no seu estado de saúde, corroboram os argumentos trazidos à colação pela defesa, bem como reforçam, pelo menos neste juízo de cognição sumária, a demonstração satisfatória, considerando os documentos que instruem este feito, da situação extraordinária autorizadora da sua prisão domiciliar humanitária", escreveu o ministro.

SUSPEIÇÃO
SEMPRE QUE LULA ESTÁ EM MAUS LENÇÓIS, UM 'ATENTADO' O VITIMIZA
NÃO É A PRIMEIRA VEZ QUE O PT FALA EM 'ATENTADO' CONTRA LULA
Publicado terça-feira, 27 de março de 2018 às 22:49 - Atualizado às 23:07
Da Redação
Policiais experientes não descartam a hipótese de armação, no suposto atentado a tiros à caravana do ex-presidente Lula no Paraná, com o objetivo de “vitimizar” o político petista que vive a expectativa de votação, no Supremo Tribunal Federal (STF), do seu habeas corpus. Ele também anda em baixa em sua visitação a Estados do Sul, com moradores tentando impedir os comícios, expulsando-o aos gritos de “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”.
Três tiros teriam atingido dois dos três ônibus da comitiva, e o único a não ser perfurado por balas foi exatamente aquele que conduz o ex-presidente. Mas ele não estava no veículo porque fez o percurso de helicóptero. Um dos ônibus atingidos foi o que transportava jornalistas, claro, e o outro, com duas perfurações, levava “convidados”.
Os jornalistas estranharam porque não ouviram o disparo e somente perceberam o orifício supostamente produzido por bala quando chegaram ao destino e seguranças da comitiva e petistas chamaram atenção para os sinais do suposto atentado.
Os ônibus seguiam de Quedas do Iguaçu, no Oeste do Paraná, para a cidade de Laranjeiras do Sul, quando, segundo o PT, os tiros foram disparados, mas nenhuma fonte independente os ouviu. Curiosamente, Lula já estava na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFSS), onde chegou de helicóptero.
PT do Paraná e seus 'atentados'
Também não está descartada a hipótese de que alguma pessoa tenha de fato atirado contra a comitiva, como afirmam os lulistas, mas a Policia paranaense está habituada aos métodos do PT local, liderado pela senadora Gleisi Hoffmann, hoje presidente nacional do partido.
Em maio do ano passado, o PT denunciou um “atentado” contra sua sede em Curitiba. Durante a madrugada, claro, quando não havia ninguém. Não houve feridos, nem danos significativos. Nesse suposto atentado, segundo relato dos petistas, dois homens encapuzados teriam lançado duas bombas de coquetéis molotov contra o imóvel, no bairro São Francisco. O “atentado” jamais foi reivindicado, como é comum nesses casos, nem a Policia pôde chegar a qualquer conclusão definitiva.
Como em outras ocasiões, Lula fez divulgar em seu twitter uma mensagem redigida pela assessoria: "A nossa caravana está sendo perseguida por grupos fascistas. Já atiraram ovos, pedras. Hoje deram até um tiro no ônibus". No palanque, ele fez discurso se comparando a Tiradentes.
‘Atentados’ quando Lula está em ‘baixa’
Opositores do PT chamam a atenção para o fato de Lula ser alvo de alguma forma de suposto “atentado” sempre que enfrenta maus bocados.
No começo de agosto de 2015, quando o ex-presidente enfrentava graves denúncias em operações como a Lava Jato, uma bomba foi jogada de um carro em movimento contra o portão do Instituto Lula, durante a madrugada, quando não há ninguém no local. Não houve estragos, nem feridos. Apenas barulho. Esse suposto atentado nunca pôde ser confirmado pelas autoridades que o investigaram.
Em outra ocasião, também em maio de 2017, o PT reclamou de rojões atirados contra um acampamento de apoio a Lula, na ocasião ainda sem sentença condenatória por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Rojões também teriam sido usados em outro “atentado” à sede do PT. Como em todos os casos, jamais houve feridos e nem sequer danos materiais. Mas serviram como uma luva à suposta intenção de desviar o foco e vitimar não apenas Lula como o partido.
Opositores do PT destacam que em todos os episódios envolvendo protestos contra Lua, na visita que ele faz a Estados do Sul, foram vistas armas apenas na cintura e nas mãos de seguranças do ex-presidente. A Polícia Civil promete investigar e chegar aos autores, tendo sido o atentado real ou simulado.

NO BLOG DO JOSIAS
PF só entrará no caso Lula se for ‘crime político’
Por Josias de Souza
Quinta-feira, 29/03/2018 04:44
A Polícia Federal só entrará na investigação sobre os tiros disparados contra dois ônibus da caravana de Lula no Paraná ''se ficar caracterizado que o crime é político”, disse ao blog o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública). Acionado pelo PT, Jungmann colocou a PF à disposição do governador paranaense Beto Richa (PSDB), que agradeceu e ficou de pedir socorro federal se avaliar que é necessário.
(...)
Antes de telefonar para Richa, Jungmann procurou Temer. Contou que decidira colocar a PF à disposição do governador do Paraná. O presidente avalizou a ideia. Por ora, a Polícia paranaense trata o ataque à caravana de Lula não como uma tentativa de homicídio, mas como um caso de disparos de arma de fogo com danos materiais. Enquanto permanecer assim, a apuração não será ''federalizada'', como pede o PT.

Fachin não quis inquérito da PF sobre ameaças
Por Josias de Souza
29/03/2018 03:07
O diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, conversou pelo telefone com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin sobre as ameaças feitas a seus familiares. Colocou duas equipes à disposição — uma para fazer a análise dos riscos a que estão submetidos os familiares do ministro; outra para abrir um inquérito. Fachin agradeceu muito. Mas recusou a oferta. Alegou que a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, já tomara as providências necessárias.
Ao blog, o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública), a quem a Rogério Galloro está subordinado, disse que a Polícia Federal continua à disposição de Fachin. Mas esclareceu que, sem uma “representação” do magistrado, não há como iniciar uma investigação.
As ameaças a familiares de Fachin tornaram-se públicas por iniciativa do próprio ministro. Em entrevista ao repórter Roberto D’Ávila, o relator da Lava Jato e do habeas corpus de Lula no Supremo disse: “Uma das preocupações que tenho não é só com julgamentos, mas também com a segurança de membros da minha família. Tenho tratado desse tema e de ameaças que têm sido dirigidas a membros da minha família''.
Fachin relatara sua inquietação a Cármen Lúcia, a presidente do Supremo. Mas soou como se estivesse insatisfeito com as providências adotadas por ela: “Nem todos os instrumentos foram agilizados, mas eu efetivamente ando preocupado com isso, e esperando que não troquemos fechadura de uma porta já arrombada também nesse tema”
A entrevista foi ao ar na terça-feira, 27, na GloboNews. No mesmo dia, o diretor-geral Galloro contactou o ministro. Mas Fachin não hesitou em refugar a oferta de agentes federais e de abertura de um inquérito. Nesta quarta-feira, entidades corporativas de juízes e dos procuradores da República soltaram comunicados para repudiar as ameaças e cobrar rapidez nas investigações que Fachin não quis que a PF fizesse. Decerto a equipe de segurança do Supremo providenciará as respostas.

Apesar de tudo, há motivos para amar a política
Por Josias de Souza
29/03/2018 00:05
Em momentos como o atual, marcados pela alta tensão, é importante dizer meia dúzia de palavras em defesa da Política. O que é a Política? Em última análise, é uma alternativa à ditadura ou à guerra civil. É uma invenção das sociedades civilizadas para resolver os seus conflitos sem recorrer ao porrete, ao ovo, à pedra, ao tiro. Essa política, concebida como alternativa à violência, precisa ser amada.
A Política tem suas facções. Elas são chamadas de partidos. Alimentam-se do conflito. Mas há duas regras de ouro no jogo da Política. Eis a primeira: nenhuma facção tem o poder de silenciar as outras. A segunda regra é: pessoas que não se respeitam precisam se enfrentar com respeito. Isso é compulsório. A arma é a ideia, a palavra. Os conflitos se resolvem no voto, não na porrada. Ou na bala.
Hoje, a Política brasileira é marcada pela corrupção e pelo ódio. Contra a ladroagem e a violência, os remédios são a investigação radical e a punição exemplar. Às vezes bate um desânimo. Mas é preciso lembrar que as alternativas à Política são a ditadura e a guerra civil. Numa, os conflitos são resolvidos na câmara de tortura. Noutra, as diferenças são solucionadas na bala. Melhor amar a Política, mesmo nos momentos em que esse amor não é correspondido.








Nenhum comentário:

Postar um comentário