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O LUXO E A OSTENTAÇÃO DOS DIRIGENTES DA FIFA

Luxo e poder: a vida dos fiéis a Joseph Blatter no Comitê Executivo da Fifa
Elite dos dirigentes da entidade chama atenção pela ostentação e acusações de corrupção ao longo dos anos
O GLOBO - POR GIAN AMATO
28/05/2015 23:14 / ATUALIZADO 28/05/2015 23:28
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, quando o Qatar foi escolhido sede da Copa de 2022 - Anja Niedringhaus / AP
“Procura-se dirigente de futebol para vaga no Comitê Executivo da Fifa. Benefícios: salário anual de US$ 300 mil (mais bônus), carros de luxo, passagens aéreas na primeira classe, hospedagem em hotéis cinco estrelas, ternos, ingressos para jogos e diárias de US$ 500. A pensão vitalícia depende de um segundo mandato.”
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Se fosse publicado, o anúncio fictício acima atrairia uma multidão de cartolas para a hipotética fila quilométrica na entrada da luxuosa sede da Fifa, em Zurique, na Suíça. Considerado a elite dos dirigentes do futebol, o Comitê Executivo da entidade, do qual faz parte o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que deixou a Suíça, chama atenção pela ostentação e pelas acusações de corrupção.
São atribuições do Comitê Executivo, eleito após uma Copa do Mundo, a determinação das datas, locais e formatos das competições da Fifa. Nos bastidores, fazem mais do que isso. Seriam os responsáveis pela monitoração dos votos das 209 confederações, que reelegem Blatter desde o segundo mandato. Se Blatter vencer o príncipe jordaniano Ali Bin Al Hussein, hoje, na eleição para a presidência da Fifa, foi porque seus fiéis aliados teriam impedido o avanço de uma oposição liderada pela Uefa do presidente Michel Platini.
CAÇADORES DE VOTOS
Entre os sete dirigentes presos na quarta-feira, na Suíça, dois integravam o comitê até serem banidos preventivamente no mesmo dia: os vice-presidentes Jeffrey Webb, das Ilhas Cayman, e o uruguaio Eugenio Figueredo. Além deles, Nicolás Leoz e Jack Warner, ambos indiciados, e que fizeram parte do seleto grupo de executivos, só não foram presos porque não estavam em Zurique. Warner se apresentou à Justiça de Trinidad e Tobago, pagou fiança e está solto. Ex-presidente da Conmebol, Leoz, de 86 anos, precisou fazer uma bateria de exames médicos no Paraguai e escapou.
Mesmo com todas as investigações do FBI e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, as 27 cadeiras onde se sentam os responsáveis pelas mais importantes decisões do futebol formam a mais cobiçada tribuna do “planeta bola”, porque representam uma elite habituada a ser cortejada.
O poder dividido entre eles tem um preço. Afinal, Blatter utilizaria sua seleta rede de seguidores como escudo, evitando o respingos de qualquer jogo sujo. Quando isso acontece, como agora, o presidente corre para retirar a Fifa de cena ao apontar os deslizes como erros individuais, como disse em seu discurso de abertura do 65º congresso da entidade, ontem, em Zurique.
Nesta sexta (29), o presidente Joseph Blatter, aos 79 anos, concorre a mais quatro anos à frente da Fifa sob a maior crise enfrentada pela entidade. Se vencer, terá o seu quinto mandato consecutivo. Foi ele, em 1998, em sua primeira temporada no posto mais alto do futebol mundial, quem destinou, de saída, US$ 8 milhões para os gastos do Comitê Executivo. Ao longo dos anos, Blatter aumentou mimos, bônus, salários e premiações.
Foi o suíço quem corrigiu a diária dos integrantes, que era de US$ 380, para os US$ 500 atuais. Também aumentou o número de dirigentes de 23 para 25 executivos. As outras duas cadeiras pertencem a ele e ao secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Mas o secretário não tem direito a voto. Em tese, Blatter só pode se manifestar para desempatar, dar um voto de Minerva nas deliberações do Comitê Executivo.
VISTA PARA O LAGO
Fachada do luxuoso Hotel Baur au Lac, em Zurique - Michael Probst / AP
Ao todo, o Comitê realiza apenas quatro reuniões por ano, nos meses de março, maio, setembro e dezembro. Os dirigentes têm direito a uma falta. Esta semana, os 27 estão hospedados no luxuoso e imponente hotel Baur au Lac. Uma das suítes mais caras, a deluxe, recém-reformada, com vista para o Lago Zurique, tem 600 canais de TV, minibar liberado, duas linhas de telefone, internet sem fio, assinatura de jornais impressos, e todos os serviços e facilidades de hospedagem ao alcance do dinheiro incluídos. Custa, por dia, US$ 3.488.82 ou R$ 10.569.38.
Por dia, o gasto da Fifa com hotel poderá ultrapassar os US$ 100 mil. Como há uma reunião extraordinária marcada para amanhã de manhã, a conta dos seis dias de hospedagem sairá pela bagatela (para Fifa) de US$ 600 mil, fora custos adicionais.
Apenas 3,7km separam o hotel Baur au Lac do quartel-general da Fifa. É possível fazer o trajeto em uma caminhada pela agradável Rua Rämistrasse, repleta de galerias e restaurantes, onde os dirigentes costumavam ir para serem vistos. Os comensais habituais são banqueiros e empresários abastados da Suíça. Mas qual integrante da Fifa poderia pensar em andar (ainda mais agora) quando tem à disposição carros de luxo com motoristas exclusivos, que fazem o mesmo trajeto em poucos minutos?


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