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A COPA E O MASCARAMENTO DOS GRAVES PROBLEMAS DO BRASIL

O auto-engano da Copa
Alessander Sales (alessander@mpf.mp.br) - Procurador-Chefe da Procuradoria da República no Ceará

A Copa do Mundo mudou a vida nas grandes cidades brasileiras, tornando-as mais limpas, seguras, diversificadas e tolerantes. Mesmo sem as prometidas obras de infraestrutura, nossos serviços públicos enfrentam com eficiência o incremento de usuários, atuando em uma velocidade nunca antes vista neste país. A sensação é de que estávamos prontos para o evento e não sabíamos e agora, deslumbrados, só falamos na Copa das copas.
Antes do evento Fortaleza era, para todos os veículos de comunicação, uma cidade sem a mínima estrutura urbana, extremamente violenta e desigual. Muitos estudos tentaram explicar estes fenômenos, mas desconsideraram a raiz do problema: ausência de Copa como o motivo de todas as nossas mazelas.
O problema é que a Copa dura somente um mês. Logo ressurgirão as mesmas más notícias de maio já que a Copa não é mágica, capaz de estagnar a violência e a desigualdade com efeitos imediatos, nem as notícias anteriores eram exageradas, manipuladas apenas para criar fatos políticos.
Mas o fato é que nossos graves problemas sumiram dos noticiários. Não deixaram de existir, apenas estão sendo deliberadamente ignorados.
Para quem não acredita em milagres, embora não se possa desprezar a mística futebolística que povoa o imaginário coletivo brasileiro, é evidente o tratamento seletivo, demasiadamente benéfico, que a Copa recebe da mídia, o que incute a falsa sensação de que é muito fácil superar nossos crônicos problemas. Mas, como efeito colateral, a manipulação da informação agrava, artificialmente, a incompetência de nossos governantes, frustrando mais ainda a sociedade.
Não devemos esquecer que nossos graves problemas persistem, notadamente a corrupção, a violência, a desigualdade e a nossa histórica ineficiência governamental para superá-los. No entanto, preferimos momentaneamente escondê-los pelo auto-engano, pois só assim podemos fazer o que mais gostamos que é, entorpecidos pelo ufanismo e sem qualquer senso crítico, lotar os estádios, as fan fest e gritar gol. 

Do O Povo (Opinião) de 27-6-14.

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