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COPA 2014: MAIS ILUSÕES, MENOS REALIDADE

Por Mara Bergamaschi
“Imagina na Copa”. Não dá para imaginar mais nada, mal ou bem, porque a Copa simplesmente chegou. A ficha caiu: faltam seis meses, só. E sem estádio ícone, nem aeroporto super, nem novíssimas estações de metrô, nem trem bala Rio-São Paulo, nem hotel das Arábias em cartão postal. Menos, menos, muito menos.
Segure a cívica vaidade vã, lamente a megalomania e nem se lembre do fantástico Ninho do Pássaro de Pequim (construção de US$ 500 milhões, equivalentes à reforma do Maracanã). Considere: o panteão moderno de Brasília, que custou R$ 1,7 bi e um operário morto, com aquelas colunas todas, bem que impressiona.
Esqueça a estrutura de ferro e aço que despencou na lama do estádio construído para abertura do Mundial, o Itaquerão de São Paulo – jazigo perpétuo de dois outros trabalhadores. Tragédia que nem os mais pessimistas esperavam.
Mantenha o prumo, caia na real, almeje o possível. Digamos: torcedores conscientizados ao longo dos últimos quatro anos e, quem sabe, um Maracanã sem inundação no seu entorno. Quanta ambição! Menos, bem menos: a realidade aqui é inimaginavelmente dura.
Maracanã. Foto: Severino Silva / Agência Estado
Até para a intocável Fifa. Escaldada pela Copa das Confederações, ela se prepara, sempre em grande estilo, para o pior: no sorteio da Copa, na sexta-feira passada, realizado em luxuoso e exclusivo resort da Bahia, soube-se que havia dois policiais para cada três convidados do evento.
Com ou sem protestos, a blindagem do público da Copa, ainda que por forças de segurança muito aquém do “padrão Fifa”, está mais do que testada. Iludida, revoltada ou alijada, a maioria dos brasileiros vai parar em junho para ver o Mundial. Na Hora H da seleção, quem, no país do futebol, ficará indiferente?
Mesmo sendo anfitriões, nosso orgulho cívico dependerá mais do resultado obtido no gramado do que das realizações fora dele. Fora do campo, é patente – e gritaram isso as manifestações de junho -, que as conquistas, no Esporte e além dele, foram superestimadas. Restará a batalha dos atletas: jogar bem, controlar os adversários e contar com a sorte.
Se escaparmos dos riscos de vexame, no final será apresentado um balanço favorável da Copa, apesar de estouros em orçamentos regionais. Houve, é certo, quem trabalhasse direito. Mas se ganharmos o Hexa, que legado importa?
Começará em seguida a rodada que definirá o placar de outubro. Veremos erguer-se novamente o mundo dourado para eleitores. A hora da abundância: mais, mais e mais promessas - inclusive para as Olimpíadas de 2016.

Mara Bergamaschi é jornalista e escritora. Foi repórter de política do Estadão e da Folha em Brasília. Hoje trabalha no Rio, onde publicou pela 7Letras “Acabamento” (contos,2009) e “O Primeiro Dia da Segunda Morte” (romance,2012). É co-autora de “Brasília aos 50 anos, que cidade é essa?” (ensaios,Tema Editorial,2010). Escreve aqui às quintas-feiras.

Do Blog do Noblat de 12-12-13.

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