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O CALOTE DO CAPILÉ


Na VEJA.com:
Articulador do coletivo Fora do Eixo e da Mídia Ninja, Pablo Capilé se tornou recentemente alvo de diversas denúncias, entre elas a de retenção de cachê para artistas. A cultura do calote, no entanto, não é recente.
Em 2006, o líder do coletivo cultural organizou a quarta edição do Festival Calango, em Cuiabá, Mato Grosso. Para atender a demanda de visitantes, Capilé fechou parceria com algumas empresas, entre elas o Hotel Master, que recepcionou cerca de setenta pessoas durante o evento e recebeu dele, como garantia, um cheque caução. Após o Festival, a hospedaria não obteve o pagamento de 11 764,66 reais e tentou em vão depositar o cheque, que estava sem fundo, como conta ao site de VEJA a advogada do hotel, Ana Kelcia Figueiredo.
Cobrado diversas vezes e até mesmo intimado, Capilé não se pronunciou sobre o caso. Cinco anos depois, a dívida atualizada com os juros contabilizava 24 033,76 reais. “Ainda não fiz as novas contas, mas já deve estar próximo de 60 000 reais”, conta Ana Kelcia. O caso se torna ainda mais grave pelo fato de que Capilé, na época, conseguiu um incentivo da Secretária da Cultura da cidade no valor de 50 000 reais.
Faiana Prieto, administradora do hotel, conta ao site de VEJA que é “impossível falar com o Pablo” e até a Justiça tem dificuldades de localizá-lo, já que nunca está em seu endereço oficial. Por essa dificuldade, a advogada decidiu conversar diretamente com o Secretário da Cultura na ocasião, João Carlos Vicente Ferreira. “Avisamos a ele que Pablo Capilé deu o calote também em outros hotéis, restaurantes e até agência de viagem. Mesmo assim ele continuou a fazer o festival com incentivo do governo”, diz a advogada.
De fato, o incentivo não só continuou como aumentou. Na oitava edição do evento, em 2010, Capilé conseguiu com a prefeitura da cidade 70 000 reais. Já no ano seguinte, quem solicitou a verba para o Festival Calango em Cuiabá foi a empresa do grupo Espaço Cubo/Asprogic. O valor então chegou a 250 399,98 reais.
Há sete anos tentando receber a dívida, agora a advogada do Hotel Master pretende fazer uma intimação por edital. “Outro problema é que não localizamos bens no nome dele. Também pedi a penhora on-line para o juiz, que não encontrou nada. Ou seja, vamos ganhar a ação, mas é aquele velho ditado ‘ganhou, mas não levou’.”
Esse não é o único problema de Capilé com a Justiça. Em 2008, o empresário foi intimado por infringir o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) durante o Festival Calango e foi punido com uma multa de três salários mínimos. O caso se repetiu na edição do Festival de 2010, porém, quem assumiu o processo foi Lenissa Lenza, uma das principais integrantes do Fora do Eixo, e não Capilé. Os dois processos correm em sigilo judicial.
Histórico
Em atividade desde 2005, o Fora do Eixo é conhecido no cenário da cultura independente e ganhou verniz com a repercussão da Mídia Ninja. Além deste, o grupo possui outros braços como uma “universidade livre”, apoiada pela Petrobras; um selo musical, que possui incentivo do Ministério da Cultura; o embrião de um partido político, chamado de Partido Fora do Eixo; e também casas espalhadas pelo Brasil onde vivem jovens que não pagam aluguéis e trabalham em prol do grupo sem receber salário. No entanto, recebem como remuneração uma moeda virtual chamada de Cubo Card, que pode ser utilizada em troca de serviços de parceiros do grupo.
Na última semana, o coletivo se tornou alvo de denúncias, como usurpação do trabalho de artistas, retenção de cachês, estelionato, entre outros, que despontaram com o depoimento da cineasta Beatriz Seigner, diretora do filme Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano, postado em sua página pessoal do Facebook.

Por Reinaldo Azevedo

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