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DROGA NÃO É LEGAL

Droga não é para ser legal

Carla Kreefft
O discurso do papa Francisco contra a legalização do uso de drogas chama a atenção para um problema que, quase sempre, é analisado somente dos pontos de vista da criminalidade e da arrecadação do poder público. Mas há aí outro aspecto importante para a análise. Antes de mais nada, usuários de droga são pessoas e, como tais, merecem um tratamento humano. Isso significa que o direito à vida tem prioridade em relação a qualquer outra discussão. Quando se fala em direito à vida, estão implícitos os direitos à preservação da integridade física e mental, à saúde e à alimentação no mínimo.
É preciso então questionar se o uso da droga, seja ela legalizada ou não, é capaz de garantir ao usuário o direito à vida. O que todo o país tem visto é um crescente aumento do número de dependentes de crack. Essa dependência é tão forte que impede a pessoa de ter uma vida digna. Ou seja, até o alimento é preterido diante da droga. O crack se transforma, rapidamente, no único desejo do usuário. Não se alimentar, não cuidar da higiene pessoal, perder a casa e a convivência com a família para passar a perambular pelas ruas junto a outros dependentes e onde o acesso ao crack é mais rápido constituem a rotina diária de quem se rendeu ao vício.
Permitir que isso aconteça não é, nem de longe, garantir direito à vida. Há estudos que comprovam o poder letal do crack após alguns poucos anos de uso intenso. Mas, além da morte causada pela debilidade do organismo, há também a violência imposta pelo comércio da droga, que mata sem piedade.
APENAS A MACONHA?
Certamente haverá aqueles que dirão que a proposta de legalização diz respeito apenas à maconha. Esse argumento é parecido com aquele muito conhecido no mundo da política: “ele rouba, mas rouba pouco” ou “ele rouba, mas faz”. Ou seja, isso não convence. Há a comprovação de que a maioria dos dependentes químicos não começam por drogas pesadas. A maconha é, comumente, a porta de entrada para um mundo que tem início, mas não se sabe onde acaba. Melhor dizendo, quase sempre acaba mesmo em morte, não sem antes causar muita dor.
Não é possível entender como o fato de a maconha ser tornar um produto vendido de forma regular possa mudar esse quadro. Talvez o comércio legalizado proporcione arrecadação e lucro para empresários e governos, como acontece atualmente com o tabaco. Mas, da perspectiva do usuário, a facilidade para a entrada na dependência química pode ser uma agravante.
O papa Francisco sinaliza com um caminho importante: a humanização dos problemas que hoje atingem a sociedade. As soluções exclusivamente materiais para questões antropológicas e sociológicas não bastam e deixam a sociedade desnudada de verdade. (transcrito de O Tempo)

Da Tribuna da Imprensa de 27-7-2013.

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