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OS SETE MITOS DA NOSSA ECONOMIA


7 mitos sobre a economia brasileira que foram, estão sendo, serão destruídos

Diz George Soros (vou citar de orelha porque meus livros sumiram; se notarem algum erro, por favor corrijam) que bolhas especulativas nascem de uma percepção de mudança de paradigma. Na medida em que aparecem sinais dessa mudança, mais pessoas investem nela, o que reforça os sinais e atrai mais gente. Depois de algumas rodadas desse auto-reforço, a percepção se descola tanto da realidade que, mesmo que a mudança inicialmente prevista ocorra, é impossível que as expectativas embutidas nos preços sejam confirmadas. Isso ocorrendo, é questão de tempo para que a bolha estoure, ativos sejam liquidados e percepção e realidade voltem a se encontrar.
Esse esquema me parece bastante correto para descrever o passado recente do Brasil: dopaís que ia “decolar” para o pior mercado de ações do mundo e grandes dificuldades em crescer. Abaixo uma lista (sem a menor pretensão de ser exaustiva) dos mitos que foram, estão sendo e (acho que) serão destruídos sobre o Brasil:
1. O PIB potencial do Brasil cresceu
Nos últimos 20 anos, o PIB brasileiro cresceu em média 3,2% ao ano. Entre 2003 e 2010, com o boom de commodities, essa média foi de 4,05% ao ano, e muita gente achou que estávamos entrando em uma nova era de crescimento mais acelerado: no início de 2011, aFitch dizia que o novo crescimento potencial era de 4,5% anuais, e o recém-empossado governo Dilma determinou uma absurda “meta” de 5,9% de crescimento durante o mandato. O choque de realidade veio com sucessivos “pibinhos”, mesmo após cortes de juros e inúmeros pacotes de crescimento. Mais provável mesmo que o PIB potencial esteja ao redor da média de longo prazo (3% anuais, talvez um pouco menos), e todo o crescimento adicional tenha sido função da alta dos preços do que exportamos.
2. O Brasil autossuficiente em petróleo
Em 2006 Lula declarou a “autossuficiência” do Brasil em petróleo. Sete anos depois, nunca antes na história deste país se importou tanta gasolina, a ponto disso preocupar os acionistas e detentores de dívida da Petrobras e prejudicar as contas externas do país.
3. O que trava o país é a Selic alta
Claro que provavelmente ainda estamos passando pelos efeitos defasados da grande queda dos juros no ano passado, mas parece evidente que não vai ser isso que vai fazer o país decolar. Pelo menos serviu para evidenciar outros problemas estruturais.
4. O Brasil não depende tanto de commodities
A dependência no principal índice de ações é claríssima – e volta a ficar claro que, no que depende do mercado interno, o Brasil é um país com inúmeros gargalos e dificuldades estruturais.
5. Eike Batista como empreendedor e possível homem mais rico do mundo
O fundo do poço estava longe de chegar quando escrevi isso, em junho do ano passado.Hugh Hendry acertou em cheio. É o caso mais emblemático (e alavancado) do descolamento entre realidade e percepções do Brasil recente.
6. O triunfo do “capitalismo de estado”
Após a crise de 2007/2008, muita gente defendeu a ideia (mais aqui) de que grandes empresas estatais (ou de capital misto) e bancos de fomento seriam os grandes indutores de crescimento no futuro. Talvez haja versões mais ou menos efetivas do “capitalismo de estado”; a brasileira, aparentemente, não mostrou nenhum novo dinamismo, a não ser a capacidade de prover o crédito que os bancos privados não quiseram conceder, com resultados ainda para serem discutidos.
7. O fim das crises cambiais
Já disse várias vezes por aqui que a história econômica do Brasil pode ser contada pelas suas inúmeras crises cambiais. A bonança de commodities e o consequente aumento de reservas internacionais parece ter afastado o risco de uma nova crise no futuro recente. Desde 2007 o país tem financiado com relativa facilidade déficits sucessivos em conta corrente; resta saber se esse padrão se repetirá no futuro ou quanto tempo levará para que as aparentemente grandes reservas sejam consumidas se o dinheiro estrangeiro que entrou nos últimos anos resolver voltar para casa.
Do Blog Brasil Acima de Tudo de 12-4-2013

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