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Suavemente estrangulada

Sebastião Nery
RIO – José Maria de Alkmin, metade gente metade gênio, foi advogado de um crime bárbaro. No júri, conseguiu oito anos para o réu. Recorreu. O novo júri deu 30 anos a seu cliente. O réu ficou desesperado:
- A culpa foi do senhor, dr. Alkmin. Eu pedi para não recorrer. Agora vou passar 30 anos na cadeia.
- Calma, meu filho, não é bem assim. Nada é como a gente pensa da primeira vez. Primeiro, não são 30 anos, são 15. Se você se comportar bem, cumpre só 15. Depois, esses 15 anos são feitos de dias e noites. Quando a gente está dormindo tanto faz estar solto como preso. Então, não são 15 anos, são 7 e meio. E, por último, meu filho, você não vai cumprir esses 7 anos e meio de uma vez só. Vai ser dia a dia, hora a hora. Suavemente.
 José Maria Alkmin
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PETROBRÁS
O Doutor Aurelio ensina que estrangular é “apertar o pescoço de alguém, dificultando-lhe ou impedindo-lhe a respiração; matar por sufocação; enforcar; esganar, afogar; apertar muito, comprimir, conter, asfixiar”.
Na economia, o estrangulamento financeiro de uma empresa pode ocorrer por ausência de planejamento e incompetência na sua administração. No Brasil, o governo Dilma Rousseff, do PT, está sendo o responsável pelo estrangulamento financeiro de uma empresa que sempre foi orgulho nacional, a Petrobrás. Não estou exagerando nada, criando nada, inventando nada.
Vejam o que dizem três especialistas de variadas e diferentes correntes de opinião, mas sintonizadas na radiografia do errático caminho que o governo brasileiro vem impondo autoritariamente à Petrobrás, descapitalizando-a, enfraquecendo-a, afetando o seu futuro, com claras repercussões na limitação das suas metas de produção, na redução dos investimentos, levando-a à estagnação e à perda de autossuficiência.
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AMIR KHAIR
1 – “É lamentável a política do governo usando a Petrobrás como biombo da inflação. O ministério da Fazenda, que preside seu Conselho de Administração, aprovou o plano estratégico da empresa, que prevê reajuste de 15% nos combustíveis. Ao segurar esse reajuste, está ocasionando os péssimos resultados que estão aparecendo. Falhas desse tipo maculam a imagem do governo e da Petrobrás. Incompetência ou irresponsabilidade?” (O autor é o economista Amir Khair, consultor econômico e importante pensador econômico do PT, em “O Estado de S.Paulo” (4-11-2012). O segmento sério, independente e estudioso do PT não é ouvido pelo governo).
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NORMAN GALL
2. “A Petrobrás está perdendo a reputação de empresa séria, duramente conquistada. A previsão era que o pré-sal estivesse em plena produção em 2020, mas o horizonte mais realista, nas circunstâncias atuais, é isso ocorrer em 2025, 2030. O desafio de retirar essa riqueza do mar é monumental, mas vem sendo tratado com superficialidade, sem um plano mais completo e consequente para alcançar metas tão ambiciosas. Nenhum país triplicou sua produção offshore de 2 milhões de barrIs diários para 6 milhões em tão pouco tempo e em águas tão profundas, como está sendo anunciado. Não quer dizer que não seja possível. Infelizmente, em mais de dois anos de discussões no Congresso, a preocupação dos parlamentares foi definir quem vai ficar com o dinheiro. Ninguém estudou os reais obstáculos a superar”. (O autor é Norman Gall, diretor do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, morando há 35 anos no Brasil. “Veja”, 14-11-2012).
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DIAS LEITE
3 – “Passaram-se cinco anos desde a descoberta, pela Petrobrás, das reservas de petróleo do pré-sal. Na expectativa de nos tornarmos grandes produtores, e até exportadores, vemos o recuo da posição de autossuficiência que estávamos prestes a alcançar. A Petrobrás reduz suas metas de produção e as previsões de investimentos. Assistimos perplexos ao anúncio,anteriormente inadmissível, de prejuízo da empresa no segundo trimestre de 2012. Da euforia inicial evoluímos para um clima de apreensão. O que aconteceu?”
(O autor é o professor emérito da Universidade Federal do Rio, Antonio Dias Leite, ex-ministro das Minas e Energia. O Globo, 3-10-2012).
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DILMA
A Petrobrás está sendo estrangulada. Como o cliente de Alkmin, dia a dia, hora a hora. Suavemente. A presidênte da República deveria meditar, refletir e fazer autocrítica sobre as três respeitáveis opiniões. Com a seguinte agravante: desde 2003, inicio do governo Lula, até 2012, atual administração, a Petrobrás vem fracassando em atingir as metas de produção. Ministra de Minas e Energia, depois chefe da Casa Civil, Dilma continuou monitorando o setor de petróleo com a nomeação de submissos ministros na área. Não pode, por consequência, ignorar a inquietante e dramática situação em que a Petrobrás foi mergulhada. Daí a pergunta feita pelo destacado economista do PT: “É incompetência ou irresponsabilidade?”.
sebastiaonery@ig.com.br

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