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Um minuto com Chico Xavier
O Consolador, Ano 6 - N° 269 - 15 de Julho de 2012
JOSÉ ANTÔNIO VIEIRA DE PAULAdepaulajoseantonio@gmail.com
Cambé, Paraná (Brasil)


 
Fascinante é a história de Jésus Gonçalves, conhecido no meio espírita como “O Poeta das Chagas Redentoras”. Tendo contraído a hanseníase ainda muito novo, já casado e com filhos, foi retirado de seu lar e confinado a um Hospital Colônia de Hansenianos, primeiro em Bauru e, depois, transferido para Pirapitingui.
O próprio Jésus relata que por muito tempo foi revoltado com o Criador. Não conseguia compreender tanto sofrimento, num mesmo lugar, entre crianças, adultos e idosos. Isso até que um dia chega às suas mãos o livro “O Céu e o Inferno – A Justiça Divina segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec.
Após estudá-lo, compreendeu que não era o Pai maior o responsável por seus padecimentos, mas seu próprio comportamento errôneo em vidas anteriores. Tornou-se, assim, um grande divulgador da Doutrina e passou a ser conhecido nacionalmente por seu trabalho e dedicação. Passou, também, a corresponder-se com Chico, para quem enviava fotos suas que revelavam o aumento das lesões que se concentravam mais em sua face e em uma das pernas. Mas sempre que isso fazia, com muito bom humor dizia para Chico: “Parece que eu mudei, mas continuo o mesmo”.
Poucos dias após sua desencarnação, sem que disso soubesse, Chico recebe sua visita espiritual que muito o emociona. Quem narra esse encontro é o próprio médium, texto esse que pode ser encontrado no livro “A Extraordinária Vida de Jésus Gonçalves”, escrito por Eduardo Carvalho Monteiro (Editora Espírita Correio Fraterno do ABC). Vejamos o relato:
“Terminada a mensagem do nosso querido orientador, quando me achava em profunda concentração mental, vi a porta de entrada iluminar-se de suave clarão. Um homem-espírito apareceu aos meus olhos, mas em condições admiráveis. Além da aura de brilho pálido que o circundava, trazia luz não ofuscante, mas clara e bela, a envolver-lhe certa parte do rosto e da cabeça, ao mesmo tempo em que uma das pernas surgia vestida igualmente de luz.
Profunda simpatia me ligou o coração à entidade que nos buscava, assim de improviso, e indaguei, mentalmente, se eu podia saber de quem se tratava.
O visitante aproximou-se mais de mim e disse – Chico, eu sou Jésus Gonçalves! Cumpro a minha promessa... Vim ver você!
As lágrimas subiram-me do coração aos olhos. Percebi que o inolvidável amigo mostrava mais intensa luz nas regiões em que a moléstia mais o supliciara no corpo físico, e quis dizer-lhe algo de minha admiração e de minha alegria. Entretanto, não pude articular palavra alguma nem mesmo em pensamento.
Ele, porém, continuou:
- Se possível, Chico, quero escrever por você... dar minhas notícias aos irmãos que deixei à distância e agradecer a Deus as dádivas que tenho recebido...
A custo, perguntei a ele, ainda mentalmente, o que pretendia escrever, querendo, de minha parte, falar alguma coisa, porque eu ignorava que ele houvesse desencarnado e não conseguia esconder meu  jubiloso espanto.
Ele abraçou-me. Em seguida, colocando-se no meio da pequena sala, recitou um poema que eu ouvia, mas não guardava na memória... Ao terminar, pareceu-me mais belo, mais brilhante... Tomei o lápis... Jésus Gonçalves debruçou-se sobre o meu braço e escreveu em lágrimas os versos que ele recitara para mim, momentos antes, em voz alta: 

Palavras do Companheiro  
(Aos meus irmãos de Pirapitingui)
I
Irmãos, cheguei contente ao Novo Dia
E ainda em pleno assombro de estrangeiro
Jubiloso, saltei de meu veleiro
No porto da Verdade e da Harmonia
Bendizei, com Jesus, a dor sombria
Na romagem de pranto e cativeiro,
Nele achareis o Doce Companheiro
Para as rudes tormentas da agonia...
Não desdenheis a chaga que depura,
Nossas horas de amarga desventura
São dádivas da Lei que nos governa!...
As escuras feridas torturantes
São adornos nas vestes deslumbrantes
Que envergamos ao sol da Vida Eterna!

II
Ave, maravilhosa madrugada
Que desdobras a luz no céu aberto
Além das trevas, longe do deserto
Onde a esperança geme incontentada!
Salve, resplandecente e excelsa estrada
Sobre o mundo brumoso, estranho e incerto
Que acolhe, em paz, o espírito liberto
Na vastidão da abóbada estrelada!
Oh! Meu Jesus, que fiz na noite densa,
Por merecer tamanha recompensa
Se confundido e fraco me demoro?
Recebe, ante a visão do Espaço Eleito,
A alegria que vaza de meu peito
Nas venturosas lágrimas que choro...”

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