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A NOSSA DEMOCRACIA NÃO ANDA BEM

'O Ovo da Serpente' -14 de fevereiro de 2014 | 2h 10 Fernando Gabeira* - O Estado de S.Paulo O Ovo da Serpente é o nome de um filme de Ingmar Bergman que mostra os conflitos e a desordem que antecederam a ascensão do nazismo. Vivemos um momento complicado de violência, deboche, em que quase todos os conflitos degeneram em agressões, incêndios: a democracia não anda bem em nosso país. Ainda assim, acho inadequada a expressão ovo da serpente. Não vejo na conjuntura internacional uma brecha para regimes autoritários com o nível de inserção econômica e política do Brasil. Mesmo porque a visão de Bergman do ovo da serpente pode não ser a única para descrever a situação brasileira. Há serpentes e serpentes. Se fosse atribuir o ovo a algum réptil, diria que o processo de conflitos está gestando uma iguana - uma situação esdrúxula em que todos podem sair perdendo, mesmo quem sonha em se aproveitar dela. As mediações políticas acabaram. A democracia brasileira é um veículo se...

SISTEMA ELEITORAL FAVORECE "PROSTITUIÇÃO DE MANDATO"

“Deixam de existir intocáveis,” diz promotor sobre prisão de mensaleiros Pedro Abi-Eçab, que combate crime organizado, afirma que sistema eleitoral favorece ‘prostituição do mandato’ Por Fausto Macedo O promotor de Justiça Pedro Abi-Eçab defende a criação de um banco de dados no combate à corrupção. Para ele, falta colaboração dentro do próprio poder público. “Um órgão não confia no outro. Não há bancos de dados unificados que possibilitem pesquisas instantâneas. As investigações são feitas com muito papel, duram anos, custam caro, e são pouco eficientes”, avalia. Promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de Rondônia, Pedro Abi-Eçab adverte que no Brasil “o corrupto fica na rua e os ladrões de mercadinho estão na cadeia”. Segundo ele, a lei reflete essa cultura. “O furto com arrombamento tem praticamente a mesma pena que o peculato, segundo nosso Código Penal.” Pedro Abi-Eçab foi o vencedor da 10.ª ediçã...

DA MÍDIA SEM MORDAÇA - 16-02-14

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NA COLUNA DO AUGUSTO NUNES Imagens em Movimento: O cinema e a cidade resistiram à história SYLVIO DO AMARAL ROCHA Londres não mudou quase nada em 100 anos. Foi o que o cineasta Simon Smith descobriu ao refazer, em 2013, o trajeto percorrido por Claude Friese-Greene no fim da década de 1920. A capital britânica foi a última escala desse cinegrafista que circulou pela Inglaterra com uma câmera a cores (bastante moderna para a época) para registrar seus travelogues – uma espécie de cartão postal em movimento, que encantava as plateias por levar às telas paragens desconhecidas e exóticas. Em fevereiro de 2013, ao deparar com o filme The Open Road, recém restaurado pelo British Film Institute (BFI) – que pode ser descrito como um tipo de cinemateca –, Smith começou a repetir as tomadas de Freise-Greene. Além da minuciosa pesquisa para encontrar o local exato da filmagem original, o cineasta, que em vez de película usou uma câmera digital, teve o cuidado de utilizar lentes equivale...

REFLEXÃO EVANGÉLICA - 16-02-14

Os superiores e os inferiores A autoridade, tanto quanto a riqueza, é uma delegação de que terá de prestar contas aquele que se ache dela investido. Não julgueis que lhe seja ela conferida para lhe proporcionar o vão prazer de mandar; nem, conforme o supõe a maioria dos potentados da Terra, como um direito, uma propriedade. Deus, aliás, lhes prova constantemente que não é nem uma nem outra coisa, pois que deles a retira quando Lhe apraz. Se fosse um privilégio inerente às suas personalidades, seria inalienável. A ninguém cabe dizer que uma coisa lhe pertence, quando lhe pode ser tirada sem seu consentimento. Deus confere a autoridade a título de missão, ou de prova, quando O entende, e a retira quando julga conveniente. Quem quer que seja depositário de autoridade, seja qual for a sua extensão, desde a do senhor sobre o seu servo, até a do soberano sobre o seu povo, não deve olvidar que tem almas a seu cargo; que responderá pela boa ou má diretriz que dê aos seus subordinados e qu...

BRASIL: O PARAÍSO PERDIDO

O paraíso perdido. E seco ALBERTO DINES 15 FEV 2014 - 11:44 BRST Passamos semanas inteiras fixados no céu, tentando identificar a forma das nuvens, força e direção dos ventos, descrentes das charmosas e perplexas “moças do tempo”. Os privilegiados caiçaras, praianos, acrescentaram às rotinas diárias a tarefa de perscrutar o mar, a cor e a temperatura da água e os que foram escoteiros na infância ou, na juventude decoraram as apostilas de meteorologia para tirar o brevê de piloto ou pára-quedista, transformaram-se em profetas climáticos. “Estou sentindo o cheiro de chuva” deixou de ser uma constatação exclusiva dos esotéricos. Com os narizes cada vez mais entupidos pela poluição urbana, tentamos retornar às origens rurais para reencontrar o tempo passado. Ou o paraíso perdido. Não o inspirado épico composto pelo libertário John Milton (1608-1674), mas o do viajante e navegador italiano Américo Vespucci que aportando ao litoral brasileiro (1501) decretou que aquele era o paraíso ...

UMAS E OUTRAS DO HELIO FERNANDES - 15-02-14

PONTE RUBENS PAIVA. O CRIME DO RACISMO. DONA DILMA ATERRORIZADA HELIO FERNANDES – A revolta contra esse tipo de perseguição tem que ser a maior possível, contra jogadores, torcedores e dirigentes de clubes. Não adianta pedir desculpas, dizer, “estamos envergonhados”. Não há desculpas possíveis. A punição tem que ser duríssima, começando pelo clube, que deve ser eliminado, ou no mínimo, vá lá, suspenso por um ou dois anos de disputar qualquer competição. Expulsando o clube, automaticamente está punido o torcedor, deixando longe o chamado “dirigente”, que na verdade é o culpado principal. De 1860 até 1865, quando foi assassinado, precisamente quando liderou a campanha contra a discriminação, o racismo e o preconceito, Abraham Lincoln pensou que estava plantando uma árvore numa floresta fascinante. 154 anos depois Lincoln continua um herói do combate à pior de todas as discriminações. Mas a árvore que plantou com o sacrifício da própria vida, continua uma plantinha, agredida, sac...