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Terça-feira, 4 de agosto de 2015
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Ainda não se sabe qual nome esquisito terá a próxima operação da Lava Jato. Mas a cúpula do PT recebeu a informação de que os próximos alvos serão o consultor de empresas Antônio Palocci Filho. Ribeirão Preto, onde Palocci foi prefeito, é o terror da petelândia. Operava por lá o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que já sinalizou a aliados de negócios estar disposto a aderir a uma "colaboração premiada", caso sua prisão provisória acabe convertida em preventiva. Petistas também souberam que outro nome que pode entrar na dança das investigações é o do publicitário João Santana, marketeiro da Presidenta Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores.
A aguardada prisão preventiva de José Dirceu de Oliveira e Silva só confirmou uma "tese": o Mensalão nunca terminou e, mais grave ainda, se sofisticou, com os esquemas descobertos até agora na Petrobras - e que pode ter um espelho em outras grandes estatais de economia mista e na própria administração direta. Os "pixulecos" (milhões pagos em propinas) têm comprovação. Este fato plenamente dominado por provas judiciais e colaborações premiadas têm tudo para causar mais uma condenação a Dirceu, que já foi chamado de "capitão do time de Lula" e estava na confortável "prisão domiciliar", em Brasília, certamente dando suas "consultorias". Agora, a dúvida cruel: Dirceu vai calar ou falar?
O retorno de Dirceu à cadeia teve repercussão internacional, principalmente em Portugal. Manchetes de jornais portugueses desta terça-feira demonstram o quanto ficou politicamente complicada a situação do chefão-mor da PTlândia, Luiz Inácio Lula da Silva: "Lava Jato - Aperta-se o cerco a Lula da Silva" e "José Dirceu, braço direito de Lula, é preso na Lava Jato". Os lusitanos relacionam, abertamente, os esquemas do Mensalão e do Petrolão com o escândalo que envolve o poderoso grupo Espírito Santo. Se a Lava Jato firmar um acordo de cooperação com a justiça portuguesa, a exemplo do que ocorreu com a suíça, vamos ter muita gente da cúpula petista "pisando nas tamancas" - como se diz lá na Terrinha...
Lobistas de Brasília continuam sem certeza se Dirceu vai partir para alguma transação penal - conforme o Alerta Total já antecipou. José Dirceu de Oliveira e Silva, um dos ideólogos do Partido dos Trabalhadores e considerado da linha "stalinista" da agremiação chefiada simbolicamente pelo $talinácio, tem a chance histórica de promover sua tão sonhada revolução, se abrir o bico. No entanto, o irmão dele, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que cumprirá prisão temporária de cinco dias, já tinha sinalizado a amigos que "entregaria tudo" se acontecesse algo de pior (como uma prisão).
No despacho em que decretou a prisão preventiva de Dirceu, por corrupção e lavagem de dinheiro, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, afirmou o petista demonstrou "acentuada conduta de desprezo não só à lei e à coisa pública, mas igualmente à Justiça criminal e a Suprema Corte". Moro indicou ter “fundada suspeita” de que as propinas recebidas por José Dirceu na Petrobras tenham se iniciado ainda na época na qual ele exercia o cargo de ministro chefe da Casa Civil e ainda durante o exercício do mandato de parlamentar federal.
Moro ressaltou que as provas de recebimento de propina durante o julgamento da Ação Penal 470 no STF (o famoso Mensalão) “reforça os indícios de profissionalismo e habitualidade na prática do crime”. As investigações da operação Pixuleco revelaram que Dirceu recebeu pagamentos através de falsos contratos de prestação de sua empresa, a JD Consultoria. A grana vinha em dinheiro vivo ou na forma de ressarcimento de despesas pessoais - como pagamentos de viagens com táxi aéreo e reformas de imóveis em São Paulo e Vinhedo (onde morava antes da prisão domiciliar forçada, em Brasília).
As delações premiadas revelam que Dirceu recebeu um total de R$ 8,597 milhões pagos por empresas como Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, UTC, Egesa e Engevix, pagos de 2009 até outubro de 2014. Pelo menos duas delas, a OAS e a UTC, fizeram pagamentos até 2014, depois que Dirceu já havia sido condenado. Dirceu também recebeu R$ 8,446 milhões do laboratório EMS e R$ 1,379 da empresa Monte Cristalina em parcelas mensais, que continuaram a ser pagas mesmo depois que ele foi recolhido à prisão.
Dirceu foi condenado pelo STF em dezembro de 2012. Foi preso em 15 de novembro de 2013. Permaneceu na prisão até 28 de outubro de 2014. O juiz Sérgio Moro, no despacho do pedido de prisão, chamou a atenção para o estranho pagamento ao "consultor" Dirceu: "Afinal, não é crível que José Dirceu, condenado por corrupção pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, fosse procurado para prestar serviços de consultoria e intermediação de negócios após 17 de dezembro de 2012 e, inclusive, após sua prisão. Em realidade, parece pouco crível que fosse procurado até mesmo antes, pelo menos a partir do início da ação penal 470 pelo plenário do STF em meados de 2012". 
Os "colaboradores premiados" Milton Pascowitch e Júlio Camargo ferraram com Dirceu. Pascowitch descreveu como três fornecedoras da Petrobras garantiam a "maior parte da renda para o grupo de Dirceu": a Hope (fornecedora de mão de obra técnica terceirizada), a Personal Services (que prestava serviço idêntico) e a Apolo (fornecedora de tubos). Pascovitch contou que o dinheiro em espécie era entregue a Dirceu no escritório da JD Consultoria, próximo ao Parque do Ibirapuera (SP). Só quando Dirceu não precisava de recursos, segundo Pascowitch, o saldo era entregue a João Vaccari, tesoureiro do PT.
Milton Pascowitch revelou que a Hope pagava 3% do valor líquido do contrato, com valores que variavam de R$ 500 mil a R$ 800 mil por mês. Segundo o delator, Dirceu ficava com 30% deste bolo. O restante era dividido entre Renato Duque (40%) e Pascowitch (30%). O lobista Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura tinha uma mesada fixa de R$ 180 mil nesta operação. Pascovitch também denunciou que fez um contrato falso com a JD Consultoria, também em nome de sua empresa, a Jamp Engenheiros, para "cobrir o caixa da JD em qualquer eventualidade". Na versão do delator, tal mesada variava de R$ 80 mil a R$ 90 mil. 
Pascovitch registrou dois pagamentos extras - de R$ 300 mil e R$ 400 mil. O último chamou atenção porque seria destinado a pagar um escritório de advocacia. Pascovitch delatou ter recebido pedidos de socorro do assessor Roberto Marques e do irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, pedindo adiantamentos para futura compensação, a fim de fecharem a folha de pagamento mensal da JD. Pascowitch confirmou a compra de um imóvel para a filha de Dirceu, Camila Ramos de Oliveira e Silva, no valor de R$ 500 mil, “tendo o valor sido decorrente de propinas acertadas em contratos da Petrobras”. 
Milton Pascowitch confirmou que Dirceu efetivamente prestou um serviço de consultoria à empreiteira Engevi, levando representantes da empresa para negociar contratos no Peru, no setor de águas, energia e petróleo. O delator premiado só ressalvou que o resto do pagamento feito a Dirceu foi resultante da propina pela obra de Cacimbas 2, uma unidade de tratamento de gás da Petrobras. Pascowitch frisou que, além de ganhar o negócio sem licitação, o contrato de R$ 1,3 bilhão teve o valor aditivado pelo menos três vezes. 
Por tal "consultoria", segundo Pascowitch, Dirceu foi pago indiretamente com a reforma de um apartamento em São Paulo e de uma casa em Vinhedo. A residência, vizinha a do ex-ministro e que ele utilizaria como escritório, estava em nome de uma empresa, a TGS Consultoria, pertencente a Júlio César dos Santos, que foi sócio de Dirceu até o fim de 2013. Os pagamentos à arquiteta da obra foram feitos por meio de uma doação de R$ 1,3 milhão. Já no apartamento em São Paulo, localizado na rua Estado de Israel, que estava em nome do irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, a Jamp de Pascowitch pagou na reforma R$ 1 milhão à construtora Halembeck Engenharia. No total, Pascowitch estima que gastou uns R$ 4,5 milhão só com Dirceu.
Se Dirceu partir para uma "delação premiada", certamente, vai ferrar o esquema petista. A não ser que alegue, agora, uma tese sem consistência, contrária à pregada no Mensalão ou no começo do Petrolão, segundo a qual o esquema de corrupção era para beneficiar um esquema político-partidário, e não sua cúpula de dirigentes. Pelas "colaborações" da Lava Jato, ficou claro que as propinas cumpriam a dupla função de irrigar o partido e o bolso de seus controladores.
Por causa das delações e provas, tudo indica que a casa de Dirceu caiu. Nem vai adiantar que Dirceu tente apelar para seu estado de saúde supostamente problemático, para tentar se livrar da cadeia. Diabetes é um problema fartamente sofrido por presos no medieval sistema carcerário tupiniquim. O fato concreto é que Dirceu sabe muito sobre muita gente poderosa. Situação idêntica a de Antonio Palocci, João Santana e do poderoso Luiz Inácio Lula da Silva...
(...)


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