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UM EXEMPLO DE HONESTIDADE

Cearense devolve carteira com US$ 1.260
Lêda Pinto havia sido assaltada no dia anterior e teve R$ 200 roubados. O dinheiro encontrado equivale a cerca de 14 vezes esse valor. Material foi entregue à Polícia Federal, que devolveu a quantia ao costarriquenho
THIAGO PAIVA
"Na hora, só conseguia me imaginar no lugar dele: turista, num país estranho, sem dinheiro, cartões e documentos. Eu estaria apavorada", afirmou Lêda.

Um dia após ter sido assaltada, quis o destino que a cearense Lêda Pinto Bandeira Lima, de 48 anos, tropeçasse numa chance de reaver muito mais do que a quantia que lhe foi tomada. Na tarde da última quinta-feira, 12, poucas horas antes de a seleção brasileira entrar em campo, a pedagoga encontrou a bolsa de um membro da delegação da seleção de futebol da Costa Rica, identificado como Eduardo Francisco Torres Nunez. Além dos documentos e cartões de crédito, a bolsa também guardava uma carteira recheada com a quantia de US$ 1.260. O valor, se convertido para o real, equivale a aproximadamente R$ 2.900, cerca de 14 vezes o valor roubado da cearense.
Mas onde muitos viram uma oportunidade, Lêda enxergou oportunismo. Resolveu que devolveria tudo ao dono, só não sabia como. “Eu nem sabia que ele era membro da delegação da Costa Rica. Na hora, só conseguia me imaginar no lugar dele: turista, num país estranho, sem dinheiro, cartões e documentos. Eu estaria apavorada”, relembrou.
Naquele dia, Lêda, que trabalha como chefe do setor financeiro de uma gráfica, saiu do trabalho por volta das 12h30min. Apanhou um táxi e foi até o Centro da Capital. Pretendia ir à mesma loja onde havia sido assaltada no dia anterior, localizada na avenida Heráclito Graça, nas proximidades do Banco Central. Lá, R$ 200 lhe foram tomados por criminosos armados. O estabelecimento, contudo, estava fechado.
Ao descer do táxi para conseguir mais informações, pisou sobre uma pochete que guardava o material do estrangeiro, que é diretor-técnico da seleção sub-18 da Costa Rica. “Quando vi o dinheiro fiquei preocupada em devolver logo, mas não queria me expor. Fui direto pra casa e pedi ajuda ao meu marido. Procuramos a delegação ligando para hotéis, mas não conseguimos encontrar. Até que ele sugeriu que procurássemos meu irmão, que trabalha na Polícia Federal. E assim fizemos”, contou Lêda.
Na sede da PF, no Bairro de Fátima, eles entregaram todo o dinheiro e documentos. No dia seguinte, o material foi devolvido pela Polícia ao costarriquenho. “Eles me convidaram pra devolver pessoalmente, mas eu não quis. Sou muito tímida. Pedi somente que dissessem que foi uma brasileira quem achou e devolveu”, disse. 
Honestidade e exemplo 
Durante entrevista ao Lêda fez questão de enfatizar que em nenhum momento cogitou ficar com o dinheiro. “Algumas pessoas disseram que eu deveria ter ficado com o dinheiro, já que eu precisava, pois tinha sido assaltada no dia anterior. Respondi, primeiramente, que não foi ele (costarriquenho) quem me assaltou. Segundo, se eu ficasse com o dinheiro, estaria agindo da mesma forma como os que me assaltaram. Por último, aquele dinheiro nunca foi meu. Tive a sorte de encontrar. Aliás, ele teve a sorte de eu achar”, brincou.
Casada, de religião evangélica e mãe de dois filhos (de 25 e 22 anos), ela viu na família e nos ensinamentos religiosos a inspiração para agir da maneira correta. “A educação que meus pais me deram e os princípios da minha igreja me ensinaram que o que é meu, é meu. O que é dos outros não me pertence. Dinheiro é sempre bom, quando vem do nosso suor. Minha família apoiou minha decisão e estou muito feliz com isso. Minha consciência está tranquila”, concluiu. 
O POVO entrou em contato com a delegação da seleção da Costa Rica para obter informações sobre Eduardo Francisco Torres Nunez. Até o fechamento desta matéria, contudo, não houve retorno da delegação.

Do Jornal O Povo de 17-6-14.

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