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DIA INTERNACIONAL DE RECORDAÇÃO DO HOLOCAUSTO

Posted: 27 Jan 2014 10:14 AM PST
Hoje (27 de janeiro), lembra-se a tragédia do Holocausto, um genocídio sem paralelo, cometido em nome da intolerância. A ignorância, a estupidez e o ódio, longamente alimentados, à boleia do Nazismo encontraram os seus bodes expiatórios. Como é costume, mas em proporções e com crueldade inéditas.
Na Alemanha nazi, todos os que possuíam alguma característica distintiva, foram perseguidos e eliminados em nome de uma difusa ideia de "sociedade ideal". Os alvos foram de tipo "racial" (judeus, africanos, ciganos...), político (socialistas, sociais-democratas, comunistas...), religiosos (judeus, católicos, Testemunhas de Jeová...), de orientação sexual (homossexuais), de constituição orgânica (pessoas portadoras de limitações físicas) ou de sapiência (homens de génio foram eliminados por não defenderem o Nazismo; um apaniguado do regime nazi até costumava dizer: "Quando ouço falar de Cultura puxo logo da pistola!").
Custa a crer como, em pleno século XX, houve multidões capazes de seguir um alienado que propunha uma sociedade de cidadãos formatados e idealizados (altos, louros, de olhos azuis, germânicos, nazis), e a eliminação dos que fugissem ao estereótipo. 
No seu artigo, Esther Mucznik lembra a importância de não se esquecer tragédias como esta - não para que tenhamos "pena" das vítimas (como ela frisa). Muito menos para se ter raiva a quem perpetrou tais atrocidades; sabemos, pela lei da reencarnação (que faz parte das crenças judaicas, e consequentemente do ensino de Jesus de Nazaré e das crenças dos Primeiros Cristãos), que vítimas de hoje terão sido muitas vezes algozes de ontem; e que, além do mais, errar é humano e perdoar é divino.
É útil lembrar para que aprendamos alguma coisa com estes erros calamitosos. A aprendizagem faz-se por tentativa e erro - verdadeiro nos bancos da escola como nos bancos da vida, e das vidas sucessivas.
As duas guerras mundiais (e em particular a segunda), não pouparam o Espiritismo, que foi duramente reprimido, tendo também o património das associações espíritas sido confiscado ou destruído. Que saibamos, não morreram espíritas nos campos de concentração nazis, mas morreram em Espanha, fuzilados, durante a ditadura Franquista.
Os judeus sempre foram alvo da acrimónia clerical e popular pelo facto de serem estritamente monoteístas e se terem recusado (enquanto religião), a abrir mão dessa crença e a alargá-la à Santíssima Trindade (de que José Reis Chaves fala no post anterior, por sinal). Curiosamente, é também esse o motivo da acrimónia que nós, espíritas, sofremos, da parte de muita gente fanatizada. As bicadas dos ateus costumam ficar-se por um indolente sentido de superioridade e escárnio, que dedicam a todos os que acreditam em Deus. A típica esperteza saloia, a troça dos ignorantes. Mas as investidas dos crentes são por vezes de tal intensidade, que, como costuma dizer o nosso companheiro Alamar Régis, seriam capazes de nos atirar para as fogueiras da Inquisição. Tais investidas chegam-nos de sectores cristãos, que não aceitam o nosso estrito monoteísmo. Querem por força que divinizemos Jesus de Nazaré - ele, que jamais afirmou ser Deus.
Os aspectos hediondos das perseguições, do estúpido preconceito e da cega intolerância, tardam em acalmar os sentimentos de ódio, de descarga de frustrações, que algumas pessoas ignorantes dedicam a quem é diferente. 
Nas coisas mais triviais, como nas maiores, ainda se vive muita intolerância. No futebol, que é uma espécie de religião laica no nosso país, os adeptos agridem-se barbaramente porque defendem cores clubísticas diferentes - como se não estivessem ambas as partes a fazer a mesma coisa: apoiar um clube. Sintomático.
Em certos cantos do mundo, grassa a violência religiosa. Em muitas sociedades, o debate político é substituído pela força dos punhos ou das armas - e por cá, se não é assim, usa-se tantas vezes a calúnia, a chantagem, a desonestidade. Democracia, liberdade, direitos humanos, ainda são palavras vãs em continentes inteiros.
Alguns heterossexuais perseguem quem tem uma orientação sexual diferente. Pessoas de cores de pele diferente dedicam-se um ódio mortal, quando cada um tem a cor de pele que Deus lhe deu. E por aí fora.
Mais boa-vontade e mais Cultura, precisa-se. A tal cultura que o outro queria matar com uma pistola.

(Ilustração: fénix renasce das cinzas)

Do Blog do Espiritismo de 27-01-2014.

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