Pular para o conteúdo principal


Sobre a insignificância do valor dos tratados

Carlos Chagas
Tribuna da Internet, 16-7-12
Quando mesmo tímida e inutilmente os generais da Wehrmacht protestavam contra a quebra dos tratados internacionais que levavam a Alemanha nazista a invadir a Áustria, a Tchecoslováquia, a Polônia, a Bélgica, a Holanda, a Noruega, a Dinamarca e, por fim, a União Soviética, a resposta de Adolf Hitler era sempre a mesma, sobre “o valor insignificante dos tratados, que foram feitos para ser rompidos”.
Guardadas as proporções, as eleições municipais de outubro e a perspectiva das eleições gerais de 2014 vem revelando o mesmo conceito, em se tratando dos partidos da base parlamentar do governo e até os da oposição. A começar pelo PT, mas passando pelo PMDB, o Partido Socialista, o PR, o PP, o PTB, o PDT e outros, sem esquecer o PSDB e o DEM, prevalece o espírito do Terceiro Reich: vencer é o objetivo final. Ético é o vencedor, quaisquer que tenham sido seus métodos.
Assistimos e mais assistiremos a um festival de traições e quebra de compromissos entre os partidos, ou melhor, entre seus líderes, candidatos maiores ou menores ao papel de Fuherer em suas disputas. De São Paulo a Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e outras capitais, vale a perspectiva de vitória, mesmo às custas de compromissos anteriores.
Seria bom prestar atenção nas preliminares da sucessão presidencial. Michel Temer, em entrevista no fim de semana, reafirma a aliança entre PMDB e PT, contentando-se em permanecer na vice-presidência da chapa encabeçada por Dilma, mas… Mas seu partido poderá lançar candidato próprio se as condições mudarem. O PT marcha com a reeleição da presidente da República, mas… Mas se o Lula quiser, ele será indicado. Eduardo Campos sai do palácio da Alvorada entoando juras a Dilma e apesar de haver rompido acordo com o PT em diversas prefeitura estaduais, mas… Mas o governador de Pernambuco está aí mesmo para disputar o palácio do Planalto caso a situação apareça. O PR, o PTB e o PDT estão com o governo federal, mas em São Paulo inclinam-se por José Serra. Na capital mineira, desfez-se a aliança de anos atrás.
No PSDB, teve-se a impressão de ser Aécio Neves o candidato natural à presidência depois que Serra optou pela prefeitura paulistana, mas o candidato duas vezes derrotado no plano federal deixa a janela aberta para uma terceira disputa ou, pior ainda, mostra-se simpático a um acordo com o Partido Socialista, em torno da candidatura de Eduardo Campos, rejeitando o ex-governador de Minas. O DEM evolui voltado para os quatro pontos cardeais a um só tempo e o recém-fundado PSD tem como símbolo as birutas de aeroporto.
E assim por diante, numa demonstração da insignificância do valor dos tratados. Nada de novo debaixo do sol…
###
INTERREGNO DESNECESSÁRIO
Legislativo e Judiciário estão perdendo excelente oportunidade de demonstrar o indemonstrável, ou seja, que a coisa pública deve prevalecer sobre os interesses individuais.
A CPI do Cachoeira não tinha nada que interromper seus trabalhos nesta última semana de julho, para seus integrantes gozarem um ócio imerecido quando precisariam estar adiantando investigações e depoimentos. Ficaram para agosto as oitivas de Luís Pagot, Fernando Cavendish e, agora com maiores razões, o retorno do governador Marconi Perillo e suas novas relações com o contraventor, reveladas por uma revista semanal. Quando retornarem, os integrantes da CPI estarão no mínimo enferrujados e desmotivados.
No Supremo Tribunal Federal, coisa parecida. Se tivessem cancelado as férias, por sinal gozadas o mês inteiro, os Meretíssimos teriam dado prova inconteste de que o processo do mensalão será julgado antes das eleições municipais. Agora, permanece a dúvida, correndo por conta dos artifícios malabarismos dos advogados dos 38 réus.
Ficará o Executivo fora desse leniente recesso de país rico? Seria bom verificar se existem ministros e altos funcionários de férias. A presidente Dilma mantém sua agenda intocada, mas em volta dela?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Notícias em Destaque

Brasil tem menor média de casos de covid do ano(Ler mais)   Mourão nega renúncia e diz que segue no governo ‘até o fim’ Relação entre o vice e Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a ser alvo de especulações após o presidente dizer que o general ‘por vezes atrapalha(Ler mais) A economia a gente vê depois: Governadores e Prefeitos ainda não se pronunciaram em como vão ajudar a população: “o depois chegou, e agora?”(Ler mais) Com ódio: Governo Doria multa o presidente Bolsonaro e sua comitiva: “pode chegar a 290 mil reais”(Ler mais) Ministros do STF querem resposta imediata de Luiz Fux sobre declarações do presidente alegando fraude nas urnas eletrônicas(Ler mais) Renan Calheiros e Humberto Costa querem sigilos bancários de Jornalismo independente “disseminadores de fake”(Ler mais) Justiça prorroga prisão de autor do vandalismo em estátua de Borba Gato(Ler mais)

Notícias em Destaque

  Passageiros em voos para o Ceará devem fazer teste de Covid-19, recomenda novo decreto do Governo (Ler mais) Voto auditável: Arthur Lira deve negociar com Bolsonaro e Barroso um texto que agrade a ambos e encerre a celeuma (Ler mais) Seleção Brasileira de Futebol se recusa a subir no pódio com o patrocínio de marca chinesa (Ler mais) Novidade: na visita de Bolsonaro a Florianópolis teve a “jet-skiCIATA”, VEJA O VÍDEO (Ler mais) Justiça Eleitoral custa ao país R$27 milhões por dia (Ler mais) Arthur Lira defende separação dos Poderes: ‘Dançar junto sem pisar no pé de ninguém’ Em meio ao embate entre o Planalto e o STF, presidente da Câmara disse que convivência deve ser ‘civilizada, democrática, sempre harmônica e independente (Ler mais) Por que Lira decidiu levar o voto impresso para o plenário da Câmara Em pronunciamento na sexta-feira, presidente da Casa destacou que conjunto de deputados dará veredito ‘inquestionável e supremo’ sobre a proposta (Ler mais) Procuradores e juízes ...