DA MÍDIA SEM MORDAÇA
COLUNA DO CLÁUDIO HUMBERTO
Por negar cargo,
PT e PMDB estão segurando a quebra de sigilo
das empresas que receberam dinheiro da Alberto & Pantoja
Construções. De 29, apenas uma teve sigilo quebrado. A maioria tem sede
no Rio de Janeiro.
Por negar cargo,
Mantega pode
ser alvo na Câmara
O presidente da Câmara, Marco Maia, e os
líderes do PT, Jilmar Tatto e do governo, Arlindo Chinaglia, esperam a
primeira oportunidade para dar o troco no ministro Guido Mantega
(Fazenda), que se negou a aceitar indicação deles para cargo ao Banco do
Brasil. Os petistas também reivindicaram ao governo cargo na Agência
Nacional de Saúde e na diretoria de Abastecimento da Petrobras. Não
foram atendidos.
Brasileirinho
O slogan “Juntos num só ritmo”, da Copa de
2014, tem lá seu fundo de ironia: devagar quase parando ou correndo para
acabar as obras?
Festa no Rio
Voz da experiência
Em conversa com núcleo duro do PMDB, o
presidente do Senado, José Sarney, avaliou que, de duas, uma: ou o
ministro Gilmar Mendes (STF) e o ex-presidente Lula baixam a bola, ou
estão fadados à destruição.
A BOLA DA VEZ É O CERRADO
Por Carlos Chagas
A
cobiça e a desfaçatez internacionais não tem limites. Depois de
séculos de tentativas para apoderar-se ou para estagnar o
desenvolvimento da Amazônia, nossos irmãos lá de cima voltaram-se para o
Pantanal. Chegaram a interromper a abertura de uma hidrovia que
ligaria Cáceres à Bacia do Prata, favorecendo o escoamento da produção
em toda a região, em nome da preservação de meia-dúzia de peixinhos
vermelhos encontrados nas barrancas do rio Paraná.
Pois não é que foram
mais além? A bola da vez, agora, é o Cerrado. O Washington Post e o
New York Times, coincidentemente no mesmo dia, segunda-feira, como
porta-vozes do imperialismo, abriram suas páginas para denunciar que nos
últimos quarenta anos metade da região foi "desflorestada".
Por coincidência, desde a
fundação de Brasília. A "denúncia" corre por conta da Conservation
Internacional, uma dessas fajutas e poderosas ONGs que servem aos
interesses de multinacionais de diferentes espécies.
Além de malandragem, exprimem
ignorância, porque parte da "floresta" do Cerrado foi substituída por
campos de plantio de soja, milho, feijão, algodão, cana e pastagens a
perder de vista, para abrigo da pecuária que hoje alimenta o mundo.
Tratou-se de um dos múltiplos efeitos positivos da criação da Nova
Capital, que trouxe o progresso ao Centro-Oeste, transformando-se num
dos principais celeiros do país, do continente e do planeta. Sem aquilo
que metade do Cerrado produz hoje, estaríamos a braços com a fome e a
miséria integrais, em proporção muito superior à que ainda nos assola.
Esses bandidos temem dois
efeitos principais: um, a produção em massa do etanol, que substituirá
o petróleo e o carvão por energia renovável e não poluente, capaz de
virar de cabeça para baixo a tragédia promovida pela exploração dos
combustíveis fósseis, aliás, em extinção.
O outro efeito é mais direto.
Com a multiplicação do plantio da cana, para fazer etanol, deixará de
crescer o plantio da soja, da qual somos o maior produtor
mundial. Com isso, vão subir seus deteriorados preços, controlados
pela Bolsa de Chicago. O resultado é que o Brasil ganhará mais na
exportação, ou melhor, será menos explorado nesse produto. E eles
deixarão de ganhar o que ganham...
O argumento pueril que
levantam serve para sensibilizar alguns ecologistas tolos e outro tanto
de bandidos, a respeito de "o etanol estar comendo a paisagem do
Cerrado". Pois que coma, se a consequência será o aproveitamento
racional desse vasto território onde existem 160 mil espécies de
animais. Não se preocupem. Preservaremos o Cerrado onde pode e deve ser
preservado, mas sem nos preocuparmos em mantê-lo como um desértico e
imutável jardim zoológico.
(republicado a pedidos)
BLOG DO CORONELEAKS
domingo, 3 de junho de 2012
Apareceu a Elba do Perillo.
Estão brigando com um Davi, só que esse Davi não tem medo de nenhum
Golias, não.' Assim o jornalista Luiz Carlos Bordoni mostra a disposição
de ir à CPI do Cachoeira para falar sobre a acusação - feita com
exclusividade ao Estado - de que foi pago por uma empresa ligada ao
contraventor Carlinhos Cachoeira por serviços prestados à campanha do
governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em 2010. Em nova
entrevista, Bordoni afirma que negociou diretamente com o tucano
pagamento de R$ 120 mil pela atuação na campanha, contradizendo a versão
do governo, de que o valor foi de R$ 33,3 mil.
Como o sr. avalia as afirmações do governo goiano de que suas declarações são mentirosas e de que vai processá-lo?
É
um direito que eles têm de entrar com ação contra mim, já que eles
acham que estão com a razão. Mas não sei por que o poder está se doendo.
Eu disse que queria esclarecer a situação de um depósito envolvendo o
nome da minha filha e consequentemente o meu nome. Simplesmente contei a
história de como foi feito o depósito. Inclusive houve um segundo
depósito para completar os R$ 90 mil.
Como foi isso?
Estou
fazendo esse levantamento e vou encaminhar até vocês. E tem outro
detalhe: vou solicitar que seja quebrado o sigilo telefônico tanto meu
quanto da minha filha e que também o façam com o telefone do sr. Lucio
Gouthier Fiúza (assessor particular de Perillo) para constatarmos quem
está falando a verdade. Já que eles querem a briga neste nível, nós
vamos brigar neste nível.
Alguém avisou o sr. a respeito desse pagamento?
O Lúcio, que ligou. Nos dois depósitos, foi ele quem me ligou.
Na sexta-feira, parlamentares defenderam sua ida à CPI do Cachoeira. O sr. está disposto a comparecer à comissão?
Se
for para estabelecer a verdade, eu vou a qualquer lugar para defender o
meu nome e o da minha filha. Se quiserem enlameá-los, como estão
tentando fazer agora, vamos ver como vai ficar esse jogo de forças aí.
O sr. tem algum temor?
Não
temo os poderosos, não. Por que tentar imputar a mim a pecha de
mentiroso, de irresponsável? Quer dizer que durante todas as campanhas
que eu fiz eu era o bom e o maravilhoso, e agora eu sou o mentiroso e o
irresponsável? Talvez então eu tenha sido mentiroso e irresponsável ao
pedir voto para ele?
Com quem o sr. negociou sua participação na campanha e o valor do seu trabalho?
Diretamente com o candidato.
O governador Marconi Perillo?
Exatamente.
Como isso se deu?
Nós
sentamos e ele me perguntou: 'Quanto é que você quer?' Eu disse: 'Eu
quero tanto'. Ele respondeu: 'Não, posso pagar tanto'. Eu tinha pedido
R$ 200 mil. Acertamos que seriam R$ 120 mil no primeiro turno e mais R$
50 mil caso a campanha fosse vitoriosa.
Quando foi esse encontro?
No
escritório dele. Eu já havia estado com ele antes, no gabinete dele,
quando ele era vice-presidente do Senado. Ele até havia perguntado para
mim o que eu achava de ele voltar a ser candidato em Goiás. Eu disse que
era bobagem, que quem tem que pensar em futuro tem que pensar para a
frente. Voltar é regredir. Defendi isso no gabinete dele.
Onde fica o escritório onde o sr. negociou com ele a participação na campanha?
Em Goiânia. Sentamos e conversamos. Tinha várias pessoas para ele receber em audiência. A conversa foi um tanto rápida.
Há testemunhas?
Testemunhas de que entrei para conversar com ele tem. As pessoas que o secretariam viram eu entrar e conversar com ele.
Quando foi isso?
Campanha começa em agosto, as coisas são negociadas mais em junho, julho, foi por aí.
Foi o governador ou alguém do estafe dele que chamou o sr.?
Ele
me chamou. Tanto é que ele me perguntou quanto eu queria pela campanha.
Eu fiz a primeira campanha dele, em 1998. As pessoas se esquecem das
coisas. Hoje eu sou o bandido, o mentiroso, o irresponsável. Não queria
estar falando isso para você nem para os leitores do seu jornal. Agora,
eles provocaram isso. Estão brigando com um Davi. Só que esse Davi não
tem medo de Golias nenhum, não.
Como foram feitos os pagamentos ao sr. em outras campanhas?
Nas campanhas anteriores não percebi nada de irregular, não. Tudo ocorreu normalmente.
Com quem o sr. conversou sobre a primeira parte do pagamento, que o sr. diz ter recebido ainda na época da campanha?
Eu
estava cobrando o comitê de finanças. Quem estava lá era o Jayme
Rincón, a quem cobrei diretamente. Ele repassou uma perna para o Adriano
(Gehres, marqueteiro de Perillo no primeiro turno em 2010), e ele falou
para o Adriano repassar R$ 30 mil para mim. O Adriano disse que não ia
pagar porque tinha salários para pagar, coisas da equipe dele. Eu não
tinha sido contratado por ele. Nem discuti.
Entrevista publicada pelo Estadão.
Entrevista publicada pelo Estadão.
Chantagem de Lula úne STF para evitar "chicanas" dos mensaleiros no julgamento.
O surgimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no radar do
julgamento do mensalão alertou para um movimento subterrâneo detectado
pelo Supremo Tribunal Federal (STF): manobras projetadas para embaraçar o
processo e jogar a sentença final para depois das eleições.
Diante disso, o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, prepara em conjunto com os colegas alguns antídotos para anular estratégias que podem ser usadas pelos advogados dos réus do mensalão para retardar o julgamento do processo. Com 38 réus a serem julgados e número ainda maior de advogados envolvidos com o caso, os ministros sabem que todos os subterfúgios legais e chicanas poderão ser usados nas sessões de julgamento.
Diante disso, o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, prepara em conjunto com os colegas alguns antídotos para anular estratégias que podem ser usadas pelos advogados dos réus do mensalão para retardar o julgamento do processo. Com 38 réus a serem julgados e número ainda maior de advogados envolvidos com o caso, os ministros sabem que todos os subterfúgios legais e chicanas poderão ser usados nas sessões de julgamento.
Britto pediu à Defensoria Pública que preparasse de cinco a sete
defensores para que fiquem de sobreaviso. Eles serão sacados para atuar
no julgamento caso algum dos advogados peça adiamento da sessão por
estar doente ou se algum dos réus convenientemente destituir seu
advogado e pedir prazo para contratar um novo defensor. Problemas como esses poderiam provocar o adiamento da sessão por
semanas. Esses defensores públicos estudam o caso desde abril e estarão,
de acordo com integrantes do tribunal, prontos para defender os réus de
imediato, sem permitir atrasos no julgamento do processo, que deve se
alongar por dois meses. Leia mais no Estadão.
Ferrovia Norte-Sul não fica pronta de novo e país perde R$ 12 bilhões por ano. Dá para pensar em trem-bala?
O cheiro de comida estragada não impede que Paulo da Silva, 21, descanse
às 14h30 de uma segunda-feira num sofá velho do alojamento do lote 4
das obras da ferrovia Norte-Sul em Uruaçu, a 230 quilômetros de
Brasília. Meses atrás, naquele mesmo horário, Silva estaria entre os 700
trabalhadores que finalizavam o trecho da estrada de ferro que, depois
de 27 anos de promessas, ligaria o Norte ao Sul do Brasil. Agora, ele é o
único por ali. Todos os outros se foram, mas a ferrovia não ficou
pronta.
Sem a Norte-Sul, o país perde R$ 12 bilhões ao ano entre cargas não
transportadas, tributos não arrecadados, poluição pelo uso alternativo
de caminhões e afins, segundo estudo da Valec, a estatal responsável
pela ferrovia que, estima-se, já tenha consumido R$ 8 bilhões. Os
bilhões de prejuízo de 2012 já estão na conta: o governo deixou
vencer contratos com as empreiteiras e a obra não fica mais pronta em
julho, como a presidente Dilma Rousseff anunciara.
O alojamento do piauiense Silva, que veio para Goiás em 2010 no seu
primeiro emprego, fica próximo à BR-080, a Belém-Brasília, por onde
caminhões velhos transportam os últimos grãos da safra de 100 mil
toneladas de soja da cidade, deixando cair parte deles ao longo do
caminho. Quando chegam ao destino, até 12% do que foi embarcado ficou
pela
estrada, diz Alarico Júnior, presidente do Sindicato dos Produtores
Rurais da cidade, decepcionado ao saber que mais uma promessa de
inauguração da Norte-Sul não será cumprida, o que vai lhe custar caro.
"Lula falou duas vezes que ia inaugurar", disse Júnior. "Continuaremos
pagando R$ 2 a mais por saca de soja para levar por
caminhão até Anápolis para de lá ir para o Sul. De trem até o Maranhão,
seria até 40% mais barato."
Luiz Fayet, consultor da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária
do
Brasil), lembra que 46 milhões de toneladas de soja para exportação são
produzidos acima do paralelo 16, onde começa esse trecho da Norte-Sul.
Quase toda essa soja desce de caminhão para o Sul quando poderia, via
ferrovia, chegar aos portos do Norte, mais próximos da Ásia, destino
final do produto. Isso faz o custo de frete no país ser até 300% maior
que o de EUA e Argentina. Ainda que a ferrovia ficasse pronta, não
poderia carregar nada da região
que corta. Isso porque nenhum dos quatro pátios para embarque das
cargas está sequer iniciado.
Entre Palmas (TO) e Anápolis (GO), a obra está 95% concluída. Sem o
término, barrancos caem ao longo da ferrovia, trilhos estão assoreados e
com o mato crescendo. Como a Valec deixou vencer os contratos com as empresas, uma nova
licitação ou uma contratação de emergência terá que ser feita. Se isso
não acontecer até o fim da temporada seca (que termina em outubro), a
estimativa é que os complementos só fiquem prontos no fim de 2013.(Folha de São Paulo)
Daniel Dantas é um dos maiores doadores do PT.
Você que está acostumado a ler ataques contra o banqueiro nos blogs
sujos da esgotosfera, saiba que ele é um dos principais doadores do PT.
E, segundo informações, é sócio do filho do Lula em uma imensa fazenda
na Amazônia. Como este blog sempre disse, petista gosta mesmo é de
dinheiro.
Daniel Dantas engordou a conta de R$ 51 milhões amealhada pelo PT em
2011. Uma agropecuária de sua propriedade doou duas parcelas de R$ 500
mil, a primeira delas três semanas depois de o STJ ter anulado as provas
contra o banqueiro.(Painel da Folha)
A sofisticada organização criminosa continua ativa.
Uma estarrecedora reportagem sobre um partido político que virou uma organização criminosa. Clique para ler. Segundo a revista Free São Paulo, o esquema que matou Celso Daniel continua ativo para " garantir a permanência do Partido dos Trabalhadores no poder."
BLOG DO REINALDO AZEVEDO
VEJA 4 - Os Protocolos dos Sábios do PT: Reportagem tem acesso à lista de alvos do partido na CPI; entre eles, Gilmar Mendes, procurador-geral e imprensa
Vocês
certamente já ouviram falar dos Protocolos dos Sábios de Sião, um texto
redigido em 1897, muito provavelmente pela polícia secreta do czar
Nicolau II, da Rússia, como se tivesse saído da pena de pensadores
judeus. Explicita um suposta conspiração sionista para governar o mundo.
Tornou-se um clássico da sujeira antissemita. Pois bem. A reportagem de
VEJA teve acesso aos “Protocolos dos Sábios do PT” para impor a sua
vontade ao país. Mas há duas diferenças: os protocolos originais eram
falsos; os do PT são verdadeiros. Os judeus nunca tiveram a intenção de
dominar o mundo, já os petistas têm a declarada intenção de dominar para
sempre o país — como revelou Lula no Programa do Ratinho.
Muito bem.
Abaixo vocês lerão trecho da reportagem de Daniel Pereira na VEJA desta
semana. O PT elaborou os protocolos para seus representantes na CPI com
aqueles que deveriam ser os seus alvos. Seriam Carlinhos Cachoeira, a
Delta e a roubalheira? Nada disso!!! Os alvos, está tudo escrito, eram Gilmar Mendes, Roberto Gurgel (Procurador Geral da República), a imprensa e a oposição. Segue trecho da reportagem:
(…)
Nesta edição, VEJA revela a existência de um documento preparado pelos petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira. Lendo o material, é possível imaginar a atmosfera pesada que pontuou a conversa entre o ministro [Gilmar Mendes] e o ex-presidente, ocorrida no dia 26 de abril, no escritório de Nelson Jobim. ex-presidente do STF e amigo de ambos. O nome de Gilmar faz parte de uma lista de alvos preferenciais do PT que precisariam ser atingidos pela CPI do Cachoeira. Outro marcado na lista para sofrer ameaças e humilhações é Roberto Gurgel, procurador-geral da República, a quem caberá defender a punição dos mensaleiros na abertura do julgamento no STF. O guia de ação na CPI, produzido pela liderança petista e ao qual VEJA teve acesso. não deixa dúvida sobre as reais intenções do grupo mais umbilicalmente ligado a Lula. Os alvos preferenciais são os oposicionistas, a imprensa e membros do Judiciário que, de alguma forma, contribuíram ou ainda podem contribuir para que o mensalão seja julgado e passe, portanto, a existir oficialmente como um dos grandes eventos de corrupção da história brasileira - e, sem dúvida, o maior da República.
(…)
Nesta edição, VEJA revela a existência de um documento preparado pelos petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira. Lendo o material, é possível imaginar a atmosfera pesada que pontuou a conversa entre o ministro [Gilmar Mendes] e o ex-presidente, ocorrida no dia 26 de abril, no escritório de Nelson Jobim. ex-presidente do STF e amigo de ambos. O nome de Gilmar faz parte de uma lista de alvos preferenciais do PT que precisariam ser atingidos pela CPI do Cachoeira. Outro marcado na lista para sofrer ameaças e humilhações é Roberto Gurgel, procurador-geral da República, a quem caberá defender a punição dos mensaleiros na abertura do julgamento no STF. O guia de ação na CPI, produzido pela liderança petista e ao qual VEJA teve acesso. não deixa dúvida sobre as reais intenções do grupo mais umbilicalmente ligado a Lula. Os alvos preferenciais são os oposicionistas, a imprensa e membros do Judiciário que, de alguma forma, contribuíram ou ainda podem contribuir para que o mensalão seja julgado e passe, portanto, a existir oficialmente como um dos grandes eventos de corrupção da história brasileira - e, sem dúvida, o maior da República.
O documento
foca em especial Gilmar Mendes. São dedicados a ele quatro tópicos: “O
processo da Celg no STF”, “Satiagraha. Fundos de Pensão. Protógenes”,
“Filha de Gilmar Mendes” e “Viagem a Berlim”. São referências a
episódios em que Gilmar Mendes tem culpa no cartório? Não. São todas
questões já levantadas contra o ministro pelos mensaleiros e seus
defensores e que, uma vez esclarecidas, se mostraram fruto apenas do
desejo de desqualificar um integrante do STF que os petistas consideram
um possível voto contra seus companheiros réus. Se Lula foi mesmo
induzido ao erro por relatórios dessa natureza, é uma questão ainda em
aberto. Mas que ele se entregou de corpo e alma ao erro não há a menor
dúvida. Na conversa com Gilmar, depois de dizer que controlava a CPI e
insinuar que poderia proteger o ministro de uma eventual investigação, o
ex-presidente citou um dos tópicos do documento: “E a viagem a
Berlim?”, perguntou. No documento do PT, está escrito que “há notícias
de que Cachoeira esteve na Europa” na mesma data que Gilmar. “Estamos
lidando com gângsteres, com bandidos que ficam plantando essas
informações”, reagiu o ministro do STF, que foi obrigado a explicar que
viaja sempre para Berlim, onde mora sua filha.
Lula bem
que tentou. Dispensou as liturgias esperadas de um ex-presidente,
brandiu obscenamente versões como se fossem fatos, atropelou a lei,
mandou às favas os bons costumes, a educação e a civilidade. Tudo para
tentar o impossível: apagar da memória recente da nação que, sob seu
governo, se deu o maior escândalo de corrupção da história da República.
Foi patético. E inútil. Revelada sua abordagem a Gilmar Mendes no
escritório de Nelson Jobim, a resposta de Lula veio por meio de uma nota
curta e vacilante, em que se dizia “indignado”. Foi um tiro no próprio
pé. A necessidade de julgar o mensalão tornou-se ainda mais premente.
Disse Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo: “O que a sociedade
quer é compreensível: o julgamento do processo, sem predisposição, seja
para condenar, seja para absolver. O processo está maduro, chegou a hora
de julgá-lo.”
(…)
Leia a íntegra na edição impressa da revista
(…)
Leia a íntegra na edição impressa da revista
VEJA 3 - A CPI do Cachoeira tem de ser, na verdade, a CPI da Delta. Ou: A cachoeira virou tsunami. Ou: VEJA tem acesso a relatório do Coaf e identifica um laranjal
Caros leitores, tenho insistido aqui desde o começo que o rolo envolvendo Carlinhos Cachoeira e a Delta tem duas frentes: a)
uma é a ação do contraventor e seu envolvimento com a jogatina. O caso
tem de ser investigado, e os responsáveis, devidamente punidos; b)
outra, muito mais importante e ampla, diz respeito à Delta — esta sim,
tudo indica, uma rede que se espalha Brasil afora. O bicheiro era apenas
um dos operadores do esquema. Os sábios do PT tentaram limitar a
investigação ao Centro-Oeste porque se deram conta do tamanho do
imbróglio e porque perceberam, como estampa a capa da VEJA desta semana,
que uma investigação ampla exporá o “laranjal” da empreiteira e será um
tiro no pé do próprio PT. Leiam trechos da reportagem de Rodrigo Rangel
e Hugo Marques na VEJA desta semana. A íntegra está na edição impressa
da revista.
*
O policial civil aposentado Alcino de Souza é dono de uma empresa que só existe no papel. Por emprestar o nome à firma, ele mesmo conta que recebia 1.500 reais mensais. O valor é quase nada perto do que passa, ou passava até pouco tempo atrás, pelas contas bancárias da GM Comércio de Pneus e Pecas Ltda., que tem como sede um pequeno escritório de contabilidade em Goiânia. Em um período de apenas sete meses, entre novembro de 2009 e maio de 2010, a GM do policial Alcino recebeu depósitos superiores a 6 milhões de reais. O dinheiro foi remetido à empresa do policial pela empreiteira Delta, que está no epicentro do escândalo que deu origem à CPI do Cachoeira, sob suspeita de funcionar como uma central de pagamento de propina a políticos e funcionários públicos. A loja de pneus é aquilo que o dicionário da corrupção chama de empresa-fantasma. Alcino é o laranja, aquele que empresta o nome para esconder a verdadeira identidade do dono. Ambos são exemplos acabados do que a CPI do Cachoeira pode estar prestes a seguir: a trilha do dinheiro que abasteceu campanhas políticas e pagou propinas a servidores públicos. Um cofre que esconde segredos de mais de 100 milhões de reais.
O policial civil aposentado Alcino de Souza é dono de uma empresa que só existe no papel. Por emprestar o nome à firma, ele mesmo conta que recebia 1.500 reais mensais. O valor é quase nada perto do que passa, ou passava até pouco tempo atrás, pelas contas bancárias da GM Comércio de Pneus e Pecas Ltda., que tem como sede um pequeno escritório de contabilidade em Goiânia. Em um período de apenas sete meses, entre novembro de 2009 e maio de 2010, a GM do policial Alcino recebeu depósitos superiores a 6 milhões de reais. O dinheiro foi remetido à empresa do policial pela empreiteira Delta, que está no epicentro do escândalo que deu origem à CPI do Cachoeira, sob suspeita de funcionar como uma central de pagamento de propina a políticos e funcionários públicos. A loja de pneus é aquilo que o dicionário da corrupção chama de empresa-fantasma. Alcino é o laranja, aquele que empresta o nome para esconder a verdadeira identidade do dono. Ambos são exemplos acabados do que a CPI do Cachoeira pode estar prestes a seguir: a trilha do dinheiro que abasteceu campanhas políticas e pagou propinas a servidores públicos. Um cofre que esconde segredos de mais de 100 milhões de reais.
VEJA teve
acesso a um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras
(Coaf), órgão do governo federal encarregado de monitorar transações
suspeitas de lavagem de dinheiro, em que a Delta aparece relacionada a
movimentações atípicas entre 2006 e o ano passado. São operações que,
pelas regras do sistema oficial de combate a ilícitos financeiros, fogem
ao padrão - como foi o caso da GM Pneus. De uma hora para outra, a
empreiteira passou a registrar grandes movimentações em sua conta, o que
chamou a atenção dos fiscais, que registraram isso no relatório.
(…)
Do total de operações suspeitas listadas no relatório envolvendo a Delta, há pelo menos 115 milhões de reais relacionados a empresas-fantasma, normalmente usadas para fornecer notas fiscais que são emitidas apenas para simular a prestação de serviços que nunca existiram. Um modelo, aliás, que é marca da atuação da Delta e que se encaixa à perfeição no padrão de atuação da empreiteira explicitado por seu dono, Fernando Cavendish, numa conversa gravada com dois ex-sócios. No diálogo, Cavendish escancarava a receita para conseguir bons contratos junto ao poder público: “Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas para ‘c…’. Pode ter certeza disso!”. Não era bravata. Esses mesmos ex-sócios revelaram a VEJA, na ocasião, que Cavendish utilizava notas fiscais frias para justificar a saída de dinheiro que, na realidade, ia parar no bolso de políticos e funcionários que ajudavam a abrir portas e conseguir contratos milionários no serviço público. Foi por esse expediente, aliás, que Cavendish contratou os serviços da “consultoria” do mensaleiro José Dirceu em troca de maior presença da Delta entre os fornecedores da Petrobras.
(…)
Do total de 115 milhões de reais em transações suspeitas apontadas no relatório. 47,8 milhões foram remetidos pela Delta nacional para as empresas Legend Engenheiros Associados (23,2 milhões), Rock Star Marketing (3,9 milhões) e S.M. Terraplenagem (20.7 milhões), as três com endereço em São Paulo. E repete-se o enredo. Nos registros oficiais, a Legend tem como proprietário o técnico em refrigeração Jucilei Lima dos Santos, pai de três filhos, morador de um sobrado modesto no Carandiru, bairro da Zona Norte de São Paulo. Localizado por VEJA na semana passada, Jucilei disse desconhecer a existência da Legend. “Não sei nem que empresa é essa. Nunca nem ouvi falar”, afirmou.
(…)
As informações de que o Coaf dispõe podem servir como bússola para guiar a investigação que a CPI terá de fazer a partir da quebra de sigilo da Delta. Para além dos laranjas, as “operações atípicas” indicam que os saques de dinheiro feitos pela matriz da empreiteira sempre aumentavam nos períodos eleitorais. Em 2006. o Coaf registrou 59 saques sucessivos da Delta ao longo dos trinta dias que antecederam as eleições, somando 5 milhões de reais. O responsável pelos saques foi o gerente financeiro da empresa, Alexandre Wilson Pinto. Mais um dado revelador que deve chamar a atenção da CPI: algumas das empresas de fachada usadas pela Delta aparecem recebendo volumosas quantias de outras grandes empreiteiras detentoras de contratos com o poder público, como a EIT e a Triunfo, prestadoras de serviços para o Ministério dos Transportes, e a UTC, cliente da Petrobras. Em se tratando de CPI, o que era cachoeira virou tsunami. Que certeiro tiro no pé se deu o lulismo!
(…)
Do total de operações suspeitas listadas no relatório envolvendo a Delta, há pelo menos 115 milhões de reais relacionados a empresas-fantasma, normalmente usadas para fornecer notas fiscais que são emitidas apenas para simular a prestação de serviços que nunca existiram. Um modelo, aliás, que é marca da atuação da Delta e que se encaixa à perfeição no padrão de atuação da empreiteira explicitado por seu dono, Fernando Cavendish, numa conversa gravada com dois ex-sócios. No diálogo, Cavendish escancarava a receita para conseguir bons contratos junto ao poder público: “Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas para ‘c…’. Pode ter certeza disso!”. Não era bravata. Esses mesmos ex-sócios revelaram a VEJA, na ocasião, que Cavendish utilizava notas fiscais frias para justificar a saída de dinheiro que, na realidade, ia parar no bolso de políticos e funcionários que ajudavam a abrir portas e conseguir contratos milionários no serviço público. Foi por esse expediente, aliás, que Cavendish contratou os serviços da “consultoria” do mensaleiro José Dirceu em troca de maior presença da Delta entre os fornecedores da Petrobras.
(…)
Do total de 115 milhões de reais em transações suspeitas apontadas no relatório. 47,8 milhões foram remetidos pela Delta nacional para as empresas Legend Engenheiros Associados (23,2 milhões), Rock Star Marketing (3,9 milhões) e S.M. Terraplenagem (20.7 milhões), as três com endereço em São Paulo. E repete-se o enredo. Nos registros oficiais, a Legend tem como proprietário o técnico em refrigeração Jucilei Lima dos Santos, pai de três filhos, morador de um sobrado modesto no Carandiru, bairro da Zona Norte de São Paulo. Localizado por VEJA na semana passada, Jucilei disse desconhecer a existência da Legend. “Não sei nem que empresa é essa. Nunca nem ouvi falar”, afirmou.
(…)
As informações de que o Coaf dispõe podem servir como bússola para guiar a investigação que a CPI terá de fazer a partir da quebra de sigilo da Delta. Para além dos laranjas, as “operações atípicas” indicam que os saques de dinheiro feitos pela matriz da empreiteira sempre aumentavam nos períodos eleitorais. Em 2006. o Coaf registrou 59 saques sucessivos da Delta ao longo dos trinta dias que antecederam as eleições, somando 5 milhões de reais. O responsável pelos saques foi o gerente financeiro da empresa, Alexandre Wilson Pinto. Mais um dado revelador que deve chamar a atenção da CPI: algumas das empresas de fachada usadas pela Delta aparecem recebendo volumosas quantias de outras grandes empreiteiras detentoras de contratos com o poder público, como a EIT e a Triunfo, prestadoras de serviços para o Ministério dos Transportes, e a UTC, cliente da Petrobras. Em se tratando de CPI, o que era cachoeira virou tsunami. Que certeiro tiro no pé se deu o lulismo!
BLOG DO LAURO JARDIM
Delta segue vencendo licitações Brasil afora
E não é que no meio dessa tempestade, a Delta acaba de ganhar uma licitação no notório Dnit? Fará obras de 30 milhões de reais na BR-163.
Saiba por quanto Cavendish negociou sua defesa em Brasília
Fernando Cavendish já chegou a negociar sua defesa
por 18 milhões de reais com um advogado brasiliense. Não fechou
contrato, mas a base de preço era essa.
Na mesa de Sarney, um pedido de impeachment de Joaquim Barbosa
Na mesa de José Sarney, na presidência do Senado, está sob análise um pedido de impeachment de Joaquim Barbosa, relator do escândalo do mensalão. É, evidentemente, coisa de mensaleiro. Mas todo cuidado é pouco.
Lula: mais facilidade para falar “certas coisas para certas pessoas”
A pelo menos um presidente de partido, Lula disse
recentemente que procuraria os onze ministros do STF para falar do
mensalão. Justificou a intromissão assim: fora da presidência poderia
dizer com mais facilidade “certas coisas para certas pessoas”.
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