SEGUNDA EDIÇÃO DE QUINTA-FEIRA

NA COLUNA DO CLÁUDIO HUMBERTO
Quinta-feira, 14/05/2020
O Tribunal de Contas da União (TCU) está prestes a suspender uma compra do Ministério da Saúde que o ministro Benjamin Zymler considerou muito estranha. São 80 milhões de aventais a um custo total que chegou perto de R$1 bilhão. O contrato com uma pequena empresa do tipo “Eireli”, Inca Tecnologia e Serviços, de apenas um sócio, tem o valor de R$912 milhões. Além disso, a compra foi realizada sem licitação. A suspeita é que a compra pode ser “superdimensionada e antieconômica”.

Zymler quer saber porque, em compra tão expressiva, o Ministério da Saúde não especificou dimensões e nem o destino dos aventais.

O TCU acha que não houve avaliação dos riscos de comprar de empresa tão pequena produtos que exigem quantidade, qualidade e prazo.

O único dono de uma empresa do tipo “Eireli”, por lei, não poderá ter o seu patrimônio pessoal afetado pelas dívidas do seu negócio.

O ministro Benjamin Zymler deu prazo de cinco dias para explicar a compra dos 80 milhões de aventais com dispensa de licitação.

Certo de que Ricardo Lewandowski ordenaria a liberação dos exames para o jornal O Estado de S. Paulo, o presidente Jair Bolsonaro mandou entregá-los ao ministro do STF. Os críticos de Lewandowski sempre o vinculam a opositores de Bolsonaro, como Lula e o próprio PT, mas foi ele quem livrou o presidente da “acusação” de estar doente, ao determinar “ampla divulgação” dos exames, todos negativos. Ao menos é um presidente que não foi “julgado” no STF por roubar dinheiro público.

A judicialização dos exames do presidente beirou o ridículo. Bolsonaro chegou até a advertir, com bom humor: “vão cair do cavalo”. Caíram.

O desafeto Felipe Santa Cruz levou a OAB que preside a passar vergonha e ser humilhada com os três testes negativos de Bolsonaro.

Bolsonaro errou tanto quanto seus críticos. O presidente tem o dever de expor qualquer exame de saúde, isso é do interesse público.

Em duas semanas, dobrou no Estado de São Paulo o número de mortes por coronavírus. Passando de 2.049, em 28 de abril, para 4.118 ontem. E o pior é João Dória não poder culpar adversários.

Bolsonaro já deveria ter percebido que a máxima de Napoleão I (“Jamais interrompa seu adversário quando ele estiver cometendo um erro”), que ele curte, talvez explique o mutismo da oposição no Congresso.

A juíza que pretende assumir o controle do combate ao coronavírus no DF cobrou o hospital de campanha para 400 pacientes prometido pela Fecomércio-DF. A entidade explicou que o estudo técnico do projeto está na fase final e será realizado pelo Sesc-DF e o Sesc Nacional.

Nomes fictícios nos exames de Bolsonaro são precaução para reduzir o risco de vazamentos. Presidentes e familiares recebem apelidos curiosos da segurança. Presidente é “Águia”, primeira-dama “Cisne” etc.

O depoimento do ex-superintendente da PF no Rio, ontem, frustrou a expectativa de que Bolsonaro fosse desmentido na afirmação, reiterada várias vezes de que seus filhos não foram e nem são investigados. O delegado Saadi confirmou isso, o que faz a “interferência” perder sentido.

O deputado JHC (PSB) se mostra preocupado com as trapalhadas do governo de Alagoas no combate à covid-19. Segundo o parlamentar, só 0,8% do total empenhado foi destinado à compra de “respiradores”.

A Câmara não votou, ontem, o projeto que obriga o uso de máscara em locais públicos, sob pena de prisão de até 15 anos. Vai valer para todo o País, mesmo para quem não tem dinheiro para comprar o equipamento.

Presidente do Não Aceito Corrupção, o procurador Roberto Livianu cobra ação contra a corrupção durante a pandemia. 
—Quadro é grave e demanda trabalho vigoroso de todo o sistema anticorrupção, disse.

...pelo visto vai ter muitos veículos de mídia pagando honorários de sucumbência nos próximos anos.

A poucos dias de “deixar a vida para entrar na História”, Getúlio Vargas desabafou com o seu ministro da Viação, José Américo de Almeida: “Impossível governar este País. Os homens de verdadeiro espírito público vão escasseando cada vez mais...” O “Velho”, como Américo é conhecido na Paraíba, seu Estado, foi direto ao ponto: “E o que o senhor acha dos homens de seu governo?” Getúlio respondeu: “A metade não é capaz de nada, e a outra metade é capaz de tudo...”

NO DIÁRIO DO PODER
Quarta-feira, 13/5/2020



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