Pular para o conteúdo principal

SEGUNDA EDIÇÃO DE SÁBADO, 15-6-2019

NO BLOG DO POLÍBIO BRAGA
QUINTA-FEIRA, 13 DE JUNHO DE 2019
Princípios às favas
Artigo, William Waack
No  Estadão 
Provavelmente a Lava Jato e seus expoentes sairão menos desmoralizados do que se pensa.
Nas mensagens trocadas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol publicadas até aqui está um bom resumo da Lava Jato. É a frase atribuída ao então juiz Sérgio Moro na qual ele, dirigindo-se ao procurador Deltan Dallagnol, duvida da capacidade das instituições brasileiras de lidar com a corrupção do sistema político.
A força-tarefa de Curitiba é um acontecimento relativamente recente, mas tem décadas a convicção que personagens como Moro e Dallagnol exibem da sociedade brasileira como hipossuficiente, isto é, incapaz de se defender sozinha, especialmente frente à esfera da política. Esse é também o ponto de partida para a compreensão que procuradores têm de si mesmos como “agentes políticos da lei”.
O que explica a extraordinária popularidade da Lava Jato não são esses velhos e conhecidos postulados ideológicos, mas, sim, o fato de uma imensa parcela da população ter encontrado nas ações da força-tarefa a expressão de seu profundo descontentamento com um “sistema”, sobretudo o político, encarado como principal obstáculo ao progresso dos indivíduos e do País.
A face nos últimos tempos mais identificada com o “sistema” era o PT, entre tantas siglas políticas que procuradores e juízes identificam como predadores de uma sociedade indefesa. Daí ter sido esse partido um de seus principais alvos, mas de forma alguma o único. O fato central é que o “lavajatismo” não considera o sistema político capaz de se regenerar, nem os poderes políticos (sobretudo o Legislativo).
A “tutela” exercida pelos integrantes da Lava Jato sobre uma sociedade civil entendida por eles como fraca e indefesa foi entusiasticamente aceita e se traduziu em grande medida na onda que arrasou o PT, e quase toda a política, com a colaboração de setores dominantes da mídia também. Convencidos desde o início de que enfrentariam uma formidável reação do “sistema”, especialmente dentro do Judiciário, os expoentes da Lava Jato claramente subordinaram meios legais aos fins – políticos num sentido amplo.
Assumiram que seria necessária a utilização excepcional de instrumentos de investigação e coerção, esticados até a margem da lei, para lidar com um adversário enraizado nas principais instituições. A maioria da sociedade brasileira concordou com isso e deu expressão eleitoral (na figura de Jair Bolsonaro) à noção de que era necessário “limpar” o PT e o “sistema”, ainda que se tivesse de fechar os olhos para eventuais “abusos” ou “escorregadas” por parte da Lava Jato.
Muita gente (muita mesmo) pensa que garantias legais e preceitos constitucionais e também a frase “não se deve combater crimes cometendo crimes” importam menos diante do grau de roubalheira, bandidagem, cinismo, irresponsabilidade dos dirigentes políticos e seus comparsas do mundo empresarial no “sistema”, conduzido mais recentemente pelo lulopetismo.
A revelação dos diálogos particulares entre Moro e Dallagnol enfureceu não só juristas, indignados com o que se configura óbvia violação de princípios pelos quais magistrados deveriam pautar suas condutas. Mas as consequências políticas estão sendo o contrário do que pessoas fiéis a princípios poderiam esperar com a grave denúncia de comportamento parcial ou de ativismo político por parte de integrantes da Lava Jato.
Quem calcula a “desmoralização” da Lava Jato provavelmente verá o contrário. Pode-se gostar disso ou não, mas na luta política brasileira já faz bastante tempo que princípios foram mandados às favas. Não sabemos ainda é com quais vamos tentar construir o futuro.
Postado por Polibio Braga às 10:46

NO PUGGINA.ORG
STF ULTRAPASSOU (DE NOVO) A LINHA AMARELA
Por Percival Puggina 
Artigo publicado em 14.06.2019, sexta-feira
A rigor, hoje, uma sirene deveria estar ressoando em todo o território nacional, advertindo que o STF avançou a linha amarela e invadiu competência do Poder Legislativo sob débil alegação – “Já que o Congresso não decide...”. Ante a “omissão” do Legislativo, o STF ultrapassou a linha amarela e criou um tipo penal aplicável a condutas homofóbicas por analogia ao racismo.
A sirene deveria estar soando porque essa, digamos assim, invasão do espaço aéreo do outro poder, na minha convicção, é sinal claro de mentalidades totalitárias, que em nome de suas convicções pessoais, desconhecem limites à própria ação e firmam decisões em palanque de banhado.
O fato de haver votos divergentes entre os ministros reforça a legitimidade dos entendimentos discordantes. Os três ministros que se posicionaram contra a decisão majoritária alegaram exatamente a invasão de competência privativa do Parlamento nacional. Só a ele cabe criar tipos penais. Não há na convicção dos ministros Marco Aurélio, Toffoli e Lewandowski qualquer resquício de preconceito ou homofobia. Apenas respeito às fronteiras entre os poderes de Estado.
Ao alegar “omissão” do Legislativo, a maioria do STF subscreveu tese perigosíssima. Segundo ela, se o Congresso não vota determinado projeto por não ter maioria para aprovação, seu autor, se a tese for do gosto de alguns senhores ministros, pode atravessar a rua e buscar apoio de meia dúzia deles. Não era esse o sentimento que transbordava de cada palavra do ministro Celso de Mello, ao ler as 155 páginas de seu voto em fevereiro deste ano? Não retirou ele do bolso da toga a acusação de que o Congresso estava “em mora” com um dever constitucional? Não entendia ele, então, que a Constituição impunha ao Parlamento o dever de deliberar e não ficava explícito, ali, o único conteúdo aceitável dessa “deliberação”? Nesse caso, como deve o Legislativo acolher a indicação que o STF lhe faz de que legisle a respeito? Faz um convênio e encomenda uma minuta de projeto ao outro lado da rua?
Nunca é demais lembrar: raramente, muito raramente, as casas do Congresso rejeitam projetos de parlamentares, pois estes só submetem suas proposições ao plenário quando têm certeza de contar com apoio suficiente. Portanto, o que a maioria do STF entendeu como “omissão” ou “mora” é falta de consenso ou de suficiente apoio. E também isso é deliberação. O projeto agora em discussão na Câmara dos Deputados, por exemplo, é aquele que limita o antagonismo à introdução da ideologia de gênero nos currículos escolares.
Por isso, o projeto patina. Uma coisa é defender a dignidade da pessoa humana e seu direito de definir e não ser discriminada em vista de sua identidade sexual. Outra é dar um salto com vara sobre o conhecimento científico para afirmar, lá do outro lado, já no terreno da mera ideologia, que essa identidade é uma construção social. E colocar isso na cabeça das crianças.
_______________________________
(*) Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no País. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.


NO JORNAL DA CIDADE ONLINE
Por que o Lula ainda dá entrevistas?
15/06/2019 às 06:05
Por Raquel Brugnera
Pós Graduando em Comunicação Eleitoral, Estratégia e Marketing Político - Universidade Estácio de Sá

Lula virou a palmatória do mundo e já que ele está imundo, os "sujos" e desvalidos encontram nele a última chance de combater a qualquer custo, a onda conservadora e capitalista que os oprimem.
Entre os que não conseguem lutar por seus direitos sem gritar "lulalivre" temos:
- Jornalistas bem pagos que passaram anos divididos entre denunciar o que descobriam, ou continuarem empregados.
- Os artistas comuns que foram acostumados com padrão de celebridade internacional;
- Boa parte do Judiciário, que hoje lança mão de liminares para barrar decisões do governo e nunca fizeram isso antes - talvez se soubéssemos que um juiz tem tanto poder quanto um presidente, teríamos recorrido ao Judiciário quando vimos o dinheiro dos impostos sendo investidos em melhorias dos países amigos de Lula. Para "provar" que o socialismo dava certo eles sugaram um país capitalista, mas o Judiciário não agiu.
- Funcionários públicos, que sabem que são privilegiados e mesmo assim criticam "a classe privilegiada" na tentativa de manterem suas gordas aposentadorias, seus altos salários e a estabilidade que não encontram na iniciativa privada.
- Temos também no mesmo bloco os ladrões, traficantes e corruptos de toda sorte, esses eu não preciso explicar por que se associaram às causas da esquerda e de Lula.
- E temos as pessoas comuns que se sentem oprimidas e incapazes de competir no mercado de trabalho tão cruel quanto é o capitalista.
Todos esses grupos encontraram em Lula uma esperança que ele saia da cadeia (não importa quantos crimes cometeu) e retome o poder para exterminar seus opressores; eles têm a necessidade de um líder que lhes dê voz e na esquerda só tem uma voz: a de Lula!
Gostando dele ou não, só Lula é capaz de continuar repetindo o discurso falido, mas que ainda agrada os ouvidos dessa geração que não está muito afim de competir porque se sente em desvantagem.
A esquerda só tem Lula porque ele mesmo não deixa ninguém evoluir (Ciro Gomes que o diga). Ele os deixou dependentes e hoje celebram o cadáver político de Lula, esperando que ele ressuscite para os fazer valer.
Há dois "paradoxos de Zenão" nessa história:
Primeiro, que ao mesmo tempo que Lula faz qualquer manifestação perder a credibilidade, ele ainda é a ÚNICA pauta que une a esquerda.
E o segundo, é que Lula tem o "Toque de Midas às avessas": a pessoa que ele aponta o dedo para criticar é eleita pelos conservadores e cristãos do País.
Ps: Bolsonaro e Sérgio Moro sabem disso...

Nota do editor do Blog do Estênio
(*) Zenão de Cítio (340 - 264 a.C.)
Zenão (grego) foi o fundador da escola Estoica que rejeitava a metafísica e todo tipo de transcendência. Para essa escola a filosofia é a arte de bem viver que ele separa em três partes, a lógica e física e a ética.


NO O ANTAGONISTA
Em nota, Moro diz não reconhecer autenticidade de novos diálogos vazados
Brasil 15.06.19 09:46
O ministro Sergio Moro divulgou uma nota sobre a nova peça de propaganda com as mensagens roubadas do celular de Deltan Dallagnol...

“Vai dar ruim pra quem mexer com a Lava Jato”
Brasil 15.06.19 10:03
A deputada Bia Kicis usou o Twitter neste sábado para comentar o vazamento de mensagens entre Sergio Moro e integrantes da Lava Jato.
“O prestígio de...

“Vai dar ruim pra quem mexer com a Lava Jato”
Brasil 15.06.19 10:03
A deputada Bia Kicis usou o Twitter neste sábado para comentar o vazamento de mensagens entre Sergio Moro e integrantes da Lava Jato.
“O prestígio de...

Greve “parcial, localizada e inoportuna”
Brasil 15.06.19 08:32
O cientista político e professor da USP Alcindo Gonçalves disse ao Estadão que a greve contra a reforma da Previdência foi “bastante parcial, localizada e, de certo ponto, inoportuna”...

Nem Zanin quer usar as trocas de mensagens entre Deltan e Moro Brasil 15.06.19 08:00
Por Renan Ramalho
O Antagonista encontrou o advogado de Lula, Cristiano Zanin, quando ele saía de uma reunião ontem com Edson Fachin no Supremo Tribunal Federal.
Perguntamos, afinal, como ele quer usar as mensagens entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol no pedido de soltura de Lula, a ser julgado na Segunda Turma no próximo dia 25.
Veja o que ele respondeu...


Bonat mantém ação contra Paulo Preto em Curitiba
Brasil 15.06.19 10:36
O juiz Luiz Antonio Bonat, da 13ª Vara Federal no Paraná, decidiu manter em Curitiba a ação penal contra Paulo Preto por lavagem de dinheiro da Odebrecht...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Notícias em Destaque

Brasil tem menor média de casos de covid do ano(Ler mais)   Mourão nega renúncia e diz que segue no governo ‘até o fim’ Relação entre o vice e Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a ser alvo de especulações após o presidente dizer que o general ‘por vezes atrapalha(Ler mais) A economia a gente vê depois: Governadores e Prefeitos ainda não se pronunciaram em como vão ajudar a população: “o depois chegou, e agora?”(Ler mais) Com ódio: Governo Doria multa o presidente Bolsonaro e sua comitiva: “pode chegar a 290 mil reais”(Ler mais) Ministros do STF querem resposta imediata de Luiz Fux sobre declarações do presidente alegando fraude nas urnas eletrônicas(Ler mais) Renan Calheiros e Humberto Costa querem sigilos bancários de Jornalismo independente “disseminadores de fake”(Ler mais) Justiça prorroga prisão de autor do vandalismo em estátua de Borba Gato(Ler mais)

Notícias em Destaque

  Passageiros em voos para o Ceará devem fazer teste de Covid-19, recomenda novo decreto do Governo (Ler mais) Voto auditável: Arthur Lira deve negociar com Bolsonaro e Barroso um texto que agrade a ambos e encerre a celeuma (Ler mais) Seleção Brasileira de Futebol se recusa a subir no pódio com o patrocínio de marca chinesa (Ler mais) Novidade: na visita de Bolsonaro a Florianópolis teve a “jet-skiCIATA”, VEJA O VÍDEO (Ler mais) Justiça Eleitoral custa ao país R$27 milhões por dia (Ler mais) Arthur Lira defende separação dos Poderes: ‘Dançar junto sem pisar no pé de ninguém’ Em meio ao embate entre o Planalto e o STF, presidente da Câmara disse que convivência deve ser ‘civilizada, democrática, sempre harmônica e independente (Ler mais) Por que Lira decidiu levar o voto impresso para o plenário da Câmara Em pronunciamento na sexta-feira, presidente da Casa destacou que conjunto de deputados dará veredito ‘inquestionável e supremo’ sobre a proposta (Ler mais) Procuradores e juízes ...