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As armas do paiol

Sebastião Nery
Agamenon Magalhães, interventor de Pernambuco no primeiro governo de Vargas, perguntou ao filho, Paulo Germano, que acabava de formar-se na Faculdade de Direito de Recife, qual o mais preparado e valente de seus colegas:
- Rafael Meyer.
Mandou chamá-lo e nomeou promotor de Paulista, onde os Lundgren tinham a matriz das “Lojas Paulistas” (nome no Nordeste) e das “Lojas Pernambucanas” (nome no Sul) e, cheios de armas, mantinham empregados e a cidade em intolerável e permanente intimidação e servidão, dispondo das pessoas, sobretudo da virgindade das filhas dos trabalhadores:
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AGAMENON
- Dr. Rafael, o senhor sabe o que é aplicar a lei?
- Sei, sim, doutor Agamenon.
- Talvez ainda não saiba tudo. Vá para Paulista aplicar a lei. Os Lundgren fizeram da cidade uma fazenda de escravidão. Não respeitam a lei, nada. Quem manda lá é o poder deles. Estão cheios de armas. Desarme-os. Mas não encontre logo as armas. Primeiro, cerque o depósito onde estão as armas, destelhe o depósito, derrube as paredes do depósito e só depois descubra as armas lá dentro do paiol.
Rafael Meyer, pequeno, incorruptível, preparado e valente, foi e aplicou a lei. Os Lundgren, desmoralizados, anunciaram quer iriam embora de Paulista e só voltariam quando a ditadura acabasse. Rafael Meyer aplicou tão bem a lei que acabou ministro do Supremo Tribunal Federal.
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LUNDGREN
Em 1950, Agamenon foi candidato a governador de Pernambuco pelo PSD. Arthur Lundgren, fundador das “Lojas Pernambucanas”, deu a vitória à UDN em Paulista, onde ficava a fábrica. Agamenon, eleito governador, ligou-se a Antonio Galvão, presidente do sindicato, e passou a derrotar a UDN. Irritado, Lundgren se preparou para transferir toda a fábrica para Rio Tinto, na Paraiba, onde já tinha uma filial. Agamenon empiquetou a estrada com soldados e mandou convocar Lundgren:
- Dr. Lundgren, o senhor pode se mudar para a Paraíba. Mas a fábrica não vai. São 6 mil pernambucanos que dependem dela. O Estado vai administrar.
A fábrica não saiu de Paulista.
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DIRCEU
O Procurador Geral da Republica, Roberto Gurgel, com seu rosto corado e sereno de bispo sem batina, leu em cinco horas, no Supremo Tribunal, a denuncia do “Mensalão”: “o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e desvio de dinheiro publico flagrado no Brasil. Maculou-se gravemente a Republica. Foi um balcão de compra de votos no Congresso, durante o primeiro mandato de Lula”.
- “Nada, absolutamente nada acontecia sem o consentimento do José Dirceu. Ele era o mentor, protagonista e idealizador do esquema. O ex-ministro está rigorosamente em todas. Dirceu não era tesoureiro nem presidente do partido, mas pairava, como chefe, acima dessa estrutura de poder. Os crimes se passavam entre quatro paredes, não entre quatro paredes comuns, mas entre quatro paredes de um palácio Presidencial”.
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LULA
Proximo ao gabinete de Dirceu, chefe da Casa Civil, estava o de Lula, com quem Dirceu despachava todas as manhãs. E Lula, o caráter anódino, diz que foi “apunhalado pelas costas”, “nunca soube de nada, nunca lhe contaram nada”. Desde o começo, Dirceu denunciou :
- “Nunca fiz nada sem a ordem ou autorização do Presidente”.
Qual dos dois estará mentindo agora? Os dois. Os dois fundaram juntos o PT e a CUT. Os dois perderam juntos as eleições de 1989, 94, 98. E ganharam juntos as de 2002 e 2006. Os dois criaram juntos o “Mensalão”
Os romanos sabiam:-“Asinus asinum fricat” (um burro coça o outro).

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